Pandemia aumenta riscos de complicações em pacientes com doenças crônicas

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A pandemia que enfrentamos já seria suficientemente grave se os riscos para a saúde fossem apenas os de contaminação pelo novo coronavírus. Mas os impactos vão muito além: da superlotação nas unidades de urgência, emergência e nos centros de terapia intensiva – que pode inclusive comprometer a capacidade de atendimento a outros quadros clínicos -, até o agravamento de doenças e quadros crônicos, devido à descontinuidade de tratamentos e procedimentos eletivos, por causa do isolamento social e de todas as restrições impostas durante as necessárias quarentenas.

A diretora clínica da Vita, Simone Amorim, chama atenção para a importância da regularidade nos tratamentos de quadros crônicos

“Ao longo dos últimos meses, por razões óbvias, estamos todos muito focados no combate à pandemia – e essa tem de ser mesmo a ordem do dia. Mas também não podemos nos esquecer de que tudo o que está acontecendo impacta muito a vida das pessoas e, muitas vezes, acaba por favorecer a descontinuidade de tratamentos médicos. Temos de estar alertas a isso, para não permitir um agravamento que poderia ser evitado em alguns quadros crônicos, por exemplo”, ressalta Simone Amorim, neurofisiologista e neurologista infantil, especialista nos tratamentos com toxina botulínica no campo da Neurorreabilitação e também diretora clínica da Vita.

A médica explica que a regularidade nos intervalos das aplicações é muito importante nas terapêuticas com a toxina. Em geral, os pacientes precisam voltar a cada três ou quatro meses, mas esse intervalo pode variar para mais ou para menos, dependendo do caso.

“A toxina proporciona uma melhora no estado físico geral do paciente com danos neurológicos, que tem comprometimentos motores, melhorando sintomas como os da espasticidade (rigidez muscular excessiva), da distonia (contrações musculares involuntários) e dos tremores, oferecendo mais conforto nas rotinas dessas pessoas e, geralmente, permitindo também que elas evoluam melhor em outras abordagens terapêuticas, como a Fisioterapia, a Terapia Ocupacional e a Fonoterapia, por exemplo”, detalha a médica.

Abalo emocional

Quando os processos terapêuticos são interrompidos, os avanços não só estacionam, como podem, até mesmo, involuir. Além disso, ao se sentir menos confortável, possivelmente com mais dores e enfrentando maiores dificuldades para prosseguir com as suas rotinas, esse paciente também tem mais probabilidade de se sentir abalado emocionalmente, ficando agitado, nervoso ou, por outro lado, desmotivado e até depressivo. Tudo isso pode afetar ainda mais o seu estado geral de saúde e a sua capacidade de respostas quando o tratamento for retomado.

Mas não são apenas os pacientes neurológicos crônicos que estão no radar dos especialistas. Os fatores psicoemocionais são hoje uma fonte de preocupação em praticamente todas as especialidades.

“Conversando com médicos das mais diversas especialidades, a gente vê que atualmente as queixas de grande parte dos pacientes têm apontado para um estado de ânimo abalado. Isso tem consequências sobre a saúde sistêmica, contribuindo para o surgimento de novas doenças ou para o agravamento das que já existiam”, salienta a médica, ressaltando a importância de todos os profissionais estarem especialmente atentos à saúde mental dos seus pacientes, neste momento (falamos dessa questão aqui neste post – link).

Avaliação caso a caso

Para evitar complicações, Simone Amorim considera fundamental o intercâmbio de informações entre médico e pacientes (ou os seus familiares responsáveis).

Neste momento, os profissionais de saúde continuam desestimulando que as pessoas saiam de casa desnecessariamente – sobretudo os pacientes considerados de grupos de risco. Contudo, cuidar da saúde é algo essencial e, tomando as medidas de proteção necessárias, a ida presencial ao consultório se justifica em inúmeros casos – até porque isso pode ser crucial para evitar situações de urgência ou emergência, a curto ou médio prazos, dependendo da situação.

Quando não há indicação para o atendimento presencial, as orientações do especialista que acompanha o caso seguem sendo essenciais para que a pessoa ou a família possam gerir e se adaptar às novas situações, e para que sejam tomadas medidas seguras diante de quaisquer intercorrências apresentadas pelo paciente.

“Hoje, o teleacompanhamento é uma realidade, e nós temos feito isso com muito sucesso, em diversos casos aqui Clínica Vita. Algumas terapias também podem ser realizadas com a orientação on-line pelo profissional. Tudo é uma questão de levar a situação à equipe responsável, para que sejam encontradas as melhores alternativas para cada situação”, pondera a especialista.

Essa publicação foi atualizada em 6 de julho de 2020 09:50

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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