Setecentos milhões de pessoas, hoje, vão “brincar de roleta-russa”. A expressão serve bem para definir o que ocorre com uma enorme parcela da população mundial, que tem pressão arterial elevada e que não toma as devidas medidas de controle do quadro – muitas vezes, por pura falta de informação. Por isso, todos os dias, essas pessoas acordam expostas a um risco maior de infarto e derrames.
Somente 30% das pessoas com diagnóstico de pressão arterial elevada fazem o devido controle do quadro. Manter a pressão sob controle nem sempre exige medicação, mas invariavelmente impõe uma mudança de hábitos – alterações relativamente simples na rotina, mas que esbarram em fatores socioculturais e, sobretudo, na falta de uma conscientização em massa sobre os riscos que correm os indivíduos que vivem com a pressão alterada.
Vamos aos números: as estimativas dão conta de que, em todo o mundo, um bilhão de pessoas tenham hipertensão arterial sistêmica (HAS). Como somente 30% desses indivíduos cuidam para manter o quadro sob controle, isso resulta em 700 milhões de indivíduos vivendo sob maior risco de complicações, como dito no início.
A expressão pressão arterial refere-se à pressão exercida pelo sangue contra a superfície interna das artérias. A elevação da pressão máxima (sistólica) a mais de 140 mmhg e da pressão mínima a mais de 90 mmhg, verificada em duas ou mais consultas, já determina um quadro de HAS.
As duas principais complicações da HAS não controlada são: acidente vascular cerebral (conhecidos popularmente como derrames) e o surgimento de doenças coronarianas, evoluindo como infarto agudo do miocárdio.
Existem vários fatores de risco para HAS: idade, etnia (mais frequente em afrodescendentes), sexo (mais comum em homens até os 50 anos), consumo de sal, obesidade (principalmente central), sedentarismo (risco 30% maior) e consumo de álcool.
Felizmente, é possível traçar um rol de atitudes que, adotadas, tendem a interferir positivamente no controle da HAS. São hábitos relativamente simples de introduzir no dia a dia, desde que haja a determinação de mantê-los e a conscientização da sua importância:
1) Mudar a alimentação: diminuir a ingestão de sal nas refeições (o que pode ser feito sem que se abdique do sabor, adotando o uso de outros tipos de temperos, como ervas, por exemplo); aumentar a ingestão de vegetais e frutas (5 porções ao dia); consumir laticínios desnatados e preferir alimentos com pouco sódio e bastante potássio (como feijões, ervilhas, vegetais verde-escuros, banana, melão, beterraba, frutas secas, tomate e laranja);
2) Diminuir a ingestão de álcool para, no máximo, 30g/dia para homens, e 15 g/dia para mulheres;
3) Atividade física: 30 minutos por dia, 5 vezes por semana;
4) Manter o peso sob controle.
Se com todas essas medidas, a pressão arterial não diminuir, é importante procurar seu clínico geral ou cardiologista para fazer uma avaliação médica e discutir qual o melhor anti-hipertensivo para o seu caso.
Além disso, esteja ciente de que nem sempre o remédio de pressão do seu esposo, vizinho ou amigo se adequa ao seu caso. A escolha da medicação depende de um estudo individual e só pode ser feita pelo médico, sempre.
Essa publicação foi atualizada em 11 de setembro de 2019 19:52
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