O último mês (abril) foi dedicado à conscientização sobre a Doença de Parkinson. Com o aumento da expectativa de vida entre a nossa população, esse é um diagnóstico com incidência crescente, demandando atenção cada vez mais da comunidade científica.

A diretora clínica da Vita, Simone Amorim, doutora em Neurologia pela USP e neurofisiologista, esteve na Boa Vontade TV para falar sobre o assunto.

O Parkinson NÃO tem cura. Mas existe uma série de tratamentos possíveis para amenizar os sintomas e retardar a velocidade de progressão da doença, deixando o paciente mais confortável e funcional o maior tempo possível.

O cérebro do paciente com Parkinson não é capaz de produzir um neurotransmissor muito importante: a dopamina, substância química produzida por um grupo de células específicas, que nos auxilia a ter os movimentos coordenados.

Por alguma razão, as células produtoras de dopamina param de funcionar e os sintomas da DP começam a aparecer. Mas ainda não estão claras quais são as causas exatas desse declínio.

O Parkinson atinge 1% a 2% da população ao redor do mundo. No Brasil, temos cerca de 200 mil pacientes já diagnosticados, mas, com certeza, temos ainda muitos quadros não diagnosticados.

MITOS E VERDADES

Hereditariedade: a DP é esporádica em mais de 80% dos casos. Ou seja, o Parkinson de herança genética – o chamado Parkinson familiar, que também acomete pessoas jovens –  é mais raro e abrange uma parcela muito pequena da população. A maior incidência mesmo é da associação da doença com o envelhecimento, por causas aleatórias.

Relação com Alzheimer: o Parkinson e o Alzheimer são doenças distintas, com sintomas e características diferentes. NÃO existe uma relação direta entre esses dois quadros, apesar de ambas serem neurodegenerativas.

Limitações: o Parkinson é uma doença insidiosa (de progressão lenta). Até que o paciente chegue aos sintomas motores limitantes, o tempo é de aproximadamente uma década, sendo que hoje existem também inúmeras abordagens terapêuticas que ajudam o paciente a seguir uma vida funcional pelo maior tempo possível.

Parte cognitiva: a Doença de Parkinson NÃO afeta o lado cognitivo do paciente. Ou seja, a capacidade intelectual do paciente não fica comprometida por causa da doença.

SINTOMAS

Depressão: a depressão é de fato um quadro associado à Doença de Parkinson, podendo, inclusive, ser um dos sintomas iniciais.

Tremor: embora seja um dos primeiros sintomas motores, o tremor NÃO é sintoma exclusivo da DP. Em grande parte dos casos, o tremor está relacionado ao chamado Tremor Essencial Familiar – uma característica hereditária, que piora com o estresse, a tensão e a ansiedade, mas que NÃO está relacionado a um quadro neurodegenerativo.

Sintomas não motores: costumam surgir de cinco a 10 anos antes dos primeiros sintomas motores, com destaque para: depressão, constipação intestinal, perda do olfato. Contudo, a presença desses quadros isolados NÃO são determinantes para o desenvolvimento da DP.

Sintomas motores: tremor durante o repouso, bradicinesia (lentidão para iniciar movimentos), rigidez corporal, alterações de equilíbrio (desequilibra-se e cai com mais facilidade).

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da doença é CLÍNICO. Não existem exames específicos para detectar a Doença de Parkinson. Isso é avaliado a partir da observação dos sintomas motores e não motores, juntamente com o histórico clínico do paciente. Muitas vezes, é necessário que o paciente seja acompanhado pelo neurologista por um longo período, antes da confirmação diagnóstica.

TRATAMENTOS

O tratamento é multi e interdisciplinar, geralmente envolvendo:

– Uso de medicações orais, para melhoria dos principais sintomas;
– Terapêutica com toxina botulínica, permitindo um maior relaxamento muscular e uma melhoria das condições físicas gerais, deixando o paciente mais confortável e apto para outras abordagens terapêuticas;
– Múltiplas terapias, com destaque para: Terapia Ocupacional, Fonoterapia e Fisioterapia.