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Precisamos falar sobre suicídio!

2018-06-28T20:32:21+00:00 11 de junho de 2018|Destaques|0 Comments
Precisamos falar sobre suicídio. Em todo o mundo, o crescimento do número de casos chama atenção e coloca o tema em pauta como uma questão de saúde pública. Na opinião da psicóloga Cássica Denadai, integrante do corpo clínico da Vita, a conscientização sobre a importância da intervenção profissional no tempo certo pode fazer toda a diferença na prevenção de inúmeros casos.

“Em geral, o risco de suicídio evolui silenciosamente. Ainda convivemos com uma mentalidade que estigmatiza quem demonstra o sofrimento ou vivencia um esgotamento. As pessoas se sentem na obrigação de se mostrarem sempre fortes, positivas. Com isso, inúmeros pacientes só chegam ao consultório quando o comportamento potencialmente suicida já está muito evidente ou, até mesmo, após um ou mais episódios de tentativas de se matar. Isso, obviamente, é temeroso, pois muitos podem não ter a segunda chance”, salienta a terapeuta, que é especialista em Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) e em Biofeedback.

A psicóloga ressalta ainda que o apoio de familiares e de amigos também é de grande relevância. Entretanto, nem sempre as boas intenções são suficientes para oferecer à pessoa o suporte necessário para que ela possa enxergar alternativas de mitigar a sua dor. Sendo assim, quanto mais cedo vier a ajuda profissional, melhor.

“Muitas vezes, na intenção de ajudar, as pessoas próximas acabam colocando ainda mais pressão sobre o indivíduo que já não está conseguindo lidar com a sua dor. Precisamos entender que, na verdade, o suicida não quer morrer. Ele quer apenas acabar com o sofrimento, que sente ser insuportável. Se queremos prevenir essas medidas extremas, essa dor não pode ser subvalorizada”, salienta Cássia.

Outro ponto crucial é o pacto do sigilo profissional existente no processo terapêutico. Isso garante o ambiente ideal para que o paciente possa expor todas as suas questões, sem reservas ou medo de julgamentos. “Dessa forma, a pessoa pode fazer movimentos de autoconhecimento e de autoaceitação, além da revisão de valores, de crenças e de possibilidades. Tudo isso contribui muito para que ela enxergue outras alternativas para a sua vida, afastando a ideia do suicídio”, sublinha.

DEPRESSÃO E COMORBIDADES

Cabe ressaltar ainda que, no âmbito da Psicologia e da Psiquiatria, existem diversos quadros clínicos que, por si só, também elevam os riscos de pensamentos suicidas. Por isso, a avaliação profissional é fundamental para um diagnóstico seguro e um tratamento assertivo que, além de terapia, poderá envolver também o uso de medicações e outras abordagens.


A diretora clínica da VitaSimone Amorim, ressalta ainda o fato da depressão ser uma comorbidade muito recorrente em diversos quadros clínicos. “Principalmente quando se trata de doenças crônicas ou degenerativas, cada vez mais temos descoberto o quanto a depressão surge associada, seja como um desdobramento do quadro, seja como sintoma mesmo de processos neurofisiológicos. Isso exige de nós atenção redobrada para dar a esses pacientes e seus familiares todo o suporte de que eles necessitam”, enfatiza.

A médica salienta que o arsenal terapêutico disponível hoje para tratar a depressão é vasto e interdisciplinar. “Junto ao processo terapêutico com o psicólogo, que é importantíssimo, temos as possibilidades de tratamento medicamentoso e práticas terapêuticas, como o Biofeedback e, mais recentemente, a Neuromodulação, que é um tratamento de ponta nesse campo”, sinaliza.

ESTATÍSTICAS DO SUICÍDIOS NO BRASIL E NO MUNDO

– Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em todo o mundo, a cada 40 segundos, pelo menos uma pessoa comete suicídio, enquanto cerca de 10 a 20 outras tentam tirar a própria vida.

– No Brasil, a média é de 32 suicídios por dia, sendo que, entre os jovens (de 15 a 29 anos), houve um crescimento de 30% no número de casos, nos últimos 25 anos.

– Dados divulgados nesta semana pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, a taxa total de suicídio naquele país aumentou em 30% em mais da metade dos Estados dos EUA nos últimos 17 anos. O aumento médio em todo o país é de cerca de 25%. Isso significa que, em média, 16 de cada 100 mil americanos decidem acabar com suas próprias vidas todos os anos. Só em 2016, quase 45 mil pessoas se suicidaram no país (fonte: BBC Brasil).

SINAIS DO RISCO SUICIDA E COMO AJUDAR

Mudanças de comportamentos, tais como afastamento do contato com pessoas de seu ambiente (familiares e amigos), mudança de apetite sem razão aparente, abandono de temas de interesse, negligências com os cuidados pessoais, etc., são sempre sinais de alerta que apontam para a possibilidade da pessoa estar enfrentando alguma dor emocional. Saber que pode ser apoiado nesse momento é importante, para evitar que o sentimento de impotência e as ideias suicidas se instalem. As pessoas próximas podem ajudar, colocando-se disponíveis, sem julgamentos, e incentivando a pessoa a buscar ajuda profissional.

  • Chamar a pessoa para conversar, colocando-se disponível para ouvi-la, é o melhor começo;
  • O mais recomendável é fazer isso em um local tranquilo, sem pressa e respeitando o tempo da pessoa para se abrir;
  • Respeite se a pessoa não se sentir à vontade para falar abertamente, mas enfatize que estará à disposição se, em algum momento, ela quiser procurá-lo para falar, encorajando-a também a buscar ajuda profissional;
  • Caso a pessoa queira falar, lembre-se de que, na qualidade de quem está ali oferecendo ajuda, você deve principalmente ser um bom OUVINTE, evitando falar muito sobre si e ficar se colocando – ou a terceiros – como exemplo de virtude, força e coragem, pois isso pode agudizar ainda mais a sensação de fraqueza e impotência do outro;
  • À medida que a pessoa expuser os seus problemas, dores ou angústias, evite expressar juízos de valor e desaprovações, bem como desmerecer ou minimizar o sofrimento, com expressões como: “ah, mas isso não é nada”, “isso passa”, “não acredito que você esteja pensando nisso”, “deixe de bobagem”, etc. Mostre para a pessoa que o que ela sente importa sim, e que você não está ali para julgar;
  • Uma escuta ativa consiste em realmente ouvir e compreender o que o outro diz, e não apenas em esperar uma pausa para respondê-lo. Mas isso não significa também deixar a outra pessoa falando sozinha. Então busque ajudar a pessoa a pontuar as questões principais, fazendo perguntas abertas e, ao longo da conversa, fazer breves resumos do que a pessoa está lhe relatando, ajudando-a a visualizar alternativas;
  • Se a pessoa falar claramente sobre planos ou vontade de se matar, é primordial que ela não seja deixada sozinha. Podem ser contatados os serviços de saúde mental e os familiares e amigos.

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