Simone Amorim,
neurofisiologista e neurologista infantil
Devido à minha área de atuação, sempre tenho oportunidade de citar os protocolos relativos à administração da toxina botulínica em terapêuticas de Neurorreabilitação e no tratamento da enxaqueca. Gosto sempre de lembrar aos pacientes que nós, especialistas, temos sempre de estar atentos ao que esses documentos preconizam, as indicações que eles trazem e às diretrizes relativas aos casos, às dosagens e aos pontos e intervalos de aplicação, por exemplo.
Um guideline (protocolo) não é criado ao acaso. Ele é composto sob critérios científicos bastante rígidos, que vão beber na fonte dos estudos publicados e validados por instituições científicas reconhecidas em âmbito mundial, e nas atualizações dos consensos médicos.
Basicamente, podemos dizer que os consensos são documentos gerados a partir de eventos que reúnem especialistas de referência em uma determinada área, provenientes de várias partes do mundo, que durante alguns dias acompanham a exposição de estudos científicos, discutindo sobre eles, a fim de elaborar um ponto de vista em comum sobre as melhores condutas e linhas terapêuticas para determinadas situações específicas. Por isso, consensos e protocolos são sempre atualizados e quaisquer mudanças nesses documentos devem ser acompanhadas com total atenção pelo médico em atividade.
Manter-se atualizado, acompanhar os consensos e estudar os protocolos em sua área são obrigações do médico especialista. Daí os arrepios que sentimos quando tomamos ciência de curiosos, sem a devida formação, realizando qualquer procedimento médico!
Não basta saber aplicar injeção ou, muito menos, ver um “mapinha” dos pontos de aplicação para conduzir um tratamento com toxina botulínica, seja no campo da Neurorreabilitação, no tratamento da enxaqueca ou em qualquer outra terapêutica com a substância.
Antes da liberação e da indicação de qualquer tratamento, para que se possa atestar a sua segurança e a sua viabilidade, há sempre um longo caminho científico a ser percorrido: muitos anos (até mesmo décadas) de estudos, testes, compilação e análise de dados, cruzamento de informações, além de inúmeras ponderações e contrapontos. Assim, os protocolos servem, então, como diretrizes terapêuticas fundamentadas em evidências científicas e práticas de consenso, racionalizadas quanto ao uso e organizadas de modo a tornar prática a sua aplicação.
Estar atento a essas questões, para o médico, é uma obrigação e um compromisso com a segurança do paciente e com a qualidade dos tratamentos que conduz.
Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:43
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