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Toxina botulínica é usada para melhorar condições de vítimas do Zika vírus

2016-10-23T00:00:00+00:00 23 de outubro de 2016|Artigos|0 Comments

Simone Amorim,
neurologista infantil e neurofisiologista

Dra Simone Amorim é diretora clínica da Vita

Dra Simone Amorim é diretora clínica da Vita

O uso da toxina botulínica no tratamento dos sintomas de pacientes com microcefalia vem ganhando destaque em diversas reportagens, nos últimos meses.

Os primeiros bebês diagnosticados com o quadro, em decorrência do surto do Zika Vírus, em 2015, estão completando agora o seu primeiro ano de vida. E interessa a toda a sociedade saber como eles têm sido acompanhados.

Na busca por essas informações, a mídia se depara com a notícia de que a terapêutica com a toxina botulínica tem um papel importantíssimo na melhoria das condições gerais dessas crianças, figurando como um ponto-chave nos centros de referência – onde, via de regra, a abordagem transcorre de forma multidisciplinar (isto é, envolvendo outros profissionais, além do neurologista infantil responsável, como fonoaudiólogos e fisioterapêutas).

A veiculação dessas notícias é sempre muito bem-vinda. Entretanto, alguns pontos merecem ser destacados, para que fiquem bem claro para o público em geral as razões e os critérios para o uso dessa substância nesses tratamentos e por que ela é tão importante para a evolução desses pacientes.

Pacientes com a chamada Síndrome congênita do Zika Vírus (ou seja, bebês que nasceram com sequelas – que podem envolver ou não a microcefalia – devido à contaminação da mãe durante a gestação) costumam apresentar espasticidade (contração exagerada de alguns músculos) e, em alguns casos, também a distonia (contração involuntária e repetida dos músculos).

Esses sinais tentem a ser muito intensos, incômodos e limitantes. São distúrbios do movimento que podem levar a contraturas, dor e deformidades nos membros.

A espasticidade nos membros inferiores, principalmente dos músculos adutores da coxa (músculos da parte interna das coxas), pode levar a luxação do quadril – ou seja, ao deslocamento da cabeça do fêmur. Essa luxação é muito dolorosa e pode levar ao impedimento da aquisição da capacidade de ficar de pé ou, até mesmo, de andar.

Diante desses quadros, o tratamento proposto para esses pacientes tem sido a toxina botulínica. A substância, que já é um tratamento reconhecidamente eficaz e seguro para crianças, auxilia no relaxamento dos músculos das coxas, impedindo que haja a luxação do quadril e permitindo que o paciente possa ter uma evolução muito mais favorável do ponto de vista motor.

A depender da gravidade, algumas crianças podem necessitar também de procedimentos cirúrgicos, mas sempre aliados a toxina botulínica.

Em Neuroreabilitaçao, a ideia é sempre agir precocemente, evitando ou minimizando as alterações motoras que podem levar a deformidades.

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