botero 285x300 Obesidade e sedentarismo: o ataque silencioso ao seu coraçãoEsqueça a estética. A questão aqui é saúde. A obesidade (acúmulo em excesso de gordura corporal) afeta o funcionamento de todo o organismo e impacta diretamente a expetativa de vida. 

O cardiologista e especialista em Medicina Interna Aécio Gois, que faz parte do corpo clínico aqui da Vita, esclarece algumas questões a esse respeito para o nosso blog.

De acordo com o médico, estar acima do peso aumenta o risco de problemas cardíacos, porque predispõe à hiperglicemia (aumento de açúcar no sangue) e à hipertensão arterial sistêmica, que por sua vez também predispõem à doença cardíaca.

Sedentarismo

botero 131 300x240 Obesidade e sedentarismo: o ataque silencioso ao seu coraçãoJunta-se a isso o fato de grande parte das pessoas obesas serem também sedentárias. “O sedentarismo é um dos maiores fatores de risco para o coração”, enfatiza.

Gois explica que, do ponto de vista cardiovascular, é considerado sedentário quem não faz um total de 150 minutos de atividade física por semana. Segundo ele, o melhor é que esse tempo de exercícios seja fracionado em períodos de 20 a 30 minutos, seis vezes por semana.

Ou seja, aquela caminhada diária de meia-hora (sem interrupções e dentro do seu ritmo) pode fazer toda a diferença para a prevenção de problemas no coração!

“No dia a dia, a pessoa pode também aproveitar pequenas oportunidades de fazer exercícios, como subir seis andares de escadas, ao invés de ir pelo elevador. Mas isso só terá resultado se esse tipo de esforço for contínuo, ou seja, não adianta fazer de vez em quando; o ideal é fazer diariamente”, ressalta o especialista.

Cicatrizes

botero 3 300x287 Obesidade e sedentarismo: o ataque silencioso ao seu coraçãoUma boa notícia, neste caso, é que ter sido obeso geralmente não deixa “cicatriz de risco cardiovascular”, conforme explica o médico.

Assim, quem está acima do peso e na linha de risco hoje, pode perfeitamente estar no peso ideal e fora de perigo amanhã. Mais um motivo para começar já a empreender esforços de manter a balança sob controle.

Por fim, o médico esclarece que obeso é que tem IMC (índice de massa corporal) acima de 30. Mas quem tem IMC acima de 25 já é considerado em sobrepeso e deve se preocupar com os riscos cardiovasculares. O IMC obtém-se através da divisão do peso do indivíduo por sua altura ao quadrado (calcule agora o seu IMC).

Outro ponto importante a observar é com o tipo de gordura acumulada. A chamada obesidade centrípeta, isto é, a gordura acumulada na barriga, está mais associada a riscos cardiovasculares. “Cintura abdominal maior que 94cm em homens e maior que 80cm em mulheres colocam esses indivíduos em zonas de risco, muito mais que o IMC em si”, esclarece. Então, olho na fita métrica também.

Para emagrecer e sair do sedentarismo, a parceria entre um cardiologista e uma nutricionista pode ser muito boa para dar um suporte ao indivíduo, conforme ressalta Gois. “O cardiologista pode avaliar os riscos e orientar quanto aos exercícios físicos e o momento mais adequado para os realizar”, explica ele.

Outros especialistas, como endocrinologistas e psicólogos, por exemplo, também podem ser acionados para ajudar, tanto na avaliação, quanto no suporte para uma mudança de hábitos.

O médico ressalta que ter o apoio e a orientação de profissionais é importante para que, na ânsia de se cuidar, a pessoa não acabe incorrendo em exageros ou estabelecendo metas irreais e perigosas para si mesmo. “Ninguém com mais de 20 anos e, sobretudo, ninguém acima de 35 anos deve fazer atividades físicas sem avaliação do cardiologista”, alerta.

O especialista diz, ainda, que todas as pessoas com mais de 20 anos devem procurar um cardiologista para fazer um check up e, se elas tiverem história de doença cardíaca na família, devem fazer uma avaliação anual. “Mas se não têm e não foi encontrado nenhum fator de risco clássico para doença cardíaca, a pessoa pode fazer a cada cinco anos e, a partir dos 35, essas consultas devem ser anuais. Já os fumantes carecem de uma avaliação anual, independente da idade”, orienta.