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Autismo: desmistificar é o primeiro passo para a verdadeira inclusão

Produzido por
Clínica Vita

Assessoria de Comunicação

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Abril é um mês dedicado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). No último dia 02, tivemos o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, com diversas ações marcadas pela cor azul. Para a neurologista infantil e neurofisiologista Simone Amorim, diretora clínica da Vita, falar sobre o tema significa principalmente esclarecer o que o quadro NÃO É.

“Desmistificar essa condição é o primeiro passo para a verdadeira inclusão e a oferta de uma rede de suporte que realmente respeite as necessidades e características desses indivíduos. Estar dentro do espectro autista, por si só, não é algo que impõe um limite à inteligência e às potencialidades dessas pessoas”, enfatiza a médica.

O TEA, explica Simone, é uma desordem neurológica que afeta basicamente três áreas do desenvolvimento: a comunicação, as interações sociais e o comportamento.

Embora possa haver sim déficits cognitivos, as presenças de outros transtornos (como TDAH, depressão, ansiedade, etc.) e problemas neurológicos associados ao TEA são condições que variam conforme cada caso – não é por acaso que um dos símbolos mais conhecidos das ações de conscientização é um quebra-cabeças multicolorido, representando justamente a diversidade e a complexidade dos indivíduos com autismo.

Dra Simone Amorim: desmistificar o autismo é o primeiro passo para a verdadeira inclusão

“Como questão de base comum a esses pacientes existe de fato uma grande dificuldade em se expressar dentro dos códigos que são naturais para a maioria das pessoas. Mas, em momento nenhum, isso significa que a pessoa com autismo não tenha pensamentos e sentimentos tão complexos quanto os de todos nós”, ressalta.

Outro ponto enfatizado pela neurologista é o da inexistência de cura para o autismo. “Não há um remédio ou uma terapia que altere essa condição. O indivíduo é e sempre será assim. Logo, o que tem de mudar são as nossas expectativas, aceitando essa diferença e oferecendo ambientes e condições que assegurem uma boa adaptabilidade ao autista”, explica.

Por norma, o acompanhamento desses pacientes é multidisciplinar, envolvendo, em geral, além do neurologista infantil, profissionais das áreas de Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Neuropsicologia, Psicologia e Terapia Ocupacional.

Terapias de apoio são muito importantes para o desenvolvimento da criança com autismo

Com os devidos processos terapêuticos e o acompanhamento médico (que poderá envolver o uso de medicações, conforme cada caso), as etapas de desenvolvimento, a adaptação ao meio e a aprendizagem tendem a transcorrer com melhores resultados – sendo também o envolvimento da família e a existência de ambientes inclusivos fatores essenciais para que isso aconteça.

Relativamente aos pais e familiares, passada a fase comum de negação dos sintomas e/ou do diagnóstico, a busca de causas e, até mesmo, o sentimento de culpa, são outros movimentos recorrentes, que precisam ser revistos. “É muito importante que a família entenda que não existe culpa pela criança estar dentro do espectro autista”, tranquiliza Simone.

Até o momento, as causas do TEA não estão completamente esclarecidas pela ciência. Ele pode acontecer em qualquer núcleo familiar, e não há nenhuma comprovação de que esteja relacionado com a administração de vacinas ou outras situações durante a gestação ou a infância.

SAIBA MAIS SOBRE O TEA

  • O Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba diferentes condições, marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico, com três características fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente. São elas: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo;
  • Embora existam algumas características comuns aos autistas, o diagnóstico, por si só, não impõe um limite à inteligência e às potencialidades do indivíduo, que tem pensamentos e sentimentos tão complexos como os de qualquer pessoa;
  • Em geral, a percepção sensorial da pessoa com TEA é diferenciada. Luzes, odores, sons, toques e outras sensações são captados pelo sistema nervoso de uma forma amplificada e muito incômoda;
  • Para a pessoa com TEA, a linguagem figurada costuma ser muito difícil. Por isso, seu discurso tende a ser mais literal. O uso de uma comunicação direta, paciente, simples e objetiva contribui muito para uma melhor adaptação dessas pessoas ao ambiente à sua volta;
  • Não existe uma idade mínima para se suspeitar que a criança possa estar dentro do Transtorno do Espectro Autista. Atualmente, assumimos que o diagnóstico conclusivo já possa ser feito a partir do primeiro ano de vida;
  • NÃO há tratamento/cura para o TEA. Mas o acompanhamento médico-terapêutico é muito importante para o estímulo do desenvolvimento e uma boa adaptação da criança ao seu ambiente e para o ganho progressivo de autonomia.

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 18:15

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