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Epilepsia é comum na infância

Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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O termo epilepsia assusta muitos pais e familiares, soa como uma sentença, algo de muito ruim na vida da criança. No entanto, devido ao processo de maturação cerebral, as epilepsias (crises convulsivas) são mais comuns na infância do que muitos imaginam.

Algumas crianças podem ter as chamadas convulsões por febre, já falamos delas aqui. Mas hoje vamos falar sobre as convulsões sem febre. Nos primeiros anos de vida, as células do cérebro fazem bilhões de conexões, tornando-o mais suscetível às crises convulsivas. Alguns fatores genéticos também podem estar envolvidos, mas nem sempre é possível estabelecer esse fator como causa.

Os exames que podem auxiliar no diagnóstico são o eletroencefalograma e os exames de imagem, como tomografia de crânio ou ressonância magnética de encéfalo. Mas cada caso tem de ser analisado individualmente pelo médico.

A ciência já conhece os mecanismos fisiológicos que ocorrem durante uma crise convulsiva, mas não sabe ainda o que faz com que as células do cérebro entrem em “curto-circuito” e disparem todas ao mesmo tempo, nem qual o comando que o cérebro recebe para iniciar uma crise convulsiva. A grande maioria das epilepsias na infância é benigna e se resolverá até a adolescência.

Entretanto, algumas vezes, as crises podem ser frequentes e necessitarem de medicação. Uma dúvida comum entre os pais é saber se, uma vez iniciada a medicação, a criança a usará para sempre. Geralmente, não. Conseguimos tirar as medicações após um período livre de crises (que será estabelecido pelo neurologista que a acompanha).

As crises, quando curtas, não causam danos ao cérebro, mas ainda assim assustam muito quem está à volta de quem as sofre. Uma vez iniciada uma crise convulsiva, é importante proteger a criança, deitá-la em ambiente seguro, afrouxar suas roupas, virá-la de lado (para evitar o risco de aspirações, caso ela vomite) e esperar com calma a crise passar.

Jamais se deve colocar o dedo ou qualquer objeto na boca de alguém em crise. O que dizem sobre enrolar a língua é mito. Na realidade, o que ocorre é que, logo após uma crise, a criança fica hipotônica (com os músculos muito relaxados) e a língua, como é um músculo, também relaxa – este é outro motivo para virar a criança de lado, pois, assim, a língua relaxará para o lado e não para trás.

No momento de hipotonia, também surge a salivação excessiva, porque durante a crise, a criança não deglutiu e agora existe um excesso que extravasará da boca. Outro mito é o que diz que essa saliva seria contagiosa. Trata-se da mesma secreção que produzimos naturalmente, apenas em maior quantidade. Epilepsia não se transmite.

As epilpesias, quando ocorrem em crianças saudáveis e com desenvolvimento neurológico normal, tendem a desaparecer na adolescência. Esses indivíduos respondem bem às medicações e, geralmente, não precisam de mais de um tipo de remédio. Mas o tratamento jamais deve ser suspenso pelos pais sem o conhecimento do médico, sob o risco de as crises voltarem e, assim, o prazo para retirada definitiva ter de ser estendido.

Essa publicação foi atualizada em 9 de setembro de 2019 11:53

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Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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