Tratamento da enxaqueca 2018-06-26T15:21:03+00:00

Ganhe qualidade de vida:
a enxaqueca é uma patologia crônica.
NÃO tem cura, mas TEM controle!

Diagnóstico e tratamento da enxaqueca

A enxaqueca é um dos tipos mais prevalentes de cefaleia (dor de cabeça). Cientificamente chamada de migrânea crônica, a estimativa é de que essa patologia acometa cerca de 30% da população mundial. Embora sua incidência seja maior entre mulheres adultas que ainda não vivenciaram o período da menopausa, ela também acontece com homens e também pode surgir em outras faixas etárias, podendo acometer inclusive crianças.

Como o próprio nome científico aponta, trata-se de uma patologia crônica. Não há cura para a enxaqueca. Porém, hoje em dia, há o consenso de que é possível o controle eficiente do quadro, sendo a terapêutica com toxina botulínica (tratamento com Botox) considerada em todo o mundo como o “padrão-ouro” no conjunto de medidas eficientes.

Após o diagnóstico positivo de enxaqueca, a terapêutica com toxina botulínica costuma ser indicada como o ponto de partida para dar as condições clínicas necessárias para que o paciente inicie um programa multidisciplinar de tratamento, que poderá ou não contar também com o uso de medicações orais e que envolve adaptações na rotina e no estilo de vida, a fim de afastar os principais gatilhos potenciais das crises. Terapias e abordagens complementares também costumam ser muito bem-vindas, sendo que entre elas se destacam:

• Avaliação e acompanhamento nutricional;
•Neuromodulação (procedimento indicado para tratar a depressão – comorbidade mais prevalente no quadro enxaquecoso);
• Sessões de Acupuntura (estudos científicos demonstram a eficiência dessa terapêutica para diminuição das dores e frequência de crises);
• Psicoterapia (transtornos psicoemocionais são comorbidades comuns ao quadro enxaquecoso – seja como causa ou consequência da incidência das crises);
• Biofeedback (técnica de autocontrole psicofisiológico, que pode ser associada à psicoterapia).

Saiba mais

O primeiro passo para um tratamento eficiente da enxaqueca é a confirmação diagnóstica da patologia, descartando a presença de outras patologias que podem estar causando as crises de dor de cabeça e de mal-estar.

O diagnóstico da enxaqueca é clínico, a partir do acompanhamento dos sintomas e das queixas relatados pelo paciente. Para isso, além do exame clínico presencial do paciente e da anamnese (entrevista com o médico), o especialista costuma solicitar que o paciente trace um “diário da dor”, anotando a frequência, a intensidade e a característica dos episódios.

Exames laboratoriais e de imagens também podem ser solicitados, para descartar a presença de outros quadros (como a presença de tumores, quadros infecto-inflamatórios e outras alterações) que possam estar relacionados às crises.

As causas da enxaqueca ainda não estão completamente esclarecidas pela ciência, mas já sabemos que se trata sobretudo de desordens a nível neuroquímico, ligadas a questões genéticas. Ou seja, o problema está relacionado aos neurotransmissores e, por isso, NÃO existem (ainda) exames de imagens que sejam capazes de apontar a existência dessa patologia e nem exames laboratoriais que sejam capazes de determinar especificamente a existência da enxaqueca. Entretanto, tudo o que sabemos hoje sobre as suas manifestações clínicas, nos permite que o tratamento da enxaqueca seja feito de forma bastante assertiva, com altos índices de sucesso no controle do quadro – sendo a participação direta do paciente também muito importante nesse processo.

Porque o organismo da pessoa que sofre com essa patologia é especialmente sensível a diversas situações que são consideradas “gatilhos” para as crises. Sendo assim, em um primeiro momento, a participação do paciente é importante para observar e relatar essas condições associadas aos episódios de dor e mal-estar, pois elas NÃO são os mesmas em todos os casos. Uma vez identificados os principais “gatilhos”, é importante promover adaptações no estilo de vida para que, tanto quanto possível, esses fatores de risco sejam minimizados.

Para além dessas questões específicas de cada caso, sabemos também que, no geral, um estilo de vida mais saudável contribui diretamente para um bom controle da enxaqueca. Sendo assim, a adoção de determinados hábitos são encorajadas no tratamento, bem como abandono de outros, que, consensual e estatisticamente, contribuem para uma maior frequência e intensidade das crises.

O organismo do enxaquecoso é mais sensível e reativo e, por isso, tudo aquilo que é entendido como uma “agressão” tende a ser um fator desencadeante de crises. Dessa forma, existe uma extensa lista de “gatilhos” conhecidos, que aparecem de forma muito recorrente entre os pacientes, mas que podem variar de pessoa para pessoa. Entre eles podemos destacar:

  • Estresse;
  • Déficits ou irregularidade nos horários de sono;
  • Sedentarismo;
  • Desidratação (consumo insuficiente de água);
  • Exposição ao sol e calor;
  • Mudanças bruscas de temperatura;
  • Alimentação demasiadamente industrializada, rica em corantes, conservantes, sódio, açúcares e gordura;
  • Alimentos defumados e queijos amarelos;
  • Álcool;
  • Tabaco;
  • Cheiros fortes (perfumes, produtos de limpeza, mofo, substâncias químicas, etc.).

A médio e longo prazos, um estilo de vida saudável tende a trazer bem-estar para todas as pessoas. No caso do organismo enxaquecoso, justamente por ser mais sensível e reativo, esses impactos tendem a ser imediatos.

Estudos mostram, por exemplo, que a prática regular e bem orientada de atividade física contribui para uma menor incidência de crises.

Da mesma forma, tudo o que colabora para uma boa gestão dos níveis de estresse tende a ser benéfico para o controle do quadro enxaquecoso.

Alimentar-se de forma saudável é outro fator importante. Muito embora no caso desses pacientes muitas vezes seja mesmo necessária a orientação específica de um profissional de Nutrição, para que sejam identificados exatamente quais alimentos estão mais relacionados aos gatilhos de crise do paciente, e para que as substituições possam ser feitas de forma adequada, sem prejuízos nutricionais e com o menor impacto possível na qualidade de vida desses indivíduos.

A toxina botulínica é administrada diretamente em alguns músculos específicos de algumas áreas da cabeça e da nuca, conforme determina o protocolo do procedimento. De uma forma geral, podemos dizer que a substância promove um “bloqueio” dos impulsos nervosos que causam a sensação de dor, além de promover também um “relaxamento” da região onde a dor se instala. O resultado prático é o alívio das crises, que se tornam menos frequentes e também menos intensas. Em geral, os resultados são observados já nos primeiros 15 dias após a primeira sessão, sendo que o ciclo regulamentar do tratamento prevê pelo menos quatros sessões de aplicação, realizadas a cada três meses. Depois disso, a expectativa é a de que o paciente possa seguir realizando aplicações anuais, de manutenção.

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