Pandemia também põe em risco a saúde mental

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O momento histórico é turbulento e vai deixar muita coisa fora do lugar em todo o planeta, quando essa tempestadefinalmente passar. Ainda não temos total noção dos estragos, mas uma coisa é certa: teremos de lidar com as consequências dos abalos psicoemocionais causados direta ou indiretamente pela presença do novo coronavírus entre nós.

Nos consultórios médicos, o impacto da pandemia sobre a saúde mental dos pacientes já se faz sentir, deixando os profissionais da área em alerta. A questão já nem é mais saber se as pessoas serão afetadas em algum momento durante todo esse processo, mas sim como elas irão lidar com esses abalos inevitáveis.

Quadros psiquiátricos têm aumentado e/ou se agravado, em meio ao cenário imposto pela pandemia

“A tendência é haver um aumento e/ou agravamento de quadros psiquiátricos, tais como: estresse agudo, depressão e ansiedade. Algumas pesquisas em andamento já apontam para isso. Porém, só teremos uma visão mais clara futuramente, uma vez que a história desta pandemia ainda está em curso”, salienta a psiquiatra Gabriela Fossati, integrante da equipe médica da Clínica Vita.

Um levantamento da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP),  feito no início de maio, aponta para um aumento de 25% nas demandas por consultas, sendo que 89,2% dos profissionais entrevistados informaram que houve um agravamento dos sintomas em pacientes que já estavam em tratamento. Já um estudo recente da Fiocruz, em parceria com as universidades Federal de Minas Gerais e Estadual de Campinas, mostra que 54% dos brasileiros sentiram-se ansiosos ou nervosos por causa do isolamento social imposto pela pandemia e que 40% disseram ter ficado tristes ou deprimidos.

Medo, ansiedade e riscos de transtornos

Gabriela explica que o medo e a ansiedade são reações naturais e necessárias aos seres humanos, diante de situações de mudanças, ameaças ou incertezas. “São emoções que desempenham papéis protetivos para o indivíduo, nas diversas situações e etapas ao longo da vida”, pondera.

Contudo, essas funções de essas funções deixam de ser protetivas quando se mantêm de forma permanente, gerando sofrimento excessivo ou quando não estão, necessariamente, associadas a questões concretas, racionais. Nesse ponto, já são grandes as probabilidades de haver transtornos instalados, sendo fundamental a ajuda especializada para o controle e/ou superação da situação.

Medo e ansiedade são naturais perante situações novas e/ou ameaçadoras, mas há um ponto em que podem se tornar transtornos

Em outras palavras: diante do cenário atual, com tantos desafios sobrepostos, sentir-se ansioso ou mesmo amedrontado é algo não só possível, como esperado em algum momento – sendo isso, inclusive, uma parte importante do processo de elaboração e de enfrentamento das adversidades. Mas esse mecanismo, quando prolongado, também pode nos adoecer emocional e mentalmente.

Seja devido às drásticas alterações na rotina, seja por causa do isolamento social, pelas eventuais tensões estabelecidas nas relações familiares em meio ao confinamento, ou mesmo por instabilidades no trabalho e nas finanças, razões não faltam para qualquer um sair do prumo nestes últimos tempos. Contar com um suporte profissional pode fazer toda a diferença para não irmos a pique – até porque, em termos de Brasil, não há no horizonte sinais de calmaria a curto prazo.

A hora de agir

Os transtornos psicoemocionais podem se manifestar de muitas formas, havendo, porém, dois marcos essenciais para acender os sinais de alerta: quando há prejuízos sociais (as atitudes da pessoa prejudicam a terceiros ou comprometem as suas relações com a família, parceiros, amigos e/ou colegas de trabalho) ou quando colocam o próprio indivíduo em uma espiral de sofrimento, da qual ele não consegue se livrar.

Ou seja: esqueçam aquilo de ser ou de não ser normal. Ninguém é feliz o tempo todo e, em certa medida, todo mundo se entristece, sofre e também tem “manias” e preferências que podem parecer “estranhas” para as outras pessoas. A questão é: o sofrimento virou um estilo de vida e está trazendo prejuízos a si e/ou aos que lhe rodeiam? Então a hora é de agir, indo em busca de uma avaliação e de tratamentos adequados.

Durante a consulta, o psiquiatra colhe informações sobre o paciente e requisita exames, antes de propor um caminho terapêutico

Gabriela Fossati explica que a consulta psiquiátrica consiste basicamente em uma conversa que permite ao médico obter informações sobre o paciente e o seu contexto familiar. “Isso é feito através da anamnese (entrevista diagnóstica) e da observação geral da pessoa – sua postura, sua fala, a maneira como expressa ou não os seus sentimentos e pensamentos, como reage às outras pessoas, etc. Também, em geral, são necessários exames físicos, laboratoriais e de imagem – já que alguns problemas clínicos também podem levar a alterações mentais”, explica.

Com todas as informações coletadas, o psiquiatra formula uma hipótese diagnóstica e um caminho terapêutico – que poderá envolver (ou não) o uso de medicamentos, além de diversas outras terapias, como: psicoterapias (em suas várias vertentes), Terapia Ocupacional, fonoterapia, supervisão nutricional, técnicas de relaxamento e de meditação, prática de atividades físicas, eletroconvulsoterapia (ECT), estimulação magnética transcraniana (EMT), mudanças no estilo de vida, hidroterapia, equoterapia, dentre outras.

“Todas essas técnicas têm prescrições específicas, de acordo com o tipo de transtorno, o perfil do paciente e a gravidade do quadro, podendo ser usadas de forma isolada ou em conjunto. Em muitos momentos, a combinação de técnicas favorece melhor resposta ou até maior tempo de estabilidade do quadro”, explica a psiquiatra.

Em relação aos medicamentos, Gabriela ressalta que a maioria dos psicotrópicos não causa dependência farmacológica, e que mesmo aqueles que apresentam algum risco de causá-la podem ser utilizados de forma segura, se forem seguidas as orientações médicas. A prescrição do tratamento medicamentoso, enfatiza a especialista, é sempre feita levando em consideração a melhor relação custo x benefícios para o paciente.

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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