Dra. Simone Amorim,
neurofisiologista e neurologista infantil

US TB 300x225 Nova técnica otimiza tratamentos com toxina botulínica

Ultrassonografia otimiza a terapêutica com toxina botulínica

Os avanços no campo da Neurorreabilitação vêm acontecendo a passos largos. Nos últimos anos, o uso da toxina botulínica em pacientes com comprometimentos neurológicos se consolidou e se popularizou como um padrão de referência para a melhoria do estado geral e da qualidade de vida desses indivíduos. Agora estamos vendo mais um importante salto acontecer nesse segmento: o da administração dessas injeções guiadas por ultrassonografia.

Isso é muito mais do que um mero aspecto técnico. Trata-se de uma tendência que vem otimizar em muito as aplicações, resultando em procedimentos ainda mais assertivos e permitindo um melhor aproveitamento da medicação. São ganhos incontestáveis para o paciente.

Neste mês, eu participei de mais um evento internacional voltado para essa técnica, a Summer School of Toxin Academy, na Universidade de Fribourg, na Suíça. O encontro contou com a presença de profissionais do mundo inteiro, sendo as aulas ministradas pelas maiores autoridades internacionais no assunto, como o Dr. Serdar Koçer, o Dr. Klemens Fhedoroff e o Dr. Wolfgang Jost, entre outros.

Sempre que posso, eu acompanho rodadas sobre o assunto no exterior e também no Brasil e, cada vez mais, constato que essa tendência veio para ficar dentro das terapêuticas de Neurorreabilitação.

Nos países desenvolvidos, pelo menos, essa é uma rota definitiva e, aqui no Brasil, o que a gente espera é que haja condições para que essa abordagem se consolide o mais rapidamente possível.

Para entender, pelo menos em linhas gerais, as grandes vantagens da utilização do ultrassom em alguns procedimentos de administração de toxina botulínica no paciente com dano neurológico, imaginem, por exemplo, a complexidade envolvida em movimentos aparentemente banais, como os do pescoço. Girar a cabeça para um lado e para o outro, em diversos ângulos, ou movimentá-la para cima e para baixo envolve a contração e o relaxamento simultâneos de mais de uma dezena de músculos, muitos deles pequenos e difíceis de acessar em procedimentos invasivos.

Mas no tratamento de quadros como as distonias cervicais (que causam limitação de movimento e dor aos pacientes), nós precisamos fazer com que a medicação (a toxina botulínica) chegue eficazmente a essas estruturas, para conseguirmos proporcionar melhoras para esses pacientes.

É um trabalho delicado, de muita perícia, no qual saber qual músculo tratar, por que trata-lo e como trabalhá-lo, são requisitos imprescindíveis. O conhecimento, a experiência e a técnica do médico são essenciais nesse processo.

Nesses momentos, o exame de ultrassom também pode entrar aí como uma importante ferramenta auxiliar para uma localização mais rápida e precisa dos músculos.

Na Neurofisiologia Clínica, nós precisamos dominar plenamente as referências anatômicas, conhecendo muito bem a localização e a função dos músculos do corpo. Mas trabalhando com o auxílio de um aparelho de ultrassom, temos um transdutor que nos permite literalmente ver o músculo dentro do corpo do paciente, no momento da administração da medicação. Com isso, temos como benefícios:

– Visualização clara das estruturas onde a medicação está sendo aplicada e do comportamento da agulha dentro do músculo;

– Otimização das doses, pois trabalhando com precisão no ponto muscular certo, podemos dosar a quantidade de medicação com muito mais eficiência;

– Menor risco de dispersão do medicamento, diminuindo ainda mais as margens de efeitos colaterais;

– Menor número de injeções a cada procedimento.

Tudo isso nós podemos resumir em uma única sentença: menos incômodos e resultados ainda melhores para o paciente.