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O uso da toxina botulínica na doença de Parkinson

Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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Simone Amorim,
neurofisiologista e neurologista infantil

A Doença de Parkinson (DP) é uma doença progressiva e neurodegenerativa, causada pela degeneração de neurônios dopaminérgicos na substância nigra (redução da dopamina). Essa degeneração leva a importantes déficits em vias motoras e não motoras no cérebro.

Somente nos EUA, estima-se que 60.000 novos casos são diagnosticados a cada ano. No Brasil, estimativas da Associação Brasileira de Parkinson (ABP), apontam que cerca de 200 mil pessoas têm a doença e que são diagnosticados 20 novos casos para cada 100.000 pessoas/ano, afetando homens e mulheres.

Essa é a segunda doença neurodegenerativa mais comum em pacientes adultos e, por isso, é também uma das mais estudadas em todo o mundo. A comunidade científica segue firme na busca por tratamentos que melhorem a qualidade de vida desses pacientes.

Os sintomas não motores mais comuns são: distúrbios do sono, fadiga, dor, disfunção urinária, constipação, sialorreia (extravasamento de saliva pela boca), déficit cognitivo e depressão. Algumas vezes, os efeitos desses sintomas podem ser até mais importantes que os sinais motores da doença – como distonia (movimentos involuntários), rigidez, espasticidade (contração muscular excessiva)  e tremor.

Daí a grande importância de procurar ajuda médica o mais cedo possível. Quanto mais cedo o diagnóstico ocorre, mais temos condições de nos anteciparmos no tratamento dos sintomas, garantindo uma melhor qualidade de vida para o paciente e melhor assistência também a seus familiares.

Infelizmente, alguns dos sintomas não respondem bem aos medicamentos orais. Notem que sempre falamos sobre tratamento sintomático, porque a DP não tem tratamento curativo, até o momento.

A toxina botulínica tem sido usada no tratamento dos sintomas da Doença de Parkinson.

Nos últimos anos, temos visto a indicação cada vez mais ampla da toxina botulínica no tratamento dos sintomas da doença. Distonias focais (cervical, pé e/ou mão, oromandibular), tremor, sialorreia, constipação, bexiga hiperativa, entre outros comprometimentos da DP, costumam responder bem à terapêutica com essa substância.

Vamos indicar agora, forma um pouco mais detalhada, o tratamento para alguns desses quadros:

– Distonia cervical ou torcicolo espasmódico do pescoço: atualmente a toxina botulínica tem sua eficácia e segurança comprovadas por meio de estudos científicos e é considerado o tratamento mais efetivo. Os efeitos colaterais dependem da dose utilizada e os mais comuns são déficit de força no pescoço e disfagia (dificuldade para deglutir);

Blefaroespasmo: é a distonia focal caracterizada pela contração exagerada e persistente do músculo orbicular do olho, levando ao piscamento excessivo dos olhos. A aplicação de toxina botulínica nesses músculos tem bons resultados para manter os olhos mais abertos;

– Cãimbra do escrivão: é uma distonia tarefa específica, ou seja, a mão ou o membro superior adotam uma postura anormal ao escrever. A toxina botulínica também tem se mostrado eficiente no tratamento desse sintoma;

– Distonia de pé (postura anormal de um pé): é um sintoma comum no início da doença de Parkinson e também pode ser melhorado pelo uso da toxina;

– Sialorreia: é a produção excessiva de saliva. Na Doença de Parkinson, o extravasamento de saliva pela boca pode ocorrer por inabilidade em reter a saliva dentro da boca ou dificuldade na deglutição. Isso leva a um risco aumentado de broncoaspirações e/ou pneumonias. A toxina botulínica tem se mostrado efetiva para a redução da produção de saliva.

Devido a tudo isso, a toxina botulínica é considerada hoje o tratamento de primeira linha para distonia cervical, blefaroespasmo e distonias focais. Com eficácia comprovada e baixos riscos de efeitos colaterais, que podem ser: fraqueza, disfagia, boca seca, ptose palpebral e equimoses (áreas roxas) nos locais de punção.

As medicações orais, como baclofeno, benzodiazepínicos, relaxantes musculares, pregabalina, levodopa, entre outras, podem ser usadas nos casos de distonia segmentar e como adjuvantes no tratamento com a toxina botulínica.

A cada dia, mais e mais estudos têm sido publicados e muitos mais ainda precisam ser realizados, a fim de encontrar respostas para essa que é uma doença altamente complexa e desafiadora para médicos e para toda a equipe multidisciplinar.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:43

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
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Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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