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Busca por dieta cetogênica para o controle da epilepsia é cada vez maior

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Há pouco mais de um ano, a Liga Brasileira de Epilepsia incorporou a dieta cetogênica em seu protocolo de tratamento para os casos de difícil controle. De lá para cá, a demanda pela terapêutica tem sido cada vez maior nos consultórios, assim como as taxas de sucesso.

Com o devido acompanhamento nutricional, o plano alimentar ajusta-se às necessidades específicas do paciente

Na opinião da nutricionista Lenycia Neri, que integra o Corpo Clínico da Vita e também atua no Ambulatório de Dieta Cetogênica do HC-FMUSP e no Grupo de Trabalho em Nutrição de Dieta Cetogênica da Secretaria da Saúde de São Paulo, a Internet – e principalmente as redes sociais – têm desempenhado um papel importante nesse cenário.

“Cada vez mais, os pais buscam a dieta cetogênica porque viram informações sobre o assunto nos grupos de trocas de informações e nas redes sociais. Isso é algo positivo, mas é fundamental frisar que a condução da dieta requer sempre o acompanhamento por um nutricionista e só acontece após a devida avaliação pelo neuropediatra”, ressalta a especialista, salientando que a dieta é desenvolvida e ajustada de forma individualizada, para que, além da melhoria nos padrões e na frequência das crises epilépticas, o paciente não corra riscos de déficits nutricionais e também de ganhos ou perdas indesejáveis de peso.

AJUSTES

Para aqueles pacientes que já estão em acompanhamento, Lenycia desaconselha quaisquer alterações que não tenham passado pelo crivo do profissional responsável pelo programa. Ela explica que a quantidade de gorduras presente no cardápio, por exemplo, tem de ir aumentando gradualmente, enquanto os carboidratos caem de forma proporcional, consoante com as respostas da pessoa ao tratamento.

Portanto, alterações realizadas por conta própria ou a partir da indicação de que algo foi feito (e deu certo) com o filho de alguém que relatou isso em um grupo de pais podem comprometer seriamente os resultados. “Esse é o ponto em que a troca de informações pela Internet, por mais bem-intencionada que seja, pode se tornar perigosa”, observa.

PRODUTOS DA MODA

Outra preocupação é com a moda da dieta cetogênica para emagrecimento. Primeiro, porque dietas da moda trazem sempre o risco de não levarem em conta as necessidades individualizadas de cada um. Segundo, porque é muito importante deixar claro que a dieta cetogênica para emagrecimento é muito diferente da dieta cetogênica para o controle da epilepsia. São protocolos distintos, apesar de ambas se basearem na restrição de carboidratos.

Segundo Lenycia, muitos produtos têm aparecido no mercado com a promessa de serem cetogênicos, mas não são. “Devemos tomar muito cuidado com isso. Os pais devem estar atentos e muito bem orientados, para observar a presença de carboidratos nos itens e sempre consultarem o nutricionista para se certificarem sobre a segurança dos produtos”, indica.

MÉDICOS

No final de 2019, pela primeira vez, o Congresso Brasileiro de Neurologia Infantil contou com um workshop sobre dieta cetogênica, sendo que a nutricionista Lenycia Neri foi responsável por proferir três palestras aos neuropediatras. Em sua opinião, o nível de informação no meio médico a respeito da terapêutica com dieta cetogênica vem crescendo, mas ainda é preciso insistir na disseminação de informações e na formação de médicos em torno do assunto.

A nutricionista Lenycia Neri deu aulas sobre dieta cetogência no último Congresso Brasileiro de Neurologia Infantil

Aos pais, o conselho da nutricionista é que busquem abordar o tema com o médico que acompanha o quadro epiléptico da criança. “É muito importante que busquem especialistas atualizados no assunto”, sublinha, lembrando que a adoção da dieta não implica em supressão de medicações e de outras medidas terapêuticas, a não ser por decisão do especialista que conduz o tratamento.

Essa publicação foi atualizada em 20 de março de 2020 19:31

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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