Clinicamente, o autismo é definido como um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por dificuldades na interação social e na linguagem, associado a padrões de comportamento repetitivo, interesses restritos e respostas atípicas a estímulos sensoriais. Mas, a meu ver, com base no conceito de neurodiversidade e no fato de que cada indivíduo é único e especial, o autismo é, basicamente, apenas uma forma atípica do cérebro humano funcionar.
“Com base no conceito de neurodiversidade, autismo é, basicamente, apenas uma forma atípica do cérebro humano funcionar”
Sendo assim, estar dentro do chamado Transtorno do Espectro Autista (TEA) NÃO condiciona, de forma automática e uniforme, todas essas pessoas aos mesmos padrões – mesmo que elas possam apresentar, sim, alguma maior dificuldade em termos de comportamento, linguagem, interação social e/ou maior sensibilidade sensorial.
Até hoje, no entanto, muitas pessoas ainda têm uma imagem estereotipada do quadro. Elas pensam que indivíduos diagnosticados com TEA são, necessariamente, pessoas que preferem o isolamento social ou, até mesmo, que são incapazes de se relacionar de forma mais aprofundada, de se comunicar adequadamente e, muito menos, de ter uma vida independente.
É uma visão muito longe da realidade, que precisa ser vencida, pois é muito prejudicial para o diagnóstico precoce e para a oferta de suporte e meios adequados para o desenvolvimento e inclusão das pessoas que estão dentro do espectro. Por isso, os movimentos de conscientização, como o que ocorre agora, ao longo de todo o mês de abril, iniciado com o Dia Mundial do Autismo, no último dia 02, são muito importantes!
Derrubando mitos, as ações de conscientização têm esclarecido sobre a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento
Precisamos mostrar que o TEA é muito mais frequente do que as pessoas imaginam, ao mesmo tempo em que também precisamos desmistificar essa condição e derrubar os estigmas. O diagnóstico feito o mais cedo possível é essencial para garantir que a criança que esteja dentro do TEA receba terapias adequadas e tenha acesso às melhores condições possíveis para alcançar completamente o seu potencial.
“Autismo não se cura, se compreende”, conforme se costuma dizer no slogan das ações de conscientização. Esse é um universo desafiador e que exige sim a revisão de muitos paradigmas (pelas famílias, pela sociedade e até por muitos profissionais de saúde), mas que, por outro lado, nos surpreende cada vez mais e não para de mostrar que expectativas estão aí para serem superadas.
Viva a neurodiversidade!
PRINCIPAIS SINAIS QUE MERECEM UMA AVALIAÇÃO
Essa publicação foi atualizada em 15 de abril de 2021 05:05
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