Crianças e adolescentes enfrentam abalos psicoemocionais após um ano de pandemia

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Clínica Vita

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A pandemia completa um ano agora em março. Apesar das vacinas desenvolvidas em tempo recorde, o mundo ainda luta contra o novo coronavírus e, aqui no Brasil, enfrentamos uma fase especialmente crítica, neste momento. Não é hora de baixar a guarda e, com isso, a vida segue em meio a uma série de contingências, em praticamente todos os setores. Todos sofrem com esta situação e, se para adultos e idosos, o cenário é para lá de difícil, para o público infantojuvenil, mesmo não sendo considerado como um segmento de alto risco para a Covid-19, as restrições e o clima de medo, incertezas e instabilidades dos últimos 12 meses também têm gerado grandes impactos psicoemocionais, conforme observam profissionais de algumas áreas que trabalham mais diretamente com essa faixa etária.

A psicóloga e neuropsicóloga Aline Simionato chama atenção para o impacto psicoemocional da pandemia no público infantojuvenil

A psicóloga clínica e neuropsicóloga Aline Simionato chegou a abrir o seu perfil no Instagram para que pais e familiares pudessem tirar dúvidas via direct e receber orientações a esse respeito, após ouvir em seu consultório inúmeros relatos sobre as dificuldades enfrentadas com as crianças e adolescentes, ao longo desse período. Segundo ela, tem aumentado as situações de famílias que sentem os filhos desestabilizados emocionalmente, resultando em uma maior recorrência de situações como: recusa por adesão a atividades escolares (participação, realização de tarefas, etc.) e mais problemas de autorregulação de comportamento (dificuldades com o controle emocional).

Na percepção de Aline, um dos maiores obstáculos para as crianças em idade escolar está exatamente nas diversas e constantes alterações nas rotinas de ensino. Afinal, em muitas escolas foram inúmeras idas e vindas entre formatos presenciais e on-line, ao longo do último ano. Em outras, as aulas foram mesmo suspensas, com uma situação que era para ser temporária sendo prolongada indefinidamente.

“Imprevisibilidade e instabilidade são coisas desafiadoras para qualquer idade, mas para a criança, isso pode ser especialmente difícil de lidar”, salienta a psicóloga, que tem observado um maior impacto entre pacientes com idades entre os seis e os 11 anos. “Essa é uma fase em que é fundamental poder contar com ambientes estáveis, para que esse indivíduo saiba como se movimentar e se sinta seguro”, explica a especialista, lembrando que essa faixa etária ainda requer também mais estímulos sensoriais (jogos presenciais, materiais educativos que estimulem sentidos como o tato e a audição, além da coordenação motora, etc.) e que, por isso, pode apresentar mais resistência ou dificuldades com experiências on-line.

Pais mais estressados

Se tem sido desgastante enfrentar as sucessivas mudanças e restrições no ambiente escolar, em casa, a situação tende a estar ainda menos estabilizada. “As famílias estão enfrentando os mais diversos tipos de desafios: mudanças nos modelos de trabalho dos pais ou mesmo a perda de emprego, crises financeiras, crises conjugais, além do medo propriamente dito da Covid-19 – isso quando não estão lidando diretamente com a própria doença ou elaborando o luto pela perda de algum ente querido, por causa dela – e, em meio a isso tudo, há a maior presença dos filhos em casa, com as suas diversas demandas de aprendizagem, de espaço, de atenção, de tempo, etc. Muitos pais estão realmente esgotados”, salienta Aline.

Pais: hora de recorrer a ajuda profissional para lidar com desafios impostos pelo cenário pandêmico, que já se prolonga há um ano

Conforme salienta a psicóloga, é natural e expectável que crianças e adolescentes captem todo esse clima e sejam também impactados por tudo isso. Assim como é normal que, frente a um cenário tão delicado, os pais sintam que precisam de ajuda. Nessas horas, o suporte profissional pode fazer toda a diferença para mediar as relações, oferecer estratégias e esquemas alternativos e, quando for o caso, intervir também terapeuticamente, oferecendo o suporte necessário à criança e ao adolescente que se encontra em sofrimento.

Avaliação neuropsicológica

Além do suporte psicológico, focado nas questões psicoemocionais que podem estar afetando a criança ou o adolescente, também poderá ser recomendável uma avaliação neuropsicológica, dependendo da situação. Esse instrumento é muito importante na investigação de condições que afetam (ou podem afetar) a parte cognitiva (isto é, as capacidades de percepção, compreensão, raciocínio lógico, memorização, linguagem, abstração, etc.) e que muitas vezes demoram para ser identificadas, enquanto geram prejuízos na vida da criança ou do adolescente.

A avaliação neuropsicológica é um instrumento importante para identificar situações que possam estar afetando o desenvolvimento

Sintomas presentes em quadros como dislexia, discalculia, transtorno do processamento auditivo central (TPAC), transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou mesmo alguns quadros dentro do transtorno do espectro autista (TEA) muitas vezes são tomados como preguiça, birra, ciúmes dos irmãos, etc., ou, até mesmo, chegam a passar muito tempo despercebidos. O ritmo frenético da vida moderna de fato reserva pouco tempo para o convívio em família e, de alguma forma, a pandemia acabou por impor a retomada dessas interações, desnudando problemas latentes.

A neuropsicóloga Marina Alves revela inclusive que, após os primeiros meses de confinamento, ainda em 2020, notou um aumento na procura pelas avaliações neuropsicológicas. “Penso que com a convivência maior entre pais e filhos, imposta pelo isolamento social nos meses iniciais, acabou fazendo com que as famílias observassem mais determinados comportamentos e sintomas que antes poderiam passar mais tempo sem serem notados”, opina a especialista, salientando a grande importância das famílias fazerem esse movimento de busca por ajuda profissional o mais cedo possível.

Aqui nesta entrevista para o IGTV para a Clínica Vita, Marina explica a viabilidade da Avaliação Neuropsicológica para TODAS as pessoas, podendo ser inclusive realizada em crianças na mais tenra idade. CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR.

 

Essa publicação foi atualizada em 15 de março de 2021 15:40

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