“É importante que pais e educadores tenham a noção de que as meninas também podem ter déficit de atenção. Porém, geralmente, nelas o quadro costuma ser menos visível, uma vez que a hiperatividade nem sempre vem em forma de agitação psicomotora – como é mais comum acontecer com os meninos”, explica a neuropsicóloga Marina Alves.
Ela ressalta que o transtorno ficou muito associado às características da hiperatividade psicomotora porque os sintomas desse quadro costumam chamar mais atenção e serem mais facilmente identificáveis. Afinal, a criança inquieta, agitada e que muda rapidamente de atividades, dificilmente passa despercebida.
Entretanto, uma menina aparentemente mais quieta, mas com dificuldades para levar adiante suas atividades pode, sim, ter TDAH. “Assim também como pode ter outros quadros. O importante é nunca deixar de prestar atenção e buscar ajuda especializada diante de dificuldades de aprendizado apresentadas pela criança”, observa a especialista.
Afinal, vale lembrar que os problemas de aprendizagem e adaptação são sempre uma oportunidade para que a família reveja alguns procedimentos e para que observe também a forma como a escola está conduzindo o ensino. Tudo tem de ser observado e a ajuda de profissionais especializados é sempre bem-vinda.
Saiba mais sobre TDAH:
– O que é: trata-se de um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e que muito provavelmente irá acompanhar a pessoa por toda a vida. Nesses indivíduos há uma alteração no metabolismo cerebral – na região frontal, principalmente.
– Características: a principal característica desse transtorno é a dificuldade que essas pessoas têm de focar em um único tema ou atividade. Na verdade, esses indivíduos têm uma instabilidade de atenção, pois, geralmente, pode-se dizer que em suas mentes ocorrem um excesso e uma rapidez muito grande de pensamentos.
– Hiperatividade: sim, o cérebro de quem tem Déficit de Atenção é geralmente um cérebro hiperativo. Muitas vezes, o comportamento dessas pessoas também terá essa característica. São crianças agitadas, inquietas, que mudam rapidamente de atividade. Mas, embora seja comum, nem sempre a agitação psicomotora acompanha o comportamento da criança que tem déficit de atenção.
– Inteligência: o déficit de atenção nada tem a ver com falta de inteligência. É importantíssimo que isso fique claro para a família, que muitas vezes não entende por que essa criança tem dificuldades na escola. Então é importante saber que não há uma dificuldade de aprendizado, mas sim de manter o foco naquilo que precisa ser feito.
– Superfoco: Quem sofre com a doença é capaz de se concentrar por horas em algo que gosta. Quando finalmente foca em algo, a pessoa tende a não se interessar e nem se concentrar em mais nada enquanto está desenvolvendo aquela atividade.
– Diagnóstico: somente um especialista pode, após uma série de avaliações e testes, estabelecer o diagnóstico que aponta para o Déficit de Atenção e Hiperatividade.
– Tratamento: a medicação é indicada quando os sintomas são intensos e atrapalham a vida da criança. O tempo mínimo é de 2 anos, sendo que, depois, há reduções gradativas até a suspensão completa. Associado aos remédios, é importante que a família adote uma série de medidas que ajudarão a “treinar” o cérebro dessa criança para que ela se torne mais organizada e focada. Terapias de apoio também são recomendáveis.
Essa publicação foi atualizada em 13 de julho de 2019 11:18
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