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Quando a salivação é um desconforto

Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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Por Simone Amorim,
Neurologista infantil

Pessoas saudáveis produzem de 1.000 a 1.500ml de saliva em 24 horas pelas glândulas salivares parótidas, submandibulares e sublinguais. Estas glândulas, juntas, são responsáveis pela produção de 90% do volume diário e outras glândulas menores produzem os 10% restantes.

Muitas doenças neurológicas evoluem com dificuldades no controle motor da cavidade oral (boca), seja da mastigação, deglutição ou dos músculos da língua e do palato.

Quando a produção de saliva excede a habilidade do indivíduo de transportá-la da boca até o estômago, a sua permanência, o seu extravasamento para fora da boca e a aspiração podem ocorrer, além de concomitante dificuldade na mastigação e articulação.

A presenca de sialorreia (salivação excessiva) é estigmatizante, e a prevalência em muitas doenças neurológicas é elevada. A sialorreia ocorre em torno de 50% dos pacientes com ELA, 70% na doença de Parkinson, e entre 10% a 80% dos pacientes com paralisia cerebral. A prevalência da sialorreia nestas afecções é elevada, com comprometimento da integração social, com importantes dificuldades na realização das atividades motoras orais durante a alimentação e a fala, com repercussões na qualidade de vida.

Medicações orais têm sido tentadas para a redução da salivação, como o glicopirrolato, escopolamina e atropine. Porém, todas têm efeito sistêmico e o uso crônico pode levar a efeitos colaterias pouco tolerados.

A cirurgia inclui excisão submandibular bilateral e ligadura dos ductos parotídeos. Esta técnica tem apresentado excelentes resultados. Porém, não é isenta de riscos, principalmente para muitos destes pacientes que apresentam doenças crônicas associadas.

O fluxo de saliva sofre influência do sistema nervoso autonômo parassimpático e simpático, que promove a contração das fibras musculares dos ductos salivares.

Visando o bloqueio dos receptores da acetilcolina, estudos demonstram a eficácia da aplicação de toxina botulínica tipo A nas glândulas parótidas e submandibulares. O uso da toxina botulínica representa um grande avanço no tratamento de diversos distúrbios neurológicos.

Mais recentemente, a capacidade da toxina botulínica em realizar quimiodenervação nas junções neuroglandulares tem sido utilizada e como opção de tratamento para pacientes com sialorreia, com bons índices de redução da produção de saliva, reduzindo, assim, a estase ou o extravasamento da cavidade oral e o risco de broncoaspiraçoes que podem causar pneumonias de repetição e outras infecções de vias aéreas, sem contar a melhora na autoestima e na qualidade de vida, uma vez que sialorreia é causa importante de isolamento social nesses pacientes.

Para saber mais sobre o assunto, vale uma visita aos links:

http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1698-69462007000700008&nrm=iso&tlng=pt

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-72992005000500004&script=sci_arttext

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:38

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Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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