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Revisão de critério para casos de microcefalia está alinhada com parâmetros mundiais

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Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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O governo federal anunciou nessa sexta-feira, dia 4, que irá mudar os critérios para definição de casos de microcefalia.  A alteração está correta e alinhada com os padrões mundiais, na opinião da neurologista infantil e neurofisiologista Simone Amorim.

Com a decisão, que já está valendo no Estado de Pernambuco e que nos próximos dias será estendida a todo o território nacional, o perímetro cefálico considerado microcéfalo, em recém-nascidos a termo (no tempo certo), passa a ser igual ou menor que 32 centímetros – e não mais 33 centímetros.

Dra. Simone Amorim concorda com a revisão dos critérios para diagnóstico da microcefalia.

“O ponto de corte na literatura médica para determinar a microcefalia é realmente o de 32 centímetros de diâmetro, para os recém-nascidos a termo. Em um primeiro momento, os epidemiologistas de Pernambuco, temendo que alguma criança ficasse de fora das estatísticas, ampliou para 33cm, mas já se sabia, desde o início, que talvez voltassem para 32cm, pois há um risco de diagnosticar como microcéfala uma criança com perímetro de 33 centímetros”, explica a especialista.

A médica salienta que, de qualquer forma, além do perímetro cefálico, outros critérios clínicos são levados em conta para o diagnóstico dessas crianças. A presença de calcificações e outras malformações também são observadas, quando se avalia um quadro de microcefalia.

A revisão do critério surge no momento em que o país está em alerta diante do expressivo aumento de casos de microcefalia em recém-nascidos, já tendo sido comprovada a relação entre esses quadros e os surtos de zika vírus, ocorridos no início do ano, em alguns Estados. Sabe-se que o mosquito Aedes aegypti é o principal vetor de transmissão do vírus, que também pode ser passado adiante por meio de relações sexuais sem proteção e pelo leite materno.

Na avaliação da Dra. Simone, o ajuste no critério para o diagnóstico de bebês microcéfalos feito pelo Ministério da Saúde não implicará numa percepção menos grave da situação.

“Nós continuamos com um aumento significativo na média de bebês nascidos com microcefalia e essa média poderá aumentar ainda mais, se as medidas de saúde pública não forem eficientes para evitar novos surtos de zika vírus neste verão”, enfatiza.

Com a determinação, parte dos 1.248 casos considerados suspeitos de microcefalia podem ser descartados. O número atualizado de 2015 deve ser divulgado na próxima terça-feira.

Entre as implicações esperadas para o desenvolvimento dessas crianças estão atrasos neuropsicomotores, isto é, a possibilidade de demoras na aquisição de marcos motores, como sentar, andar e falar, além da possibilidade de atrasos cognitivos. “São crianças que necessitarão de um acompanhamento multidisciplinar, por médicos fisiatras, neurologistas infantis, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos psicoterapeutas”, explica a médica.

SAIBA MAIS SOBRE A MICROCEFALIA

– O crânio de um recém-nascido deve ter entre 33cm e 36cm de perímetro cefálico, conforme a literatura médica. Medidas inferiores (microcefalias) ou superiores (macrocefalias) a essas soam como sinais de alerta, pois normalmente estão relacionadas a anomalias e má-formações;

– Até a última semana, o Brasil vinha adotando um critério mais rígido, já considerando como microcefalia os casos de crianças com perímetro cefálico de 33cm. Agora isso muda, com o país passando a adotar os critérios mundiais;

– Entretanto, um recém-nascido com perímetro cefálico de 33cm ainda PODE ser considerado microcéfalo, dependendo da presença de má-formações no cérebro e/ou crânio, como a presença de calcificações;

– Microcefalia NÃO é uma doença neurológica, mas sim um sinal de que o cérebro sofreu alguma lesão durante as primeiras semanas de gestação. Essa lesão pode ser devido a alguma infecção materna (citomegalivírus, toxoplasmose, rubéola), por uso de drogas e/ou álcool, má-formação cerebral e até algumas doenças genéticas;

– No Brasil, está comprovada a estreita relação entre o aumento de casos de microcefalia e os surtos de zika vírus em Estados do Nordeste, embora ainda não se conheça, em detalhes, como se dá esse comprometimento durante a gestação.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 18:38

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