Tallita Rezende,
dermatologista
As autoridades nacionais de Saúde finalmente parecem ter entendido a importância de uma mobilização nacional contra o mosquito Aedes aegypti. Depois de anos enfrentando epidemias de dengue, a população agora se depara com o zika vírus e o risco da microcefalia como sequela para bebês nascidos de mães contaminadas durante a gestação. Isso sem contar a febre chikungunya, que também pode ser transmitida pelo mesmo inseto! Diante de todo esse panorama, esta é, literalmente, a hora de salvarmos a nossa pele.
Erradicar os focos dos mosquitos seria a ação mais importante para o controle da praga. Mas um controle eficiente exigirá o engajamento de toda a população, que deverá estar atenta a questões como a limpeza dos quintais e a eliminação de recipientes e plantas que possam juntar água parada.
Vale lembrar que já chegamos a erradicar essa espécie de mosquito no Brasil, e que ações rápidas de combate talvez tivessem evitado a sua disseminação, após o seu reaparecimento, há algumas décadas. Fazer com que o futuro seja diferente dependerá da nossa capacidade de agir agora.
Mas, enquanto as medidas de saúde pública estão em curso e a conscientização da população vai se desdobrando como um processo cheio de incertezas, o que podemos fazer para nos proteger? Cuidar da nossa pele é a resposta.
A ação dos repelentes se dá pelo “efeito de nuvem”. Ou seja, após a sua aplicação, o produto evapora e forma uma “nuvem” de aproximadamente 4 cm em volta da pele, repelindo o inseto.
Por isso, insistimos na afirmação de que usar repelentes é uma maneira bastante eficaz e importante neste momento. Essa é uma recomendação válida para TODAS as pessoas e, especialmente, para as grávidas (devido aos riscos de microcefalia para o feto, no caso de contaminação da mãe pelo zika vírus), além de grupos como idosos, crianças e pessoas com a saúde fragilizada.
OS PRINCIPAIS TIPOS DE REPELENTES
– No Brasil, existem basicamente TRÊS tipos de repelentes:
– Esses três principais tipos são encontrados em farmácias e mercados. Os princípios ativos podem ser conferidos nos rótulos;
– Todos eles são eficazes para afastar o Aedes aegypti, sendo que os do tipo ICARIDINA, na concentração de 20% a 25%, é o de MAIOR DURAÇÃO na pele, proporcionando aproximadamente 10 HORAS de proteção contra os insetos. Por essa razão, esse tipo de repelente é, hoje, o MAIS RECOMENDADO;
– O DEET, por sua vez, é o repelente mais comum e mais fácil de ser encontrado no comércio. Embora seja um repelente muito eficiente, a sua duração depende muito da concentração e, como no Brasil só é autorizada a concentração de até 15%, a proteção máxima oferecida por esses produtos é de aproximadamente 6 HORAS;
– O IR3535 tem duração muito curta, necessitando de reaplicações a cada 2 horas. É um tipo de repelente mais indicado para bebês e alérgicos;
– Repelentes de linhas naturais ou caseiros, como a citronela e a andiroba, NÃO são produtos indicados para a proteção contra o mosquito Aedes aegypti, por serem de rápida evaporação, com tempo de proteção muito curto – entre 10 e 20 minutos.
GESTANTES E CASOS ESPECIAIS
– Tanto os repelentes à base de icaridina, quanto os DEET costumam ser recomendados para gestantes. Mas, antes de eleger a sua marca, as pacientes devem consultar os seus obstetras ou os seus dermatologistas, para atestar as suas escolhas, principalmente nos três primeiros meses de gestação;
– Pessoas alérgicas também devem consultar os seus dermatologistas ou os seus alergistas, antes de eleger os seus repelentes de uso contínuo;
– As crianças devem usar repelentes próprios para o público infantil, conforme orientação do pediatra.
COMO USAR
– O Aedes aegypti tem hábitos diurnos e, por isso, geralmente pica de dia (mas também pode picar à noite). Portanto, o uso do repelente se faz necessário em todos os horários;
– NÃO é recomendado usar o repelente por baixo das roupas (isso aumenta a capacidade de absorção do produto pelo organismo, podendo ser prejudicial à saúde), mas sim SOBRE os tecidos e na pele exposta (braços, colo, pernas e pés);
– O repelente deve ser o ÚLTIMO produto a ser aplicado na pele. Sendo assim, a pessoa pode aplicar o hidratante, o filtro solar e a maquiagem normalmente, colocando o repelente sempre por cima de tudo;
– O repelente NÃO deve ser borrifado diretamente no rosto. Ele deve ser espalhado nas mãos e aplicado na face, com cuidado, para evitar o contato com os olhos e as mucosas do nariz e da boca;
– A reaplicação do produto é muito importante:
*Dra. Tallita Rezende, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), escreve quinzenalmente para o Blog da Vita.
Essa publicação foi atualizada em 26 de agosto de 2019 11:42
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