Categorias: Neurologia

Lives tiram dúvidas sobre autismo e outros quadros, em tempos de quarentena

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Muito ativa nas redes sociais, a neurologista infantil e neurofisiologista Simone Amorim, diretora da Clínica Vita, está atenta à tendência das lives e iniciou, na última semana, em seu perfil do Instagram, uma série de conversas ao vivo com especialistas do nosso Corpo Clínico. A primeira participante foi a também neuropediatra Flora Orlandi, para falar sobre “Desafios do autismo em tempos de quarentena”.

Dra. Simone Amorim, diretora clínica da VitaDra. Flora Orlandi, neurologista infantil

Dá para imaginar quanta informação relevante rolou durante uma hora de bate-papo, não é mesmo?! Para quem perdeu a transmissão ou não tem perfil no Instagram, vamos reproduzir por aqui os principais esclarecimentos e as dicas deixadas pelas especialistas.

“Temos recebido uma quantidade muito grande de questões colocadas pelos pais e familiares de pacientes nesta fase. Em saúde, as dúvidas já são muitas, naturalmente. Mas agora, que as rotinas estão todas alteradas e todo mundo, sem exceção, tendo que se adaptar a uma realidade nunca antes experimentada, a insegurança, o medo e a tensão disparam”, salienta Simone, adiantando que ainda serão trabalhados outros temas, de interesse específico, como a paralisia cerebral, a epilepsia e a distonia, assim como também situações de interesse geral, como depressão, estresse, saúde cardiovascular, enxaqueca/cefaleias e Nutrição.

Estresse pós-traumático

Como estamos em plena campanha Abril Azul, na qual o mês inteiro é dedicado às questões sobre o autismo, esse foi o tema escolhido para o primeiro bate-papo.

Especialmente engajada no acompanhamento de temáticas relativas a essa questão, a neurologista infantil Flora Orlandi tem acompanhado de perto as colocações dos especialistas de centros de referências mundiais neste momento. Uma definição muito interessante apresentada por ela foi a da PhD norte-americana Eugenia Steingol, que define a fase atual vivida pelas famílias como muito próxima das situações de estresse pós-traumático – com todos os efeitos nocivos que isso causa nas pessoas, tais como: perturbações de sono, pesadelos frequentes, irritabilidade, emotividade exacerbada, isolamento, além de crises de ansiedade e pânico.

“No Brasil, felizmente, ainda temos um panorama um pouco mais leve do que o enfrentado em outros países com a pandemia, como está acontecendo nos EUA, por exemplo. Mas, mesmo assim, as famílias estão sentindo o impacto e, especialmente para aquela família que tem um ou mais indivíduos dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), a questão da quebra da rotina tem um impacto muito grande. Isso pode ser extremamente estressante para todos e muito difícil de lidar, sem haver uma estratégia específica”, considera.

Estratégias e adaptação

Em geral, as escolas, os centros terapêuticos e os consultórios de especialistas compõem redes de apoio muito importantes para o acompanhamento e o desenvolvimento das pessoas que se encontram dentro do TEA. Sem poder contar com esses espaços físicos, resta às famílias buscar no ambiente virtual e na literatura especializada as ferramentas de que necessitam para a adaptação neste momento.

Durante a live, as médicas enfatizaram o grande potencial terapêutico envolvido em praticamente todas as interações realizadas com os indivíduos dentro do TEA. “Quando os pais e as famílias em geral compreendem que os terapeutas oferecem as técnicas, mas que são eles que cuidam e que são os grandes responsáveis por oferecer um ambiente de estímulo e desenvolvimento para essas crianças, isso é maravilhoso”, ressaltou Simone Amorim, durante a conversa.

Ou seja, mesmo em situações normais, aquela terapia específica feita uma, duas ou mais vezes por semana, precisa reverberar em casa – o que exige aprendizado e atenção de todos os membros da família. E, se antes isso parecia ser apenas uma opção, agora todos estão diante da realidade incontornável: a de que esse é o melhor e mais eficiente caminho para a integração e o desenvolvimento desses indivíduos.

ALGUMAS DICAS PRÁTICAS

– Buscar reestabelecer rotinas o mais rapidamente possível, pois, em geral, para os indivíduos com TEA, isso é muito importante. Naturalmente, trata-se de uma fase em que talvez seja mais difícil, mas vale a pena buscar a maior constância possível nos horários e nos padrões das atividades;

– Uma possibilidade interessante é criar um quadro onde a criança, caso já tenha idade e condições de perceber, consiga visualizar essa rotina. Isso a ajuda a entender como será o seu dia e o que esperar dele. Essa estruturação pode, inclusive, ser criada junto com a participação da criança/adolescente, permitindo que ele inclua ali atividades que goste de realizar;

– Respeitar o tempo das atividades e os limites da criança/adolescente. Dar continuidade ao aprendizado escolar é muito importante nesta fase, mas convém que as atividades complexas (e potencialmente estressantes) não sejam exigidas por períodos muito prolongados. Cabe aí ter sensibilidade para observar esses limites;

– Sendo possível, vale a pena separar espaços físicos na casa, com áreas específicas para a realização de tarefas escolares, áreas de brincar e áreas de convívio em família;

– As crianças/adolescentes dentro do TEA podem ter tarefas de organização doméstica compartilhada com os irmãos. Isso, inclusive, reforça neles o sentido de integração ao grupo. O fundamental aí é deixar claras as regras e as obrigações de cada um;

– Manter contato on-line com os terapeutas e buscar orientações específicas para cada situação. Vale lembrar que para a criança/adolescente, esse novo formato poderá exigir um tempo de adaptação, que precisará ser respeitado. Mas é muito importante não cortar o vínculo, e que os pais estejam também abertos a receber dos terapeutas as dicas sobre o que podem fazer para “substituir” o papel presencial do profissional;

– Outro ponto essencial é lembrar-se de que cuidadores também precisam de cuidados e que, mais do que nunca, pais e responsáveis precisarão também contar com a ajuda de profissionais para cuidar do seu estado psicoemocional. Estar bem é o primeiro passo para quem deseja cuidar bem.

Essa publicação foi atualizada em 27 de abril de 2020 11:42

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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