Pouco a pouco, um novo conceito começa a fazer parte do universo de quem convive com quadros ou sequelas permanentes como as que ocorrem após episódios de AVC, de meningite, de traumas cerebrais ou medulares, ou até em mesmo situações que são causadas por doenças genéticas. Cada vez mais, essas pessoas e seus familiares ouvem falar em neuroreabilitação e nas possibilidades que essa abordagem traz para esses pacientes.
Dra. Simone Amorim, especialista que, em abril, irá participar do 8º Congresso Mundial de Neuroreabilitação, na Turquia.
“O que acontece é que, hoje em dia, há inúmeras terapias possíveis para melhorar as condições de pessoas que tiveram, por exemplo, seus movimentos limitados, sua comunicação prejudicada ou mesmo o seu potencial cognitivo afetado. Além disso, há um entendimento cada vez maior de que a abordagem deve ser multidisciplinar e individualizada para cada paciente”, explica a médica Simone Amorim, que é doutora em Neurogenética e especialista em Neurofisiologia e Neurologia Infantil.
Em abril, a especialista irá participar, em Istambul, na Turquia, do 8º Congresso Mundial de Neuroreabilitação. Profissionais do mundo inteiro estarão naquela cidade, discutindo e trocando informações sobre temas como: avanços na farmacologia, tratamentos específicos para espasticidade (contrações involuntárias dos músculos), manejo da dor, gestão da epilepsia, terapia genética, reabilitação cognitiva, etc.
“É importante deixarmos claro que quando falamos em reabilitação, não falamos de cura. Quadros genéticos, por exemplo, não têm cura. Há também sequelas decorrentes de certas patologias que são permanentes, ou seja, a pessoa terá de conviver com elas pelo resto da vida”, salienta a médica.
“O que estamos chamando atenção é para o fato de que hoje existe uma gama ampla de abordagens que podem ser feitas para dar mais conforto a esses pacientes, diminuindo dores, ampliando as suas chances de movimento e coordenação motora, dando-lhes condições de estabelecer melhores comunicações”, completa.
Simone Amorim trabalha já há cinco anos com a terapêutica com toxina botulínica, na reabilitação de pacientes com comprometimento neurológico. Segundo ela, o tratamento também pode envolver outros profissionais, como fisiatras, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Tudo depende do quadro e das necessidades de cada paciente e de como ele responde às abordagens.
“Atendemos pacientes com os mais diversos quadros resultantes, por exemplo, de paralisia cerebral, doenças genéticas ou AVC. São quadros que incluem a espasticidade, a distonia (movimentos repetitivos involuntários), sialorreia (produção aumentada de saliva), disfagia (dificuldade para engolir), perda de força em um ou mais membros, etc. O que vemos é um índice de sucesso muito alto, o que contribui enormemente para a motivação, a autoestima e a vida social desses pacientes”, explica a médica.
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