Correr, pular, nadar, dançar, escalar brinquedos e participar de jogos diversos são formas geralmente bem-recebidas pelas crianças para praticar algo essencial ao seu desenvolvimento: a atividade física. Mas, se o estilo de vida moderno já vinha restringindo muitas dessas possibilidades, as contingências impostas pela pandemia do novo coronavírus pioraram ainda mais a situação. Por isso, neste momento, pediatras e neuropediatras juntam-se ao coro dos demais profissionais de saúde que fazem alertas contundentes sobre os riscos do sedentarismo em todas as faixas etárias.
Os exercícios físicos na infância contribuem para o crescimento, as habilidades psicomotoras e o desenvolvimento geral
“Na infância, os exercícios são essenciais para o crescimento e para o ganho de habilidades psicomotoras, além de contribuírem para o amadurecimento psicoemocional e para a sociabilidade”, lembra a neurologista infantil Flora Orlandi, integrante do Corpo Clínico da Vita.
Entretanto, após longos meses de aulas presenciais suspensas e com grande parte das atividades extraclasse descontinuadas, a tendência observada é a de rotinas cada vez mais sedentárias – facilitadas, muitas vezes, por longos períodos passados em frente a telas (smartphones, tablets, computadores, videogames, TVs, etc.). As consequências negativas preocupam os especialistas.
Contornar o problema passa primeiramente pela conscientização da família sobre a importância da prática regular de atividades físicas, seguida do investimento em tempo para proporcionar essas práticas de forma segura (nunca esquecendo de que ainda enfrentamos um cenário pandêmico). Flora incentiva, por exemplo, que os pais reservem algum tempo – e espaço na casa – para promover jogos e brincadeiras entre a própria família e que, quando possível, também busquem locais onde seja possível realizar exercícios como caminhadas, corridas e jogos, de forma segura (sem aglomerações e cumprindo todas as medidas importantes de biossegurança).
“Pular corda, fazer um jogo de amarelinha no chão com fita crepe, brincar de peteca, fazer desafios de dança… As possibilidades são inúmeras, sendo que essas dinâmicas estimulam não só a parte física, como também contribuem para a parte psicoemocional e a conexão entre a criança e os pais”, ressalta a neuropediatra.
Reservar tempo para realizar atividades junto com as crianças é uma alternativa para combater o sedentarismo durante a pandemia
A convivência com outras crianças também deve ser viabilizada, quando há condições para isso. Nesse caso, a médica recomenda a escolha de espaços ao ar livre (aproveitando especialmente agora, nestes dias de verão) para a reunião com primos e amiguinhos do condomínio, por exemplo.
Muito atenta também às questões relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), a especialista aponta ainda que o documento “Evidence-Based Practices for Children, Youth, and Young Adults with Autism”, publicado em 2020, salienta o impacto positivo das práticas de atividades físicas para as crianças e jovens dentro do espetro. “Há uma relação observada com a possibilidade de melhora em aspectos como a comunicação, as habilidades sociais, as habilidades cognitivas, as capacidades adaptativas e uma série de outras aptidões que contribuem para a funcionalidade e a integração”, salienta.
Dra. Flora Orlandi: orientação às famílias para criar ambientes com condições propícias ao desenvolvimento infantojuvenil
Em uma live realizada logo no início da pandemia, juntamente com a neurofisiologista e neurologista infantil Simone Amorim (que foi reportada AQUI, nesta matéria aqui do blog), a médica falou especificamente sobre os “Desafios do autismo em tempos de quarentena”, oferecendo muitas dicas aos pais e familiares sobre adaptação das rotinas, de forma segura e menos impactante para essas crianças e jovens.
DICAS PARA FAZER A MOÇADA SE MEXER
Em um vídeo especialmente gravado para o Instagram da Clínica Vita (que pode ser visto aqui NESTE LINK) a também neurologista infantil Ana Luiza Viegas relata que, no transcorrer do ano de 2020, pôde observar o quanto o “isolamento social” e todo o cenário desenhado pela pandemia afetaram a qualidade de vida de crianças e adolescentes de uma forma geral, despoletando quadros como ansiedade, alterações de comportamento, de humor, de sono, entre outros sintomas. Por isso, agora em 2021 ela ressalta a importância de pais, familiares e profissionais de saúde em geral estarem especialmente atentos. Afinal, os mais jovens também sentem os efeitos de tudo o que temos enfrentado e podem manifestar isso das formas mais diversas.
Essa publicação foi atualizada em 20 de janeiro de 2021 08:29
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