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Sente-se angustiado no Natal? Saiba que você não está sozinho!

Se tem uma data perante a qual é praticamente impossível passarmos indiferente, esse momento é o Natal. Evocando paz, amor e harmonia, o clima invade todas as esferas. Mas a data está longe de ser uma unanimidade!

Se, por um lado, há aqueles que saboreiam cada instante dos rituais festivos, por outro, há muita gente que se angustia nessa época. Com tanto apelo para as celebrações e confraternizações, não são poucos os que se sentem deslocados nessa altura do ano, conforme salienta a psicóloga Cássia Denadai.

“O Natal evoca coisas muito boas, mas esse período emblemático também pode mexer com sentimentos que a pessoa ainda prefere que permaneçam resguardados”, observa.

Lembranças tristes ou carências vividas no momento presente são algumas das principais questões dolorosas que têm grande potencial para aflorarem nessa época, segundo a terapeuta.

Muitas vezes, é só no consultório que o paciente se abre e consegue verbalizar a sua aversão às Festas. Mas, até chegar à terapia, caminho pode ser bastante doloroso.

“Se a pessoa simplesmente é daquelas que realmente não ligam para o Natal e, de fato, para ela, essa é uma data como outra qualquer, sem trazer nenhum sofrimento, não há nada com o que se preocupar! Mas, se há aí uma componente de profunda tristeza, angústia ou mesmo pânico diante da chegada da data, é interessante buscar entender as razões disso e, quem sabe, reelaborar esses significados”, sugere a psicóloga, que é especialista em Terapia Comportamental Cognitiva (TCC).


Algumas vezes, a aversão a determinados simbolismos – como no caso do Natal e tudo o que ele representa -, acaba por ser só a ponta de um novelo de questões que parecem ter ficado no passado, mas que ainda não estão cicatrizadas por completo.

Buscar identificar e trabalhar sentimentos e crenças que machucam e limitam é um movimento que, embora não seja fácil, tende a ser libertador.  Muitos caminhos podem levar a essa libertação. Mas, falando em Natal, há um que parece clichê, mas que de fato guarda enorme potencial terapêutico: o processo do perdão.

Momento presente

“Quando a pessoa consegue perdoar genuinamente, ela se liberta. Não importa muito o que o outro fará com isso, mas quem perdoou se sente mais leve e livre para seguir adiante, não ficando mais preso a algo ruim que tenha acontecido no passado”, explica Cássia, lembrando que, muitas vezes, também precisamos colocar o autoperdão em prática. Afinal, dar-se novas chances é, sobretudo, fazer uma boa conexão com o presente.

Em um momento como o Natal, onde todos estão comemorando e celebrando, muitas vezes surge a sensação de solidão e, até mesmo, o sentimento de inferioridade, quando, eventualmente, a pessoa sente que não tem com quem partilhar seus bons momentos. Nesses casos, pode não ser necessariamente nenhum “fantasma dos Natais passados” agindo aí, mas sim o que estamos fazendo do nosso aqui e agora, sinalizando que algo precisa mudar.

“Se não estou feliz com a minha situação presente, isso também merece reflexão”, indica a terapeuta. “Se estou me sentindo mal com o Natal, porque eu estou me sentindo sozinho, que relações então eu posso buscar cultivar ou resgatar para mudar essa minha situação?”

Eis uma boa questão a ser colocada para o Novo Ano, não é mesmo?!

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