Pacientes com fibromialgia ainda lutam por visibilidade e tratamentos adequados

A fibromialgia é hoje a segunda doença mais frequente na área da Reumatologia (especialidade médica que estuda as articulações e os tecidos que as cercam: ossos, músculos, tendões e ligamentos), atingindo cerca de 8% da população mundial. Além de causar grande sofrimento e de comprometer a qualidade de vida, o quadro traz para os pacientes o desafio adicional de não terem a sua condição e as suas necessidades socialmente reconhecidas e respeitadas. Daí a importância de se falar sobre a patologia – que foi inserida no âmbito da campanha Fevereiro Roxo, decorrente todo este mês, com ações de conscientização que incluem também o lúpus e a Doença de Alzheimer.

A fibromialgia atinge cerca de 8% da população e é mais prevalente entre as mulheres

A síndrome, que tem maior prevalência entre mulheres, caracteriza-se principalmente por um estado de dores crônicas, que se manifestam em várias partes do corpo, sem razões aparentes (isto é, sem a presença de lesões e/ou alterações identificáveis em exames laboratoriais ou de imagens). Ao conjunto sintomático costumam somar-se ainda: alterações no sono, fadiga, dificuldades de concentração e memória, cefaléia, dormências e/ou formigamentos nos membros, palpitações e alterações de humor.

Temos aqui, portanto, um mix que, por um lado, afeta diretamente o bem-estar e a produtividade do paciente, e que, por outro, exige um diagnóstico clínico muito atento e bem realizado, com observção minunciosa do histórico de saúde da pessoa, das características das queixas, da frequência e da intensidade das manifestações dos sintomas, entre outras variáveis. Não são raros os casos de pacientes que passam anos sem um diagnóstico assertivo (sobretudo quando não recorrem a especialistas qualificados para esse tipo de avaliação) ou que, mesmo após receberem o parecer médico conclusivo, têm a sua condição socialmente subestimada.

As estatísticas apontam que irritabilidade e sentimentos de tristeza e angústia estão presentes em cerca de 70% dos casos, sendo que a depressão propriamente dita manifesta-se em pelo menos 30%  dos pacientes. Embora as causas da fibromialgia ainda não estejam plenamente esclarecidas pela Ciência, já é sabido que a sua relação com a depressão é uma via de mão-dupla. Ou seja: a fibromialgia pode desencadear e agravar a depressão e, por sua vez, pessoas deprimidas têm maior risco de desenvolver a fibromialgia ou ter essa patologia agravada.

Por todas essas razões, o entendimento atual é o de que o suporte a esses pacientes deve ir além do controle eficiente das dores. São maiores as chances de sucesso quando o tratamento é feito de forma multidisciplinar.

Em geral, o uso de medicações associadas a trabalho fisioterapêutico são indispensáveis para combater diretamente os episódios de dor. Mas associar outras terapêuticas ao plano de tratamento pode fazer toda a diferença. Nesse sentido, a Acupuntura e a Neuromodulação (eletro-estimulação transcraniana) figuram como procedimentos especialmente recomendados. Junto a todos os procedimentos, o suporte psicoterápico também é altamente desejável, com destaque especial para as linha de trabalho com Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) e Biofeedback.

Essa publicação foi atualizada em 18 de fevereiro de 2019 10:12

Disqus Comments Loading...
Compartilhe

Recentes

Campanha alerta sobre impactos das dores de cabeça na qualidade de vida

"Mesmo que você tenha boas explicações para as suas dores, se você tem três ou mais episódios de dor de…

7 dias atrás

Enxaqueca é a segunda doença mais incapacitante do mundo

Dados atualizados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) neste ano apontam a enxaqueca como a segunda maior causa de…

2 semanas atrás

Autismo: desmistificar é o primeiro passo para a verdadeira inclusão

Abril é um mês dedicado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). No último dia 02, tivemos o Dia Mundial de…

2 meses atrás

Dieta cetogênica é recomendada no controle da epilepsia

Há importantes novidades no tratamento dos pacientes epilépticos. A Liga Brasileira de Epilepsia, em seu mais novo protocolo, incorporou a…

2 meses atrás

Down é a síndrome genética de maior incidência

A Síndrome de Down é uma síndrome genética decorrente da presença de um cromossomo a mais, no par 21 - por isso,…

2 meses atrás

Superexposição de crianças ao mundo digital preocupa especialistas

A superexposição desde cedo das crianças às telas eletrônicas vem preocupando profissionais de saúde em todo o mundo. Na opinião da…

2 meses atrás