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Superexposição de crianças ao mundo digital preocupa especialistas

A superexposição desde cedo das crianças às telas eletrônicas vem preocupando profissionais de saúde em todo o mundo. Na opinião da neuropediatra e neurofisiologista Simone Amorim, mesmo que a exposição seja feita com supervisão, “o fato é que precisamos rever a tendência atual que, cada vez conta com mais telas e com menos interações e estímulos reais”.

Até os 3 anos de idade, o ideal evitar por completo a exposição da criança a qualquer tipo de tela

A médica é favorável à “regra 3-6-9-12”, proposta pelo psiquiatra Serge Tisseron, em 2008, que preconiza a abstenção total de exposição a telas e/ou equipamentos eletrônicos para crianças antes dos 3 anos. A partir dessa idade, a exposição já pode ser feita, mas de forma muito dosada, sempre em família e voltada para atividades de cunho educativo.

Simone também ressalta a importância do acesso a brinquedos adequados a cada faixa etária, fora da realidade virtual, bem como a interação com outras crianças e com pessoas da rede de confiança da família (familiares, educadores, cuidadores, etc.). Tudo isso, segundo ela, é fundamental para oferecer os estímulos necessários para um bom desenvolvimento neuronal.

Brinquedos educativos e interações no mundo real são fundamentais para as sinapses

“A criança aprende brincando. Quanto mais ela é estimulada, mais responderá positivamente na forma de desenvolvimento cerebral e cognitivo, pois isso aumenta o número de sinapses (conexões entre as células do cérebro)”, explica a especialista.

Isso sem contar que, junto com o desenvolvimento cognitivo, o contato com o mundo real é o que nos traz, no tempo certo, a estrutura psicoemocional necessária para nos proteger de influências digitais desviantes, que atentem contra a nossa autoestima e a nossa autopreservação.

Cabe à família filtrar os conteúdos, lembrando que crianças são suscetíveis a se impressionar

“Em qualquer faixa etária, a criança é suscetível a se impressionar ou a ficar assustada com algo que assiste ou com o qual interage no campo virtual”, enfatiza a médica. “Por isso, a atenção e a vigilância da família são muito importantes, conversando, orientando e prestando atenção nos conteúdos, ajudando a criança a perceber a diferença entre o real e o virtual, falando sobre os riscos implicados nos contatos virtuais e, principalmente, mostrando que a família está presente e irá apoiá-la sempre”, conclui.

ONDAS NOCIVAS

Em paralelo às preocupações com os conteúdos oferecidos pelos meios digitais aos quais as crianças estão expostas, estão também os riscos das ondas eletromagnéticas emitidas por equipamentos como tablets, smartphones, computadores e televisões. A Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e do Trabalho (Anses) divulgou um comunicado recente, alertando para os efeitos prejudiciais desses aparelhos no desenvolvimento da memória, nos níveis de atenção e também de coordenação de crianças muito pequenas.

Especialistas também alertam para os riscos das ondas eletromagnéticas para o cérebro infantil

Embora esses dados gerem controvérsias do ponto de vista científico, Simone Amorim ressalta que, em todas as faixas etárias, já está comprovado que a luz e a estimulação sonora emitidas pelas telas realmente implicam em maior dificuldade para o cérebro encontrar o relaxamento de que necessita para descansar.

“A superexposição a telefones, tablets, TVs, computadores, etc. está relacionada a casos de fadiga crônica, problemas de sono, estresse e ansiedade”, adverte. Melhor, portanto, é o uso desses dispositivos com moderação e bom-senso.

SAIBA MAIS SOBRE A “REGRA 3-6-9-12”

Até os 3 anos: a exposição a qualquer tipo de tela é contraindicada;

A partir dos 3 anos: pode-se fazer uma utilização pouco frequente de telas, em família, para breves atividades educativas;

A partir de 6 anos: uma tela pessoal é possível (videogame, por exemplo), com tempo LIMITADO e SEM acesso à Internet;

A partir de 9 anos: utilização de Internet sob supervisão CONSTANTE de adultos; determinar com a criança a idade em que ela terá um celular quando for adolescente;

A partir de 12 anos: o acesso à Internet e às redes sociais talvez já possa ser feito sem a supervisão constante, mas sempre estimulando também um bom equilíbrio entre o tempo de tela e as atividades off-line.

IMPORTANTE: durante toda a adolescência, a família deve se manter sempre atenta ao universo do jovem – seus contatos, suas redes de relacionamentos, seus hábitos, comportamentos, etc. Acompanhar de perto, dialogar e mostrar o apoio, sem no entanto abrir mão de limites, que são fundamentais. Respeitar a privacidade não é se omitir e não saber o que está se passando.

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