Nunca paramos de aprender

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Simone Amorim,
neurologista infantil

Alguém já disse, com toda razão, que o médico tem de ser um eterno estudante. É isso mesmo!

Na próxima semana terá início o 8º Congresso Mundial de Neuroreabilitação, em Istambul, na Turquia. Eu estarei lá, e devo confessar que estou especialmente ansiosa pela chegada desse evento.

Serão cinco dias intensos de palestras, de apresentações de estudos e de mesas redondas com especialistas do mundo inteiro. Temos uma agenda ampla, que, entre outras coisas, abordará temas como o tratamento da espasticidade, o manejo da dor e as terapias para sequelas motoras e cognitivas.

Essas são questões com as quais lido diariamente e que estão dentro do meu campo de interesse mais imediato, devido ao meu trabalho nas áreas da Neurologia Infantil e na reabilitação de pacientes adultos e crianças  com sequelas motoras (tais como as vítimas de AVC, de traumatismo craniano, de paralisia cerebral e de doenças neurodegenerativas).

Entretanto, um outro fator em especial que me chama atenção no evento que está por vir é o seu foco multi e interdisciplinar em praticamente todos os painéis.

Se há uma coisa que aprendemos na vivência da Neuroreabilitação é que toda e qualquer terapêutica é potencializada quando ocorre dentro de um somatório de esforços. Quando conciliamos abordagens invasivas e não invasivas, tratamentos medicamentosos, terapias fonoaudiológicas e até psicológicas e sociais, os ganhos para o paciente sempre se multiplicam.

Ora, se problemas neurológicos levam a comprometimentos nos mais diversos planos e dimensões da vida do paciente, com graus e níveis de gravidade que variam de indivíduo para indivíduo, é óbvio pensarmos que o caminho da reabilitação só pode ser o de também oferecer saídas diversificadas e capazes de se ajustar às necessidades específicas de cada um desses seres humanos.

Unindo esforços, através de abordagens multidisciplinares, a Neuroreabilitação tem conseguido grandes avanços para as condições clínicas e a qualidade de vida dos pacientes.

Levarmos em conta, de forma individualizada para cada paciente, todas as possibilidades de empreender estímulos cognitivos e sensoriais e de promover o desenvolvimento de quaisquer habilidades possíveis para esses indivíduos é lhes abrir verdadeiramente as portas da inclusão, da melhoria da autoestima, do ganho da qualidade de vida e, por que não dizer, até mesmo da longevidade.

Talvez, como cientistas, tenhamos demorado um pouco para descobrir essa rota. Mas, felizmente, hoje a abordagem multidisciplinar é uma tendência.

A cooperação mútua se consolida cada vez mais. Ganha o paciente. Ganham as suas famílias. E ganhamos todos nós a satisfação de sentir que estamos, de fato, contribuindo para que as pessoas tenham uma vida melhor, independentemente do que lhes se sentenciam as suas patologias.

Essa publicação foi atualizada em 25 de agosto de 2019 09:10

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
Caso deseje entrar em contato conosco, escreva para blogdavita@vitaclinica.com.br
Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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