Quando crianças e adultos dão sinais de distúrbios no processamento auditivo

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Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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A fonoaudióloga Joyce Fialho alerta que o DPAC pode acontecer com pacientes de todas as idades.

Eles muitas vezes são rotulados de preguiçosos, desatentos, desinteressados, distraídos e até de antipáticos. Mas podem ser simplesmente pessoas que sofrem de um problema que, embora seja comum, nem sempre é devidamente diagnosticado: o Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC).

Ter a oportunidade de receber um diagnóstico correto e de passar pelo tratamento adequado é algo que pode mudar completamente a história de vida dessas pessoas. Afinal, do desempenho escolar à carreira profissional, passando pelas relações interpessoais, o indivíduo que tem DPAC vê todas as áreas importantes da vida serem impactadas por esse distúrbio.

O DPAC não impede a audição, mas compromete a correta compreensão e a elaboração daquilo que se ouve. Por isso, essas pessoas sofrem sérios prejuízos na sua capacidade de comunicação e na interação com o ambiente à sua volta.

Nesta entrevista para o Blog da Vita, a fonoaudióloga Joyce Fialho, pós-graduanda na área, explica em detalhes esse distúrbio.

Ela ressalta que o DPCA acomete desde crianças na pré-adolescência, até pessoas idosas que, muitas vezes, passaram toda uma vida convivendo com o problema, sem nem sequer desconfiar que ele existe e que tem tratamento. No seu dia a dia, não são poucos os casos com os quais a profissional se depara!

Atualmente, Joyce está desenvolvendo um trabalho junto a escolas, orientando pais e professores sobre o que é esse distúrbio e quais são as suas principais características.

A fonoaudióloga diz também ser comum encontrar casos de DPCA quando dá treinamentos em empresas, para melhorar, por exemplo, a colocação da voz e a assertividade de membros de equipes que lidam diretamente com o público.

“Às vezes nos deparamos com profissionais com grande potencial e conhecimento de sua área, mas que têm dificuldades de relacionamento com os colegas e parecem pouco integrados ao grupo. E quando começamos a trabalhar com esses indivíduos, muitas vezes notamos que eles apresentam todas as características de quem tem déficit no processamento auditivo”, revela, explicando que, nesses casos, a pessoa é orientada a fazer testes mais aprofundados para confirmar o diagnóstico e, se for o caso, realizar a devida terapia fonoaudiológica.

Confira, logo mais abaixo, as explicações e dicas da fonoaudióloga sobre o tema:

Blog da Vita O que é o DPAC e por que ele acontece?
Joyce Fialho – Podemos dizer que processamento auditivo é como o nosso ouvido “conversa” com o nosso cérebro.

Essa definição, que pode ser encontrada na literatura especializada, serve para deixar bem claro que esse é um mecanismo que determina o que fazemos com aquilo que ouvimos. Ou seja, esse processo nos permite, além de captar, classificar, organizar e interpretar os eventos acústicos à nossa volta (ou seja, tudo aquilo que ouvimos). Isso é fundamental para uma comunicação eficiente.

Entretanto, algumas pessoas apresentam falhas nesse processo. São essas pessoas que têm o chamado Distúrbio de Processamento Auditivo (DPAC).

Essa é uma questão neurológica, que não tem nada a ver com problemas nos ouvidos propriamente ditos. Também não está diretamente relacionada a um maior ou menor grau de inteligência do paciente.

Blog da Vita Mas problema no processamento auditivo pode ser um sintoma de déficits cognitivos ou problemas neurológicos mais graves, não?

Joyce Fialho – Sim, poderá ser, mas não necessariamente é. Veja bem, o DPAC pode ocorrer de maneira isolada, por razões genéticas, e completamente dissociado de outras patologias, mas também pode coexistir com outros quadros neuropsiquiátricos e, até mesmo, surgir em consequência deles. Quadros que costumam predispor pacientes ao distúrbio do processamento auditivo são, por exemplo, os seguintes: lesões cerebrais, diabetes, lúpus eritematoso sistêmico, problemas psicoafetivos, como psicose, autismo e distúrbios emocionais em geral.

Blog da Vita Como é o diagnóstico e o tratamento?
Joyce Fialho – Quando há desconfiança da presença do DPAC, o diagnóstico é feito através de testes auditivos comportamentais (como audiometria, que é um exame da “audição” e do processamento) e testes eletrofisiológicos (como o BERA). Esses exames são feitos pelo fonoaudiólogo.

Havendo confirmação do diagnóstico, o tratamento é feito por meio de terapias fonoaudiológicas, que deverão ser focadas na estimulação auditiva e da linguagem. No caso de crianças, é muito importante também a participação da família e a orientação dos profissionais do ambiente escolar, para saberem lidar com esses indivíduos.

E, quando nos deparamos com casos em que há indícios de coexistência com outros problemas no campo neuropsiquiátrico, fazemos também o devido encaminhamento para as avaliações e acompanhamentos por neurologistas infantis ou neuropsicólogos, por exemplo. Muitas vezes, é necessário realizar um trabalho multidisciplinar.

Blog da Vita – Quais são os sinais que os pais devem observar nos filhos, que podem ser indícios desse distúrbio?
Joyce Fialho – Os sinais são vários. Entre os sinais  que a família pode observar, estão: fala ou linguagem inadequadas à idade; dificuldade para ouvir e compreender o que se ouve em ambientes ruidosos; a criança que parece escutar, mas não entender o que ouve; dificuldade para manter uma conversa; dificuldade para anotar aquilo que ouve em sala de aula; dificuldade de aprendizado; dificuldade de manter a atenção e dificuldade de executar instruções orais.

Porém, é preciso ter em mente que até certa idade, muito coisa é normal e faz parte do processo de maturação neurológica da criança.

Blog da Vita – Então qual é a idade em que é possível realmente detectar o DPAC?
Joyce Fialho – A fase ideal para fechar  o diagnóstico é aos 12 anos de idade, quando ocorre a maturação do sistema nervoso auditivo central (SNAC). Mas é importantíssimo ressaltar que a partir dos 5 anos de idade, já observamos traços do déficit. Então, essa é a idade a partir da qual sugerimos que os pais e/ou educadores busquem um profissional especializado para fazer uma avaliação de linguagem, caso sejam observadas algumas características típicas desse problema. Nessa fase, se confirmada a demanda, a intervenção precoce será muito importante para o desenvolvimento da criança, que não deve esperar até os 12 anos para iniciar o processo de reabilitação.

Blog da Vita – E nos adultos, não acaba sendo mais difícil para as pessoas que convivem perceberem os sinais do DPAC?
Joyce Fialho – Quando há informação sobre o que é o distúrbio, as pessoas começam a observar melhor os seus indícios. No idoso, por exemplo, é comum a queixa de que “ouve, mas não entende”.

Nos adultos em geral, queixas comuns são as de baixo desempenho no aprendizado de idiomas ou nas atividades em grupo, por exemplo.

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