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Treinamento nos EUA visa aprimorar técnicas com toxina botulínica

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Simone Amorim,
neurofisiologista e neurologista infantil

Há algumas semanas, estive em Miami (EUA) para participar de um curso de anatomia humana voltado para a aplicação de toxina botulínica. Eu ja tinha feito esse curso em 2012 e, agora, voltei na condição de participante e monitora de algumas sessões, como a de músculos da região cervical (pescoço) e membros inferiores.

Essas viagens são sempre muito cansativas, mas a experiência é muito intensa e gratificante também. Antes que o curso começasse, tivemos um dia inteiro de discussões sobre uso da toxina botulínica, nas mais diversas indicações neurológicas, e meu grupo ficou encarregado de moderar as discussões sobre o uso da substância em crianças.

A troca de informações pautada na Medicina baseada em evidências faz com que nossa prática clínica se enriqueça cada dia mais. E, naturalmente, os maiores beneficiários são os nossos pacientes.

Depois dessa dinâmica, no dia seguinte, seguimos para o MARC (Miami Anatomical Research Center), para o tão esperado curso de anatomia humana em cadáver fresco.

E por que ir tão longe para fazer um curso de anatomia? Porque nos Estados Unidos, onde os cadáveres são doados por familiares para finalidades de estudos, diferentemente do que acontece no Brasil, a legislação permite o estudo em cadáver fresco (congelado), e não apenas formolizado (conservado em formol).

Esse estado de conservação (cadáver fresco) permite-nos estudar não só os músculos, mas todas as suas relações com outras estruturas, como outros músculos, artérias, veias, nervos e órgãos. Para nós, médicos especialistas na injeção de toxina botulínica, essa visão 4D é fundamental para uma maior acurácia e efetividade nos resultados em nossos pacientes.

É importantíssimo esse treino prático (no cadáver) para aprimorarmos nossas habilidades e perícia em fatores como a localização, o tamanho, a espessura, largura e as estruturas vizinhas dos músculos.

Com esses exercícios, somos capazes de apurar nossa técnica e levá-la diretamente para o tratamento dos nossos pacientes. No curso, vendo e dissecando, entendemos o porquê da escolha, da direção e da angulação da agulha no momento em que ela entra no músculo.

Dessa vez, eu estive nessa rodada internacional de estudos para dividir com outros colegas a minha experiência com a administração terapêutica de toxina botulínica em adultos e crianças, demonstrando e debatendo detalhes que fazem toda a diferença no resultado final do tratamento.

Ensinei e aprendi também. E creio que todos nós que lá estivemos cumprimos o nosso propósito de nos aperfeiçoarmos ainda mais para poder lidar com o que mais importa: a promoção da vida com qualidade, alívio e conforto para os nossos pacientes.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:44

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
Caso deseje entrar em contato conosco, escreva para blogdavita@vitaclinica.com.br
Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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