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Problemas na aquisição da linguagem oral podem repercutir por toda a vida

O pleno desenvolvimento da linguagem oral durante a infância, no seu tempo ideal, ganhando, progressivamente, a capacidade de compreensão e interpretação dos

Pais e educadores devem estar atentos a problemas no  desenvolvimento da linguagem oral da criança.

signos linguísticos (palavras) e das sentenças (frases), bem como adquirindo  as habilidades da fala, é algo elementar em nossas vidas. Atrasos, falhas e dificuldades nesse processo impactam diretamente as interações sociais e podem comprometer, também, o rendimento escolar, além de gerar prejuízos para a autoestima e a autoconfiança da criança. Muitas vezes, problemas originados aí perduram por toda uma vida.

Em palestras e na sua prática clínica, a fonoaudióloga Joyce Fialho, que atua no diagnóstico e acompanhamento de crianças com Distúrbios do Processamento Auditivo (DPAC), tem chamado a atenção de pais e educadores para a importância de uma estimulação correta para a aquisição da linguagem oral pela criança. Segundo ela, conversar com os bebês, ensinar a eles o significado de palavras simples, aumentando gradativamente o seu vocabulário, assim como repetir corretamente palavras que a criança articula errado, são exemplos de atitudes muito positivas.

“Muitos pais ainda acham bonitinho a criança trocar letras e articular errado as palavras, pelo maior tempo possível, porque assim eles continuam com ´aquele jeitinho de bebê´. Acontece que isso não é benéfico para o desenvolvimento da linguagem da criança e, muitas vezes, pode ser, inclusive, o sinal de algum distúrbio, como o DPAC”, observa a fonoaudióloga.

Em seu consultório, a especialista também atende muitos adultos que, embora não tenham nenhum problema com a voz propriamente dita, desejam melhorar e aprimorar as suas habilidades de comunicação. São executivos e profissionais de diversas áreas que, em determinado ponto de suas carreiras, se dão conta de que, ao longo da vida não desenvolveram muito bem as habilidades da fala, da interação pessoal.

“Quando as habilidades da fala não são plenamente desenvolvidas e estimuladas na infância, isso pode trazer sérios reflexos na idade adulta. Muitos profissionais competentes e muito bem preparados sentem dificuldades em situações como: apresentação de trabalhos em reuniões, negociações, conversas com pessoas desconhecidas, como novos clientes, por exemplo. São situações com as quais somos confrontados no dia a dia e que, sem autoconfiança e pleno domínio das habilidades da fala, nós nos vemos em dificuldades”, ressalta ela.

No caso dos adultos com esse tipo de dificuldade, o trabalho fonoaudiológico envolve a aplicação de diversos exercícios e técnicas que visam o desenvolvimento e o aprimoramento das habilidades discursivas, trabalhando também itens como a linguagem corporal e a autoconfiança. “Ensinamos técnicas em que a pessoa deve treinar diante do espelho, por exemplo, para ir ganhando uma melhor desenvoltura”, explica.

Já no caso das crianças, o primeiro e mais importante passo para o desenvolvimento da linguagem oral acontece em casa e, depois, no ambiente escolar. As dicas a esse respeito são várias, sendo que o ponto fundamental é: estímulo e, junto a isso, atenção e intervenção profissional precoce diante de qualquer indício de atraso.

COMO ESTIMULAR O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM ORAL

– Aproveite os momentos de maior atenção da criança para conversar com ela, usando palavras simples e frases curtas;

– O melhor jeito de conversar com seu filho é face a face, olhando nos seus olhos e articulando bem as palavras, falando devagar;

– Pronuncie corretamente as palavras, usando boa articulação e entonação;

– Explore os órgãos usados para falar como a língua, lábios e bochechas. Brincadeiras como jogar beijos, vibrar os lábios e encher a bochechas de ar são ótimas para essa finalidade;

– Brinque também imitando os sons do ambiente e da vida diária. Exemplos: Au Au (cachorro); Miau (gato); trim…( telefone); toc toc ( batida na porta);

– Brinque com objetos que produzam sons que possam estimular a audição de seu filho;

– Aproveite as atividades do dia a dia (banho, refeições ou passeios) para dizer o nome e as funções dos brinquedos, objetos, partes do corpo e alimentos, por exemplo. Assim, você ajuda a aumentar o vocabulário da criança e o número de signos que ela é capaz de compreender;

– Não “adivinhe” o desejo da criança que já fala. Evite, por exemplo, pegar um objeto que a criança queira, sem que ela tenha repetido o nome (mesmo que fale de forma incorreta). Ela deve sentir a necessidade de falar e expressar o desejo de se comunicar;

– Devolva sempre as palavras ditas pelo seu filho de forma correta, e forme frases com essas palavras. Por exemplo, se a criança pedir água, pronunciando apenas “aga” , responda: “Você está com sede, filho? Você quer água?”;

– Dê sempre a oportunidade para a criança manifestar seus desejos, interesses e necessidades;

– Dê pequenas ordens para a criança cumprir. Exemplos: “Jogue beijo para o papai; pegue a bola.”

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