Blog da Vita

A tecnologia e a educação infantil

2012-09-20T00:00:00+00:00 20 de setembro de 2012|Artigos, Destaques, Neurorreabilitação|0 Comments

Por Simone Amorim,
Neurologista Infantil
Na semana passada, eu fui convidada para participar de um debate ao vivo na Rede Vida, sobre o papel da tecnologia na vida das crianças. A ideia de estar em um programa ao vivo me deixou receosa, afinal falar de comportamento é sempre algo de muita responsabilidade, pois nossas opiniões podem influenciar em decisões importantes para as pessoas. Mas, além de lidar diariamente com o desenvolvimento neurológico de crianças, sou também mãe de um menino de 10 anos, que adora tecnologia e, particularmente, eu também sou uma pessoa que vive “conectada”. Decidi, então, aceitar o convite para compartilhar minhas experiências e acho que foi uma excelente decisão. Penso que consegui contribuir e, acima de tudo, aprendi muito naquela 1:15h em que o programa esteve no ar.

Debater  pontos relevantes sobre essa questão da tecnologia com profissionais tão competentes e comprometidas, me fez confirmar a certeza que já trago comigo: temos sempre de lidar com os desafios da infância de uma forma multidisciplinar; e o envolvimento da família é fundamental nesse processo.O programa foi exibido na noite da última segunda-feira, dia 17.

Falei ao lado da psicóloga Natércia Tiba e da psicopedagoga Marilda Silva. Como profissionais, mães e amantes do aprendizado infantil, falamos tanto que nem nos demos conta dos horários, respondendo às questões do apresentador Dalcides Biscalquin e também de telespectadores de todo o país – as perguntas não paravam de chegar, com certeza devido à grande importância e relevância do tema!Assim que possível irei compartilhar o link aqui no blog, mas, para já, gostaria de deixar registrados alguns pontos que considero relevantes e que resumem minhas conclusões acerca dos debates daquela noite:

  • Os computadores e todo aparato tecnológico vieram para ficar. Eles, assim como os livros, podem representar excelentes meios de estímulo ao aprendizado. Tudo depende da forma como isso é feito.
  •  Nosso cérebro vive um aprendizado constante, sendo que a formação e maturação ocorrem até o início da idade adulta. O aparato tecnológico disponível hoje em dia oferece uma gama ampla de estímulos ao aprendizado e às conexões cerebrais. Todo estímulo, experiência e repetição são sempre bem-vindos para o processo de aprendizagem – que é feito por meio de conexões neuronais, ou seja, ligação entre as células do cérebro, os neurônios.
  • Ler é um hábito importantíssimo. Enquanto a criança lê, o cérebro está fazendo milhões de conexões e interligando diversas  áreas diferentes. As ferramentas digitais podem e devem ser usadas para estimular esse hábito.
  • Até os três anos de idade, o ser humano vive o ápice da multiplicação das células e conexões cerebrais. Como hoje as crianças são expostas desde muito cedo ao aparato tecnológico (tablets, notebooks, etc.), graças a isso elas acabam apresentando uma maior habilidade para lidar com esse aparato, ao longo da vida.
  • Não há problema algum em expor a criança desde muito cedo à tecnologia, desde que sempre se respeitem limites, tais como: não haver cobrança para um desempenho virtuoso, haver limitação de tempo de uso (que deve ser fracionado com outras atividades) e observação dos temas e conceitos passados por jogos e programas interativos.
  • Outros estímulos são tão importantes quanto os computadores na vida da criança: a prática de esportes, o convívio social, o aprendizado de música e os jogos off line são alguns exemplos de atividades interessantes e importantes para o desenvolvimento cognitivo e o amadurecimento.

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