Anna Carolina A. Peres da Silva,
Geriatra
Pesquisas mostram que a maioria dos idosos percebe sua sexualidade de forma semelhante: valorizam expressões de carinho e afeto, como um abraço e um beijo, em detrimento do ato sexual propriamente dito, conseguindo driblar as deficiências biológicas impostas pelo envelhecimento.
Cada vez mais comuns nas cidades, os grupos da terceira idade são importantes locais para socialização e possibilidade de encontros amorosos. São locais onde as pessoas encontram motivação, aprendizado e amizades, os ajudando a manter sua autonomia. Manter a independência funcional e autonomia no dia-a-dia é fundamental para se envelhecer de maneira satisfatória.
Porém, com o aumento dessa socialização, as doenças advindas de uma vida sexual ativa também começam a preocupar as equipes de saúde. Para se imaginar este cenário, estudos apontam que 67 % dos homens e 39,5 % das mulheres entre 65 e 74 anos estão sexualmente ativos (Ciência Saúde Coletiva vol.17 no.1 Rio de Janeiro Jan. 2012).
Doenças sexualmente transmissíveis começam a aparecer nas consultas geriátricas, assim como as estatísticas demonstram elevadas taxas de pacientes idosos contaminados pelo vírus da imunodeficiência adquirida. Pesquisas mostram, por exemplo, que no Estado de São Paulo, a incidência da AIDS entre os idosos aumentou 26 % na última década.
Uma possível explicação para esta vulnerabilidade dos idosos frente as DST é a falta de uma cultura no uso do preservativo entre estas pessoas, afinal, quando eram jovens e iniciaram a vida sexual não se falava em DST, AIDS ou preservativos.
Frente a esta situação preocupante, grupos de saúde da prefeitura de São Paulo organizam uma campanha de orientação com os participantes dos bailes da terceira idade, local onde muitos casais se formam. Mas as campanhas nacionais de incentivo ao uso da camisinha ainda são voltadas exclusivamente ao público jovem.
Considerar e estar atento às questões que envolvem a sexualidade das pessoas idosas é algo que também deve fazer parte dos programas de Saúde e da abordagem médica. Entender que mesmo a despeito das mudanças biológicas esse é um aspecto que continua a fazer parte da vida desses indivíduos, é uma questão de respeito por parte da sociedade.
Essa publicação foi atualizada em 26 de agosto de 2019 12:54
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