Simone Amorim,
neurofisiologista e neurologista infantil

Sempre falo aqui no Blog sobre distúrbios do movimento e, na última semana, estive em um congresso mundial sobre o assunto, em Berlim (20th International Congress of Parkinson’s Disease and Movement Disorders), considerado o evento internacional mais importante para quem estuda e trabalha com esse segmento.

No evento são abordadas, principalmente, as doenças que ocorrem por alteração no sistema extrapiramidal, sendo a doença de Parkinson a patologia de maior destaque. Esse é um quadro progressivo, que compromete muito a qualidade de vida do paciente e que tem grande incidência na população adulta sobretudo entre os idosos.

TB1 O tratamento de Parkinson e de outros distúrbios do movimento

Tratamento com toxina botulínica ganha destaque no controle dos sintomas de Parkinson.

O paciente com Parkinson pode apresentar tremor, distonia e diversos outros distúrbios do movimento. Hoje, todos os esforços científicos estão voltados para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de abordagens terapêuticas que minimizem e/ou estabilizem os sintomas. Nesse sentido, as indicações de tratamento com a toxina botulínica figuram com destaque.

Outros quadros que geram distúrbios do movimento e que, inclusive, também podem acometer crianças, jovens e adultos, também estiveram em pauta no Congresso Mundial. Ano a ano constatamos que, a cada dia, aumenta o número de novas doenças identificadas e de descobertas genéticas acerca desses quadros.

De uma forma bem simplificada, podemos dizer que os distúrbios do movimento de cunho neurológico ocorrem devido a falhas em um dos dois grandes sistemas do cérebro que comandam os movimentos: o sistema piramidal e o extrapiramidal.

Quando o problema ou a lesão acontecem no sistema piramidal, o paciente apresenta a espasticidade, contração exagerada e mantida de alguns músculos. É o que ocorre, por exemplo, com pessoas com paralisia cerebral, espasticidade após o AVC, pós-traumatismo craniano, etc.

Já quando o problema ou a lesão ocorrem no sistema extrapiramidal, o paciente apresenta os distúrbios do movimento conhecidos como distonia, coreia, atetose, etc., que basicamente podem ser definidos como contrações involuntárias, mantidas ou recorrentes, como, por exemplo: tremores, distonia generalizada ou focal (ex: distonia cervical, distonia tarefa específica, como a cãibra do escrivão, o espasmo hemifacial e o blefaroespasmo (piscamentos exagerados).

Os desafios para o diagnóstico e tratamento continuam sendo grandes para toda a comunidade médica mundial, mas é sempre bom constatar que a ciência não para de avançar e que hoje já contamos com avanços significativos no campo da Neurorreabilitação.

Não há soluções fáceis e, normalmente, cada caso exige um plano de tratamento único, bastante personalizado e, quase sempre, de forma multidisciplinar. Mas, sem dúvida, hoje podemos dizer que temos condições de fazer muito para oferecer mais conforto, autonomia e qualidade de vida a esses pacientes!