Para cada 88 crianças, uma tem Autismo

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Por Simone Amorim,
Neurologista

Hoje assisti ao simpósio sobre autismo apresentado durante o XXV Congresso Brasileiro de Neurologia, que termina nesta quarta-feira, dia 8. Qual não foi minha surpresa ao ouvir que a prevalência do autismo é da ordem de 1 em cada 88 crianças. Os dados são norte-americanos, mas estima-se que, no Brasil, existam 1,5 milhão de pacientes autistas.

Estes números são elevados e muito preocupantes, colocando o Autismo como um dos grandes problemas de saúde pública, uma vez que estas crianças precisam ser diagnosticadas e tratadas (com terapias) o mais precocemente possível. O transtorno afeta quatro vezes mais meninos do que meninas e fatores genéticos e ambientais podem estar envolvidos em sua patogênese.

O diagnóstico do transtorno do espectro autista ainda é clínico, ou seja, baseado na história clínica e no exame neurológico. Não existem exames de imagem ou outros que confirmem ou não a presença de Autismo.

Os achados e critérios clínicos mais importantes se referem a:

  • Deficit da comunicação social
  • Deficit no desenvolvimento da linguagem
  • Comportamento repetitivo

As crianças autistas têm uma inabilidade em manter a comunicação social, a troca de experiência com o mundo externo, o desenvolvimento da fala é pobre e o vocabulário restrito. Esses sintomas se tornam evidentes logo nos primeiros anos de vida. O comportamento tende a ser repetitivo e há preferência por objetos e estereotipias.

O aprendizado para a criança autista é especial. Tudo aquilo que as crianças, via de regra, experimentam, descobrem e aprendem, por si só, a criança autista precisa ser incansavelmente ensinadas por dezenas a centenas de vezes, até que o comportamento mais adequado a cada situação seja aprendido.

Isso não quer dizer, porém, que exista déficit cognitivo em todo paciente autista, o que existe é uma dificuldade na comunicação, na forma como a informação é recebida, interpretada e respondida.

Tratamento

O tratamento do autismo deve ser multidisciplinar, o paciente deve ser acompanhado por médico, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. As terapias comportamentais são até o  momento as mais indicadas e devem objetivar desenvolver as habilidades especiais de cada criança e evitar os comportamentos “indesejáveis”. Elas devem ser iniciadas o mais precocemente possível e  cabe a nós médicos, junto aos familiares, diagnosticar e orientar as terapias precocemente.

Essas intervenções já devem ser iniciadas a partir da suspeita clínica. Esperar que a criança cresça para iniciar o tratamento pode significar a perda de um tempo precioso para o seu desenvolvimento. Quanto mais precoce forem as intervenções, melhor será o desenvolvimento a longo prazo do paciente autista.

As terapias comportamentais devem ser diárias e intensivas, devem estar adequadas ao grau de desenvolvimento de cada criança e não à sua idade cronológica. A família deve estar totalmente envolvida no processo, compreender e reproduzir no ambiente caseiro o que é aprendido com os profissionais é de suma importância para que o paciente alcance a plenitude em seu desenvolvimento social e cognitivo.

Não há, até o momento, tratamento para curar o autismo. As medicações são utilizadas no intuito de minimizar os sintomas e comorbidades associadas, tais como agressividade, instabilidade de humor, epilepsia, distúrbios do sono  e  outros.

No site http://www.autismoerealidade.com.br/ poderão ser encontradas cartilhas para pais, professores e profissionais que se interessem pelo tema.

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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