Dieta Cetogênica 2018-06-17T16:58:57+00:00

Dieta Cetogênica / Controle da Epilepsia Refratária

O que é Dieta Cetogênica?

Dieta cetogênica é um plano alimentar rico em boas gorduras, pobre em carboidratos e com níveis adequados de proteínas, que, dessa forma, permite o organismo entrar em processo de cetose (recriando o estado de jejum). Cientificamente, está comprovado que esse processo bioquímico é muito benéfico para pacientes que sofrem de epilepsias de difícil controle (epilepisas refratárias), auxiliando na redução das crises.

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Cetose é o processo em que, através da queima de gordura, o organismo produz e libera corpos cetônicos (moléculas solúveis em água, que podem atravessar a barreira hematoencefálica). O que os estudos mostram é que esse processo está diretamente relacionado a uma substancial melhora nas crises dos pacientes epilépticos – sobretudo no caso das epilepsias de difícil controle, que não respondem bem à medicação. O mecanismo exato de ação dos corpos cetônicos sobre o cérebro ainda não está completamente esclarecido, mas, de uma maneira geral, sabemos que esse processo está associado especialmente à modulação dos neurotransmissores e ações neuroprotetoras, que beneficiam o controle das crises.

Quando há indicação para a dieta cetogênica, a adoção do programa alimentar – devidamente orientado por um nutricionista especialista no assunto – permite esperar: controle e/ou redução das crises epilépticas, melhora no estado de alerta, melhorias no desempenho cognitivo e possibilidade de redução do uso de medicamentos antiepiléticos, ao longo do tratamento.

Isso é variável e depende da resposta de cada paciente, alguns já apresentam melhora na primeira semana de dieta cetogênica. Outros, entretanto, têm resposta tardia. Em geral, para se ter uma noção real e segura do impacto da dieta cetogênica sobre a saúde do paciente, o tempo recomendável de observação é de, no mínimo 3 meses após o início da cetose franca.

Os efeitos antiepilépticos da dieta cetogênica apresentam-se promissores especialmente na infância, devido ao período do desenvolvimento cerebral, cognitivo e neuropsicomotor. O controle precoce das crises epilépticas é fundamental para o bom desenvolvimento global do indivíduo ao longo da  infância e da adolescência, repercutindo na vida adulta. Em muitos estudos e também na prática clínica, o melhor controle das crises epilépticas é observado em crianças e, de forma geral, as menores respondem melhor do que as maiores, demonstrando que, provavelmente, existem mecanismos associados à idade. Porém, hoje, não temos estabelecida uma idade mínima ou máxima para a prescrição da dieta cetogênica, sendo esse tipo de dieta indicado também para pacientes adultos.

É importante passar primeiro pela avaliação de um neurologista, para que este determine se o paciente é elegível para uma indicação de um programa de dieta cetogênica. Feito isso, o próximo passo é buscar um nutricionista especializado nessa área.

Em geral, a dieta cetogênica é introduzida sem necessidade de internação ou de jejum prévio. A adaptação evolui aos poucos, ajustando as proporções de gorduras, carboidratos e proteínas. Normalmente, o protocolo de introdução da dieta cetogênica é completamente implementado em um período de 3 a 4 semanas. Depois dessa fase, o paciente segue adiante com esse novo padrão alimentar, sendo regularmente acompanhado pelo seu médico, para observação das evoluções no seu quadro clínico, e pelo nutricionista, para eventuais ajustes e adaptações necessários à dieta.

Nem sempre. Por isso, é muito importante a avaliação do neurologista. Existem situações no quadro clínico que podem contraindicar a adoção da dieta. Mesmo após a indicação médica prévia, o nutricionista precisa avaliar especificamente o estado nutricional do paciente, solicitando exames de sangue (principalmente perfil lipídico e função renal). A existência de alergias alimentares e de necessidades especiais para receber a alimentação (por via oral ou enteral, por exemplo) são outras variáveis a serem levadas em conta antes de se traçar um plano de ação – que deve ser sempre individualizado.

A dieta cetogência não deve ser interrompida ou suspensa sem a orientação do nutricionista. Na maioria dos casos, após aproximadamente dois anos de tratamento, a dieta cetogência pode flexibilizada ou, até mesmo, descontinuada. Porém, em casos específicos, como os da Síndrome da Deficiência de Glut1 e da Síndrome da Deficiência do Complexo Piruvato Desidrogenase, a dieta cetogênica costuma ser indicada de forma permanente para esses pacientes.

Na verdade, a dieta cetogênica adota fontes alternativas de ingestão de carboidratos (hidratos de carbono) e em quantidades menores em relação às boas gorduras e às proteínas. Nesse programa alimentar, a principal fonte de carboidratos provém das frutas, verduras e legumes, podendo, em alguns casos, incluir também a oferta de tubérculos (batata, mandioca, mandioquinha, beterraba, etc.). Além disso, hoje já existem no mercado ótimas opções de massas industrializadas com menor aporte de hidratos de carbono e também itens industrializados produzidos especificamente para a dieta cetogênica, permitindo a preparação de bolos, pães, etc.

Logo no início do tratamento com a dieta cetogênica, há a perda de peso na maioria dos pacientes. Essa é uma das razões importantes para que a introdução desse tipo de dieta seja feita somente sob rigoroso acompanhamento de um profissional de Nutrição, pois a perda de perto necessita ser monitorada, fazendo os devidos ajustes para que as necessidades calóricas diárias do paciente sejam atendidas. Tanto o nutricionista, quanto o neurologista deverão solicitar exames regulares, a fim de acompanhar o quadro geral de saúde do paciente (e não só o nível e a frequência das crises epilépticas). A variação no cardápio oferecido também é outro item importante para evitar a desmotivação ou perda de adesão pelo paciente.

  • Síndrome da deficiência de Glut1
  • Deficiência do complexo piruvato desidrogenase
  • Epilepsia mioclônico-atônica (Síndrome de Doose)
  • Espasmos epiléticos (Síndrome de West)
  • Síndrome de Lennox-Gastaut
  • Síndrome de Dravet
  • Complexo esclerose tuberosa
  • Síndrome de Rett
  • Doenças mitocondriais
  • Estado de mal epilético induzido por febre (Fires)
  • Crianças e adultos recebendo somente fórmulas (lactentes ou pacientes em alimentação enteral)

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