O programa Bem Estar e o portal G1, ambos da Rede Globo, levaram ao ar, na última semana, uma reportagem com um tema para lá de interessante: o uso da toxina botulínica para combater o excesso de suor no couro cabeludo, problema que cientificamente é chamado de hiperidrose. Esse é um tema que merece ser aprofundado.
Segundo a dermatologista Tallita Rezende, a hiperidrose acomete cerca de 1% da população mundial, sendo mais frequente nas axilas, nas palmas das mãos e plantas dos pés, mas podendo acometer outras áreas, como face, virilhas, mamas e o próprio couro cabeludo, conforme relatou a matéria.
A toxina botulínica pode ser utilizada para combater o suor em excesso no couro cabeludo.
Nos últimos anos, a toxina botulínica tem se firmado como uma saída bastante eficaz para ajudar quem sofre com o suor excessivo. “Esse é um problema que causa muitos incômodos e constrangimentos para os pacientes”, observa a médica.
Tallita ressalta, porém, que o uso terapêutico da toxina botulínica restringe-se aos casos em que, comprovadamente, o paciente apresenta níveis muito elevados de sudorese. Descarta-se, portanto, o uso da terapêutica simplesmente para evitar que o suor desfaça o penteado na academia ou que as axilas fiquem suadas durante os treinos. Afinal, essas são reações normais do organismo.
“O suor é um mecanismo importante de eliminação de toxinas e de equilíbrio da temperatura do nosso corpo. Intervenções para controlar isso só são indicadas quando a sudorese está fora dos níveis fisiológicos, levando o paciente a sofrer diversos prejuízos psicossociais”, explica a especialista.
Na cabeça, a hiperidrose se caracteriza pelo suor intenso no couro cabeludo, podendo acometer ainda a região frontal (testa), a face, a nuca e também o pescoço. A sudorese pode ser predominantemente noturna, chegando a molhar a roupa de cama e comprometer a qualidade do sono. Mas o problema também pode aparecer durante o dia, desencadeado por alguns fatores ambientais e emocionais.
Genética, obesidade e ansiedade também são outros fatores que contribuem para a hiperidrose.
Além da tendência genética, a obesidade é um fator que favorece o aparecimento da hiperidrose, de acordo com a dermatologista. Fases de grande estresse, assim como quadros psicoemocionais, como os transtornos de ansiedade e fobia, também podem levar ao surgimento do sintoma.
O tratamento com a toxina botulínica é feito com a aplicação da substância diretamente no couro cabeludo ou em outras áreas afetadas. Geralmente, cerca de 48 horas após a aplicação, o paciente já começa a notar a diminuição do suor. O efeito dura cerca de seis a oito meses, podendo chegar até a um ano.
“Esse é um tratamento que tem um grande impacto na qualidade de vida do paciente, que passa a se sentir mais confortável e mais confiante nas suas atividades cotidianas”, observa a médica, ressaltando que o tratamento para a hiperidrose deve ser sempre realizado pelo dermatologista, após uma cuidadosa avaliação diagnóstica, para excluir outras doenças que podem causar o aumento da sudorese.
Além da toxina botulínica, existem alternativas de medicações tópicas e orais para tratar a hiperidrose, e também a possibilidade cirúrgica (simpatectomia). Somente um especialista pode determinar qual é a abordagem mais indicada para o quadro apresentado por cada paciente.
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