Burnout: o esgotamento causado pelo estresse crônico no trabalho

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Clínica Vita

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De forma sintética, a Síndrome de Burnout pode ser definida como um estado de exaustão (física, mental e/ou emocional) permanente, provocado pelo trabalho. Esse quadro, conhecido há pelo menos quatro décadas no campo da Psicologia, passa agora, em 2022, a ser oficialmente reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença laboral, constando na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID).

Essa atualização da CID é considerada um avanço, uma vez que dá respaldos legais para o tratamento adequado de pessoas que sofrem as consequências físicas e psicoemocionais do estresse crônico, gerado por questões laborais, que não foi devidamente gerenciado.

Quem emite esse laudo é um médico, geralmente psiquiatra, após toda uma investigação diagnóstica, que pode envolver também avaliações por psicólogos. Outros especialistas poderão ser consultados, sobretudo no sentido de descartar determinados quadros clínicos que também podem estar relacionados aos sintomas apresentados pelo paciente.

Mas quais são exatamente os sinais de alerta para a presença do burnout?

“Quando a pessoa chega ao consultório com sintomas como: exaustão que não melhora após os dias de descanso, mudanças de humor constantes, descaso com as suas atividades pessoais e apontamentos para sentimentos de fracasso, inferioridade ou, até mesmo, desespero frente às atividades do trabalho, essas são questões que já acendem a luz amarela para investigarmos a possibilidade dessa síndrome ter se instalado”, afirma a psicóloga Bruna Prado.

A psiquiatra Érika Vick observa ainda que o burnout, assim como acontece com outros transtornos no âmbito da saúde mental, também pode acarretar impactos na saúde física. Problemas relacionados ao sono, ao apetite, ao funcionamento gastrointestinal, entre outras manifestações, podem ocorrer nesses casos.

“Mas é importante deixar claro que um diagnóstico dessa natureza não é feito com base em um simples checklist. Precisamos ver se realmente a sintomatologia está relacionada à atividade laboral, pois o burnout pode ser facilmente confundido com quadros como Transtorno de Ansiedade ou Transtorno Depressivo, por exemplo. Então, é uma avaliação que precisa ser feita com muita atenção”, explica a médica.

Acompanhamento psicoterápico é um ponto-chave no tratamento

Uma vez identificado, o burnout precisa ser tratado com um suporte profissional, pois não se trata simplesmente de diminuir a carga laboral – muito embora esse também possa ser um fator importante para o processo.

O acompanhamento psicoterápico é um ponto-chave no tratamento, que pode incluir ainda o uso de medicações, além de outras medidas, como o afastamento temporário do trabalho.

Contudo, é importante lembrar que, junto aos impactos sobre a saúde física e mental, a própria carreira costuma ser abalada, pois, além da queda de produtividade, muitas vezes a pessoa enfrenta também tabus e preconceitos frente ao seu problema de saúde. Trata-se, portanto, de um problema que (como grande parte das questões de saúde) é melhor prevenir do que remediar.

“Atentar aos possíveis sintomas, por mais simples que possam parecer, buscar ajuda e estabelecer estratégias o mais cedo possível para manter os níveis de estresse sob controle são atitudes muito importantes para evitar um esgotamento e todos os impactos negativos dele nas diversas esferas da vida”, salienta Bruna, que dentre as medidas preventivas recomenda especialmente a reserva de tempo para as atividades pessoais.

Consciência sobre limites é fator primordial

A neuropsicóloga e psicóloga clínica Aline Simionato salienta que o burnout é uma situação que se instala justamente por causa de um limite que se perdeu entre a vida profissional e a pessoal. “O auxílio de um psicólogo aqui é muito importante para a pessoa poder reencontrar esse equilíbrio”, aponta, sublinhando se tratar de uma situação em que é preciso levar em conta toda a complexidade do contexto, junto com o próprio histórico do paciente, antes de simplesmente indicar para ele qual é a melhor solução.

Aline lembra ainda que a pandemia surgiu como um agravante nas relações laborais, exigindo também, da parte das empresas, soluções adaptativas do dia para a noite, para garantir a sua sobrevivência. “O trabalho on-line, realizado a partir de casa, tomou uma outra dimensão nesses dois últimos anos. A linha divisória entre as tarefas profissionais e a vida doméstica praticamente deixou de existir, e isso provoca naturalmente uma sobrecarga de funções. É preciso reconstruir esses limites, mas, claro, levando em conta o contexto e os desafios individuais colocados em cada caso, analisando o caso, de forma individualizada”, explica.

Especialista em Terapia Comportamental Cognitiva (TCC), a psicóloga Cássia Denadai também observou um aumento de casos de exaustão de 2020 para cá. “Ainda são poucas as pessoas que chegam com um diagnóstico fechado de burnout. Mas são mesmo muitos os que trazem situações de exaustão relacionadas à atividade profissional”, conta.

“O grande desafio para esses pacientes costuma ser o de encontrar um meio de manter o seu trabalho, acatando as demandas que ele acarreta e, ao mesmo tempo, comprometer-se também com uma vida fora da atividade profissional, isto é, com o seu lazer, com o convívio com a família, os amigos, etc., aprendendo a desfrutar disso”, expõe a psicoterapeuta.

De acordo com Cássia, pesam nesse sentido tanto as questões racionais, como as pressões por produtividade, por exemplo, como também os fatores irracionais, geralmente tendo o medo como grande pano de fundo. “É uma sobrecarga real, mas que não necessariamente se dá em um nível consciente”, explica.

Para quem deseja começar a virar o jogo, a dica da psicóloga é “combater a irracionalidade imposta pelo medo”. Como? “Faça-se perguntas, buscando evidências que comprovem a realidade temida. Verifique se não há exagero nos seus pensamentos e sentimentos ligados ao cenário gerador de estresse. Sente que está difícil fazer isso sozinho? Então, busque um interlocutor capacitado para ajuda-lo, como um profissional da área de saúde mental”.

Essa publicação foi atualizada em 31 de janeiro de 2022 13:36

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