A prevalência de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) segue crescendo! As últimas estatísticas americanas mostram uma prevalência de 1 autista para cada 54 crianças. Os dados anteriores eram de 1 para 59. O que justificaria esse aumento? A melhor detecção certamente é uma das razões! O diagnóstico de indivíduos com QI mais alto, outros com sintomas mais leves e indivíduos que tenham sido negligenciados anteriormente.
O diagnóstico do TEA pode ser feito nos primeiros três anos de vida, mas essa ainda não é a realidade da maior parte dos casos
O diagnóstico de TEA, pode ser feito nos primeiros 3 anos de vida, geralmente por volta dos 24 meses de idade. Infelizmente, observamos um diagnóstico tardio em boa parte dos casos! Ainda que os sintomas se mostrem precocemente, a idade média ao diagnóstico é por volta de 4 anos e meio. Mesmo com toda a divulgação, apenas 43% das crianças com TEA recebem uma avaliação adequada do desenvolvimento aos 3 anos de idade!
Que neurologista infantil nunca escutou a famosa frase: “Disseram para esperar o tempo da criança?” Então eu me pergunto: realmente é o melhor a fazer? Esse tipo de conduta vai contra todo o esforço que se faz pela suspeição e diagnóstico precoce. Sabe-se que a detecção precoce possibilita uma adequada intervenção comportamental e do desenvolvimento já no início dos sintomas, e isto pode melhorar substancialmente os resultados.
Observam-se comprometimentos essenciais na comunicação social e a presença de comportamentos estereotipados, restritos e repetitivos. A apresentação do TEA é muito heterogênea. Há indivíduos com comportamentos motores repetitivos proeminentes, outros podem ter interesses restritos. Há indivíduos minimamente verbais, outros falam fluentemente, mas com poucas habilidades de comunicação; o funcionamento intelectual pode ser prejudicado ou muito maior que a média.
A Academia Americana de Pediatria recomenda a triagem para TEA em todas as crianças com idades entre 18 e 24 meses, usando ferramentas on-line disponíveis gratuitamente para clínicos e pais.
Se um pai ou uma mãe demonstra preocupação referente ao comportamento do seu bebê, no que se refere à fala ou vocalização, contato visual pobre, não apontar o que deseja, não compartilhar interesses, escassez de sorriso social, não responder quando chamado por seu nome… Isto deve ser levado muito a sério e avaliado adequadamente, pois pode ser a primeira indicação de problemas!
Existem ferramentas de avaliação bem validadas e adequadas às diferentes idades para que se estabeleça um diagnóstico e recomendações de intervenção. Deve-se avaliar a comunicação social, a presença de comportamentos estereotipados ou repetitivos, interesses sensoriais incomuns, habilidades intelectuais, habilidades de fala e linguagem e funcionamento adaptativo, além do relato dos pais sobre a história do desenvolvimento da criança. Portanto, o diagnóstico é clínico! Deve ser feito por uma equipe multidisciplinar capacitada para tal. Atualmente, não existem biomarcadores clinicamente validados para o diagnóstico de TEA.
As crianças diagnosticadas como portadoras de TEA precisarão de encaminhamento para tratamento individualizado. Uma intervenção comportamental intensiva pode maximizar os resultados nos domínios críticos da comunicação, QI e função adaptativa para crianças pequenas com TEA. O treinamento dos pais com intervenções comportamentais fornecidas pelo terapeuta pode melhorar ainda mais os resultados para crianças pequenas!
O tratamento dos principais sintomas de TEA atualmente é feito por terapias, mas a medicação pode ser usada para tratar condições comórbidas que podem prejudicar o desenvolvimento desses indivíduos. Alterações de comportamento como ansiedade, hiperatividade, desatenção e distúrbios de sono devem ser tratadas com medicamentos quando indicado.
Trocando em miúdos: se você tem dúvidas sobre o desenvolvimento do seu filho, sobre comportamentos que ele apresente e que lhe pareçam peculiares, não tenha receio de buscar avaliação e obter uma resposta. Não espere o tempo passar! Procure ajuda! Busque uma avaliação com uma equipe capacitada. O diagnóstico e intervenção precoce são muito importantes! E caso seja um equívoco seu, tudo bem! O dilema se resolve e seguimos em frente!
Um ótimo Abril Azul para Todos Nós!
Essa publicação foi atualizada em 21 de abril de 2020 15:43
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