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O que já está definido em relação ao uso do canabidiol

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Simone Amorim,
neurologista infantil e neurofisiologista

O uso do canabidiol nas epilepsias de difícil controle: já escrevi aqui no Blog da Vita sobre esse tema há algum tempo, quando o assunto estava, digamos, pegando fogo. Agora, as coisas parecem ter se assentado um pouco mais e as defesas mais radicais já começam, aparentemente, a dar espaço às necessárias ponderações.

Como o tempo da ciência é diferente do tempo pautado pelo calor das emoções das pautas midiáticas, o assunto pode não estar sendo mais alvo de longas reportagens ou tempo de TV e, tampouco, de calorosas discussões nas redes sociais, mas os estudos prosseguem. Assim como prossegue a atenção em seus resultados, por parte dos especialistas comprometidos com a eficácia e a segurança dos tratamentos que prescrevem e dos casos que acompanham.

Sendo assim, a questão do canabidiol também mereceu destaque no último Congresso Brasileiro de Neurologia Infantil, realizado em São Paulo, entre os dias 12 e 14 de novembro, com uma palestra ministrada pela Dra. Marilisa Guerreiro, epileptologista da Unicamp.

Na ocasião, postei em minha página no Facebook sobre alguns tópicos que considero os mais relevantes a serem colocados (e esclarecidos) junto à população. Mas, como acho que o tema não deve perder a abrangência que merece, resolvi voltar a ele também aqui no blog.

O mecanismo de ação no cérebro da substância popularmente conhecida como canabidiol ainda é desconhecido. Os estudos científicos ainda estão na fase 1, onde é testada a segurança do medicamento. Portanto, ainda não são conhecidos os efeitos colaterais a médio e a longo prazos dessa medicação.

Outro dado importante a ser destacado é que cerca da metade dos pacientes não respondem ao tratamento.

Diante desses fatos, o consenso entre a comunidade científica é de que ainda são necessários mais estudos, antes que seja possível afirmar tanto a segurança quanto a eficácia do uso dessas substâncias nos tratamentos das epilepsias.

Hoje, mesmo com a autorização da prescrição médica pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), a indicação é de que o medicamento seja usado SOMENTE nos casos considerados de MUITO difícil controle – principalmente na Síndrome de Dravet. Mesmo assim, o tratamento deve ser feito com a permissão da família, que precisa ser devidamente orientada sobre os riscos e as possíveis falhas terapêuticas.

Os estudos sobre os efeitos sobre o cérebro dos medicamentos originários da cannabis ainda não são conclusivos.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:43

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Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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