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Dislexia também pode afetar coordenação motora e habilidade para cálculos

Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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Simone Amorim,
neurofisiologista e neurologista infantil

O termo dislexia é bastante abrangente e vem do grego: dys – disfunção/dificuldade e lexis – palavra/linguagem.

A dislexia pode também envolver a discalculia, que é a dificuldade com números.

Portanto, a dislexia diz respeito a uma disfunção da linguagem, que, diferentemente do que pensávamos, não se trata apenas da dificuldade na leitura, mas, também, de outros aspectos, como disgrafia (dificuldade da escrita), discalculia (dificuldade em matemática), dificuldade de soletração, de interpretação de texto e de coordenação motora.

Por ter uma gama muito grande de déficits envolvidos – podendo variar em graus de acometimentos, que vão de leves, moderados a graves, o diagnostico da dislexia é, muitas vezes, postergado, causando muitas dúvidas, inseguranças e incertezas em pais e professores.

Apesar desses pacientes terem inteligência normal ou, até mesmo, acima da média, a desinformação sobre o tema é a causa de grande parte das evasões escolares.

Uma criança que apresente essa disfunção de linguagem e que não é atendida em suas necessidades especiais passa a ser considerada incapaz ou inábil. E isso, obviamente, tem impacto direto em sua autoestima, causando-lhe a sensação de impotência e desestimulando os seus esforços para seguir adiante.

As estatísticas são bastante variáveis. Estima-se que até 7% da população mundial possa ter dislexia. O quadro é mais comum em meninos, sendo que a comorbidade mais comumente associada é o transtorno do deficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Recentemente, as pesquisas vêm demonstrando as bases genéticas da dislexia. Não raro nos deparamos no consultório com casos onde há uma recorrência de distúrbios de linguagem na família. Esses casos sempre nos apontam para um caráter hereditário.

Já estão descritos mais de uma dezena de genes responsáveis pela dislexia, em nove diferentes regiões, que são designadas por DYX1 a DYX9 (número designa a ordem em que foram descritas).

As bases neurobiológicas da dislexia são um campo aberto para estudos, mas é sabido que indivíduos  com dislexia demonstram uma ativação anormal nas áreas da linguagem no hemisfério esquerdo, principalmente no córtex temporo-parietal, responsável pelos processos fonológicos de grafema-fonema e córtex occipito-temporal, envolvido no reconhecimento da palavra escrita.

O diagnóstico, muitas vezes difícil, é clínico e multidisciplinar. O paciente deve ser abordado sempre por uma equipe composta por fonoaudiólogo, neuropsicólogo, psicólogo, psicopedagogo e neurologista infantil que, por meio de avaliações específicas e exclusão de outros diagnósticos, poderão nortear o tratamento.

Infelizmente, ainda não há cura ou tratamento medicamentoso para a dislexia, mas a abordagem multidisciplinar precoce pode mudar o prognóstico dessa disfunção.

Em minhas pesquisas para este post, me deparei com uma frase que gostei muito e creio que é de uma verdade sem igual:

“Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente…”

Essa publicação foi atualizada em 24 de agosto de 2019 15:44

As opiniões expressas nesse artigo são de responsabilidade de seus respectivos autores.
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Produzido por
Dra. Simone Amorim

Neurofisiologista e Neurologista Infantil

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