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Risco de depressão é três vezes maior para quem sofre de enxaqueca

Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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Pessoas que sofrem de enxaqueca têm risco três vezes maior de terem também um quadro depressivo. Conforme estudos epidemiológicos, a depressão é uma das comorbidades mais prevalentes entre pacientes que sofrem de migrânea crônica (enxaqueca), atingindo cerca de 30% dessa população, contra uma média de 10% da população em geral.

A relação entre essas duas patologias ainda não está devidamente esclarecida, mas acredita-se que, em termos genéticos e neuroquímicos, possam existir falhas comuns que levam à predisposição para esses quadros. Uma das hipóteses em estudo é a de que haja disfunções na neurotransmissão de serotonina, que é uma das substâncias químicas que permitem que os neurônios passem informações entre si.

A neurofisiologista Simone Amorim explica que a serotonina é um neurotransmissor produzido no tronco encefálico e está diretamente envolvida na regulação de importantes funções no nosso organismo, como sono, humor, apetite, etc. Mas ela ressalta que as áreas de atuação desse e de outros neurotransmissores ainda estão em estudo e que ainda há muito o que se descobrir.

“No caso da relação entre enxaqueca e depressão, a falha nos mecanismos de transmissão de serotonina é uma hipótese forte, que vem sendo estudada para explicar a relação estreita entre essas duas patologias. Mas o que temos confirmado em estudos são as estatísticas de que, realmente, a depressão é uma comorbidade comum em pacientes enxaquecosos, sendo que ainda não há uma explicação muito clara de por que isso acontece”, destaca.

Segundo a médica, que é também especialista no tratamento da enxaqueca com toxina botulínica, isso significa que a investigação do quadro depressivo deve ser levada em conta na hora de eleger o tratamento preventivo da enxaqueca.

“Algumas medicações comprovadamente eficientes na prevenção das crises de enxaqueca podem auxiliar – ou até mesmo agravar – o quadro depressivo, o que, definitivamente, não é benéfico para o paciente”, explica.

Essa, destaca ela, é também uma das vantagens do tratamento feito com a toxina botulínica, pois a substância é aplicada na camada muscular e age apenas em nível periférico, sem maiores efeitos sistêmicos de médio ou longo prazos.

Entretanto, o tratamento da enxaqueca sempre é individualizado e multidisciplinar. Ou seja, sempre envolve uma combinação de medidas terapêuticas e nunca é exatamente igual para todos os pacientes.

“Costumamos dizer que o tratamento com a toxina botulínica abre uma ´janela´ para que o paciente possa deixar de estar refém das crises e comece a virar o jogo”, resume a especialista, enfatizando que a doença ainda não tem cura e que alguns fatores ambientais (como alimentação, sedentarismo, estresse, etc.) geralmente são gatilhos importantes para desencadear as crises e que tratamentos auxiliares, assim como uma revisão de hábitos e estilo de vida, são importantes para controlar o quadro.

Em relação às terapias auxiliares, elas podem ser ou não farmacológicas, segundo a médica, sendo que algumas em especial têm mostrado bastante eficácia, tanto na ajuda para o controle da enxaqueca, quanto da depressão. Esses são os casos das técnicas de relaxamento, da acupuntura e da terapia cognitivo-comportamental (TCC), por exemplo.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:47

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
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Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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