Joyce Fialho,
Fonoaudióloga
Com envelhecimento natural, as funcionalidades do organismo vão se debilitando. A audição também, embora não exista uma idade certa para que isso aconteça. Mas fato é que adultos e idosos precisam estar atentos a possíveis perdas auditivas.
Existem pessoas que possuem fatores de predisposição para a diminuição da acuidade auditiva antes da terceira idade, outras não. Além disso, há fatores ambientais, como a exposição a ruídos, que podem contribuir para o surgimento do quadro.
Enfim, o corpo inteiro envelhece, e o sistema da audição acompanha esse movimento. Para saber como lidar com isso, precisamos entender como ouvimos.
Dentro do labirinto encontramos o vestíbulo, a cóclea (principal órgão responsável pela audição) e os canais semicirculares, que possuem cílios (pelos) e um líquido que se movimenta e cria estímulos nervosos que serão transmitidos ao nervo auditivo, que envia a mensagem para o cérebro.
Com envelhecimento, esse líquido é reduzido e os pelos caem – na juventude eles também caem, mas voltam a nascer. Por isso, com o passar dos anos, as pessoas podem adquirir dificuldades para ouvir.
Precisamos de todos os nossos sentidos (visão, audição, tato e paladar) funcionando bem. Leves perdas auditivas são suficientes para, por exemplo, impedirem que a pessoa ouça a buzina de um carro ao atravessar a rua.
Além disso, quando não ouve bem, a pessoa tende a se afastar de todos. Afinal, para ela é difícil ouvir o que os amigos e os familiares falam. Com isso, ela não socializa. E com o isolamento pode começar todo um processo de debilitação.
Um sintoma muito característico do início da perda auditiva é a pessoa afirmar: “eu ouço, mas não entendo”. Porque grande parte das pessoas não tem perda total, mas simplesmente perdas leves e moderadas.
Dependendo do nível da perda, muitas vezes não é necessário o uso de aparelhos. Apenas a terapia fonoaudiológica pode minimizar as dificuldades de comunicação, trabalhando técnicas que facilitem a vida diária dessas pessoas.
ATENÇÃO AOS SINAIS DE ALERTA
– Dificuldade para entender o que as pessoas falam;
– Sensação de que as pessoas falam baixo;
– Falar alto (pois a pessoa não ouve a sua própria voz com clareza);
– Demora para perceber sons comuns da casa como campanhias e telefone;
– Assiste TV no volume mais alto;
– Queixa de sensação de ouvido tapado ou de zumbido.
TESTES E CUIDADOS NECESSÁRIOS
– Os testes auditivos são feitos por fonoaudiólogos. Além da anamnese, com entrevista ao paciente, esse profissional conduz exames como a audiometria e a imitanciometria, para detectar a perda (total ou parcial) da audição.
– Jamais o paciente ou seus familiares devem adquirir um aparelho auditivo sem a orientação de um profissional especializado. Esses equipamentos são importantes quando indicados corretamente, mas podem ser prejudiciais se o uso não estiver adequado às necessidades da pessoa.
– Muitas vezes, técnicas aplicadas na terapia fonoaudilógica são suficientes para a melhoria de desempenho do paciente, sem a necessidade do uso de aparelhos. Mas receber o cuidado profissional é fundamental para a segurança e a qualidade de vida desses indivíduos.
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