Sim, há um Dia Mundial de Solidariedade na Enxaqueca!

Não importa a estação do ano, quem tem enxaqueca, geralmente tem muita sensibilidade à luz. Segundo a Sociedade Brasileira da Cefaleia (SBC), até 90% das pessoas que sofrem desse problema reportam fotofobia. Por isso, hoje, neste primeiro dia de inverno aqui no Hemisfério Sul (e primeiro dia do verão no Hemisfério Norte), a instituição convida ao engajamento na campanha pelo Dia Mundial de Solidariedade na Enxaqueca, convidando as pessoas a postarem fotos de óculos escuros nas suas redes sociais.

No perfil da entidade no Instagram, há o convite para que o clique seja feito também junto com amigos, parentes, colegas de trabalho e que pessoas conhecidas sejam marcadas nos posts, que devem trazer as tags #enxquecasolidário, #shadesformigraine e #brasil.

Acostumada a atender e tratar diariamente pacientes enxaquecosos em seu consultório, a neurofisiologista Simone Amorim considera a campanha muito bem-vinda. “Porque além de todos os sintomas incômodos com os quais convivem, as pessoas enxaquecosas também têm de lidar com o desconhecimento geral sobre a patologia, que não é uma simples dorzinha de cabeça”, frisa, ressaltando que “então, para esses indivíduos, é mesmo muito importante um movimento solidário de reconhecimento do quadro, que é tão impactante na produtividade e na qualidade de vida.”

Segundo a médica, a fotofobia é um dos fatores observados na investigação diagnóstica da enxaqueca. Ela ressalta que ainda não existem exames de imagem ou laboratoriais que acusem a presença da doença – em geral, esses exames são pedidos para descartar outras possíveis patologias que estejam a gerar os sintomas. “O diagnóstico da enxaqueca é clínico, a partir do descarte de outras doenças e da observação do padrão sintomático e da frequência das crises”, explica.

Sem o devido tratamento, o quadro costuma impactar muito a vida do paciente (aqui neste link falamos sobre um estudo a esse respeito). Da perda de produtividade no trabalho, às restrições de convívio social, passando por todo o tipo de dificuldades para se executar as atividades de rotina, não são raros os casos em que a pessoa se torna praticamente um refém das crises. Por isso, embora a doença não tenha cura, é muito importante a busca de ajuda especializada para o seu devido controle.

Hoje, a terapêutica com toxina botulínica é o tratamento de primeira linha, segundo Simone Amorim. Entretanto, adaptações progressivas no estilo de vida também costumam figurar como fatores essenciais para o sucesso do tratamento. Entram nessa lista questões como: prática regular de atividade física, alimentação bem balanceada e adaptada às necessidades específicas do paciente, sono reparador, boa gestão do estresse e o tratamento de transtornos psicoemocionais que também possam estar presentes (como depressão ou ansiedade).

O plano de ação é sempre individualizado e pode incluir também o uso de medicações orais (preventivas e/ou de alívio), bem como abordagens terapêuticas complementares, como Acupuntura, Psicoterapia, Neuromodulação, Biofeedback, dentre outras.

“O mais importante é o indivíduo saber que ele tem o direito de se cuidar e buscar atendimento especializado para investigar e tratar as suas dores de cabeça e os sintomas a ela associados. Sofrer com dores recorrentes não deve ser considerado algo normal e, tampouco, visto como uma fraqueza. A enxaqueca é um quadro real, que acomete mulheres, homens e até crianças, e que precisa ser levado a sério. O primeiro passo é respeitarmos e darmos a devida atenção às queixas relatadas por essas pessoas”, conclui a médica.

Essa publicação foi atualizada em 21 de junho de 2019 05:53

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