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Riscos e implicações da estreita relação entre a depressão e a enxaqueca

Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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Simone Amorim,
neurologista infantil e neurofisiologista

Algumas pesquisas recentes apontam a existência de um maior número de suicídios entre pacientes diagnosticados com depressão e migrânea crônica (enxaqueca). A relação entre esses dois quadros é algo que acho muito importante ser abordada, a título de esclarecimento e alerta, neste mês em que estamos com as atenções voltadas para a campanha Setembro Amarelo.

A relação entre enxaqueca e depressão existe e não pode ser ignorada no plano de tratamento

Em muitos aspectos, o sofrimento físico, emocional e psicológico do paciente que tem enxaqueca ainda é muito subestimado. Contudo, hoje está comprovado que as pessoas com essa condição tendem a desenvolver diversas comorbidades (distúrbios que acompanham as dores de cabeça), que agravam muito o seu quadro clínico geral, dificultam o tratamento e impactam negativamente a qualidade de vida.

Quanto mais fortes e frequentes são as crises de enxaqueca, maiores são as chances do paciente apresentar comorbidades como ansiedade, dores crônicas (fibromialgia), distúrbios do sono, etc., sendo que a depressão é o quadro associado mais prevalente. As estatísticas apontam que o índice de distúrbios depressivos é seis vezes maior entre os enxaquecosos do que entre o restante da população.

O exato entendimento das vias neuronais envolvidas na relação entre depressão e enxaqueca ainda não está totalmente esclarecido. Mas os números estão aí para nos mostrar que essa convivência entre os dois quadros existe, é frequente e exige a nossa atenção como profissionais de Saúde.

Algumas teorias sugerem que a permanente tensão vivida pelo paciente enxaquecoso, sempre com medo de novas crises, acaba por deixar o cérebro em constante e esgotante estado de alerta. A frustração frente ao caráter crônico da migrânea e os seus impactos na rotina também são vistos como fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de um quadro depressivo.

Por isso, hoje, diante de um diagnóstico positivo de enxaqueca, já não podemos mais ignorar a necessidade de investigar se a depressão também está presente e, caso esteja, a abordagem a esse quadro precisa estar incluída no plano de tratamento. É preciso insistir na compreensão de que o acompanhamento multidisciplinar é a chave para o sucesso no tratamento da enxaqueca, com impactos reais na qualidade de vida do paciente!

Não são raros os indivíduos enxaquecosos que se isolam e deixam de acreditar que podem conquistar melhorias significativas. Quando o estado depressivo não recebe a devida atenção, a pessoa tende a ter menos disposição e menos autoconfiança para assumir o papel ativo necessário para obter um melhor controle das crises enxaquecosas. Por outro lado, o tratamento da depressão potencializa e acelera os resultados positivos.

A Neuromodulação é reconhecida como medida eficaz contra a depressão

Cada caso exige uma avaliação individual, mas o tratamento medicamentoso da depressão (com antidepressivos) pode e deve ser considerado, bem como o acompanhamento psicoterápico. Outras terapêuticas atestadas pela eficácia no tratamento da depressão também são de grande valia, sendo hoje a Neuromodulação e o Biofeedback reconhecidas pelos resultados que conseguem proporcionar para esse quadro específico.

Toxina botulínica: ponto de partida para melhorar as condições clínicas do paciente

Cabe lembrar ainda que a terapêutica com toxina botulínica costuma figurar como um importante start, oferecendo as condições necessárias para o plano de ação do combate à enxaqueca. Ao oferecer melhoras imediatas na frequência e na intensidade das crises, sem os inconvenientes dos efeitos colaterais e das interações medicamentosas, esse tratamento costuma ser um divisor de águas na vida do paciente. Mas é fundamental frisar que, a partir daí, existe todo um caminho a ser percorrido, com ajustes que afastem os fatores desencadeantes das crises (os chamados gatilhos).

Consultar um especialista e iniciar uma terapêutica eficaz de controle das crises é a ponta para o desenrolar do novelo de complicações e de comorbidades no qual o indivíduo enxaquecoso normalmente se vê envolvido – e do qual dificilmente consegue sair sem ajuda especializada. Seguir com as abordagens multidisciplinares, levando em grande conta a importância do tratamento da depressão, quando ela está presente, são medidas mais do que necessárias para desatar os nós que, muitas vezes, impedem o avanço dos tratamentos, quando não inviabilizam de todo a vida desses pacientes. A depressão do paciente enxaquecoso precisa ser reconhecida e levada a sério!

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:31

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
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Produzido por
Dra. Simone Amorim

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