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Vida ativa: um direito do paciente crônico

2015-01-09T00:00:00+00:00 9 de janeiro de 2015|Artigos, Destaques, Neurorreabilitação|0 Comments

Simone Amorim,
Neurofisiologista e neurologista infantil

É cada vez menos aceitável que o diagnóstico de uma doença neurológica crônica seja automaticamente uma sentença de isolamento social e de uma vida completamente vegetativa, por maiores que sejam as limitações ou necessidades especiais do paciente – seja ele uma criança com uma condição genética rara ou um adulto que convive com sequelas de um trauma ou de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), por exemplo.

É diante desse desafio que surge, então, o conceito de Neurorreabilitação.

Problemas neurológicos crônicos levam a comprometimentos nos mais diversos planos e dimensões da vida do paciente, com níveis de gravidade que variam de indivíduo para indivíduo. Tratá-los significa, além de perseguir toda e qualquer possibilidade de melhorar o quadro clínico e aumentar a longevidade, encontrar também formas de impactar positivamente nas condições para que o assistido tenha uma vida mais ativa.

Os quadros são muito diversificados e individualizados. Por isso, requerem alternativas terapêuticas igualmente diversificadas, que se ajustem às necessidades específicas de cada pessoa. O trato com o paciente neurológico crônico é sempre inter e multidisciplinar.

Um bom plano de tratamento é, acima de tudo, aquele que coloca o paciente sempre em melhores condições para responder bem às terapias diversas de reabilitação, tais como fisioterapia, fonoaudiologia, psicoterapia, etc. Como neurofisiologista e neurologista infantil, o entendimento disso tem sido crucial na minha clínica diária, sobretudo devido ao meu trabalho com as terapêuticas com toxina botulínica.

A espasticidade (contração muscular exagerada), por exemplo, é um sintoma de comprometimento neurológico que pode afetar o paciente em diversos níveis, desde aquele que tem uma sequela leve pós AVC e que sente-se desconfortável para realizar atividades triviais, como se alimentar ou fazer a higiene pessoal, até aquele paciente completamente sem mobilidade, que necessita de cuidados integrais e manejo para não ter as suas condições gerais de saúde agravadas.

Logo, uma interferência que melhore esse sintoma específico da espasticidade – como acontece com o tratamento com a toxina qualidade de vidabotulínica, que pode ser ou não combinado com outros tratamentos medicamentosos – pode significar desde o ganho de mais autonomia para realização de atividades básicas do dia a dia, até a melhoria das condições para que um paciente acamado possa receber os devidos cuidados e não tenha seu quadro geral de saúde agravado.

São níveis diferentes de beneficiamento, mas sempre com um grande e significativo impacto nas condições gerais da pessoa assistida.

Acompanhar um paciente crônico é uma jornada de muita observação e atenção ao indivíduo assistido, e que demanda também dos profissionais uma constante atualização em relação às terapêuticas disponíveis. Por isso, em mim, cresce cada vez mais a convicção de que aspectos envolvidos na Neurorreabilitação precisam ser, hoje, uma bandeira encampada tanto por especialistas, quanto por pacientes e seus familiares.

Na próxima semana, profissionais do mundo inteiro estarão em Lisboa (Portugal) para acompanhar o Congresso da Associação Internacional de Neurotoxinas (Toxins 2015). Eu também estarei no evento. Espero, com bastante confiança, que este novo ano que acaba de se iniciar seja para nós de muita troca de aprendizado e, ainda, de mais aperfeiçoamento. A qualidade de vida do paciente neurológico crônico agradece!

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