Na hora da dor, tudo o que o que se quer é conseguir qualquer possibilidade de alívio. Porém, muitas vezes, o paciente acaba não se dando conta de que medidas paliativas, sobretudo quando envolvem automedicação, custam muito caro para a saúde.
Os riscos envolvidos no uso constante e indiscriminado de analgésicos são reais e comprovados cientificamente.
“Essa é uma das razões pelas quais os especialistas insistem tanto na importância do controle da enxaqueca com acompanhamento médico individualizado para o caso de cada paciente”, explica a neurofisiologista e diretora clínica da Vita, Simone Amorim.
Praticamente todos os tipos de remédios para dor, embora não apresentem efeitos colaterais graves no momento do uso, têm um efeito cumulativo altamente nocivo para o organismo. Fígado e rins são dois órgãos bastante castigados pelo uso irrestrito de analgésicos.
“O grande problema é o efeito cumulativo. A pessoa muitas vezes faz um uso prolongado dessas medicações durante anos, e lá na frente surge algum problema de saúde que pode ter sido ocasionado ou agravado pelo abuso de substâncias analgésicas”, explica a médica.
Para a especialista, a adoção de um estilo de vida que ajude a afastar os gatilhos da dor (como alimentação, gestão do sono e do estresse, prática de atividade física, etc.) está entre as medidas mais importantes e eficazes a serem tomadas pelo paciente. Além disso, ela lembra, a toxina botulínica é hoje considerada “padrão ouro” no controle da enxaqueca.
“É uma terapêutica de ação em nível muscular e sem impactos no funcionamento sistêmico do organismo. Além disso, em vez do uso diário do analgésico, o paciente faz a aplicação da toxina, no máximo, três vezes por ano, sendo que há pacientes que conseguem ter um resultado eficaz com apenas uma aplicação anual”, explica.
PRINCIPAIS EFEITOS ADVERSOS DO USO INTENSO E PROLONGADO DE ANALGÉSICOS
Ibuprofeno: por ter uma ação rápida e potente contra os casos de dor, os medicamentos com esse princípio ativo (vendidos no Brasil com nomes comerciais como Advil®, Actiprofen®, Artril®, Benotrim®, Danilon®, Doretrim®, Ibufran®, Ibuprofeno®, Motrim®, Paratrim®, Stopen®) costumam ser largamente utilizados por pessoas que sofrem de enxaqueca e que se automedicam. Porém, o ibuprofeno é um anti-inflamatório não esteroide (AINE) e é também um antipirético (remédio contra febre). Ou seja, é um medicamento concebido para ser utilizado em situações pontuais, sob prescrição médica.
Entre as reações adversas causadas pelo uso excessivo do medicamento estão os seguintes quadros:
– Hepatite induzida;
– Falência renal aguda;
– Nefrite intersticial (lesão nos rins);
– Sangramento gastrointestinal;
– Elevação da pressão arterial;
– Aborto espontâneo.
Ácido acetilsalicílico: presente em medicamentos muito populares (como Aspirina® e AAS®), também oferece riscos à saúde, se usado com grande intensidade. Entre eles:
– Comprometimento das funções renais;
– Dificuldade de coagulação sanguínea;
– Hemorragias internas;
– Formação de trombos.
Paracetamol: no Brasil, o remédio mais conhecido dessa linha é o Tylenol®. Esse também é um analgésico e antipirético. O risco do uso abusivo inclui principalmente o surgimento de lesão hepática, que pode levar ao completo comprometimento do fígado.
Dipirona: no Brasil, esse talvez seja o analgésico e antitérmico mais utilizado, mas recentemente entrou para a lista de medicamentos perigosos. Nos Estados Unidos, Japão e Austrália, além de vários países da União Europeia, o medicamento está proibido. Estudos comprovaram que a substância está envolvida no desenvolvimento de um quadro chamado agranulocitose, uma doença potencialmente fatal, caracterizada pela ausência de leucócitos granulosos, que são as principais barreiras de defesa do organismo contra infecções.
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