De fora do “mapa da fome” (lista da Organização das Nações Unidas, que aponta as regiões onde a falta de comida é uma realidade) desde 2014, o Brasil ainda enfrenta muitos desafios no quesito alimentação. Ainda estamos longe de ter  uma população realmente bem-nutrida.

Estudos recém apresentados pelo Ministério da Saúde apontam que, nos últimos 10 anos, a obesidade teria crescido 60% no país. Ou seja, estamos comendo mais, mas, ao que parece, de forma errada.

Para a nutricionista Andrea Della Ripa, integrante do Corpo Clínico da Vita, um dos motivos do crescimento do número de obesos nos últimos anos seria o aumento do consumo de alimentos industrializados. “Esses produtos, muitas vezes, parecem mais baratos que os alimentos considerados saudáveis e, com a correria do dia a dia, a tendência por optar por uma refeição ‘rápida’ e de valor acessível parece ser a melhor saída”,  comenta.

obesidade Planejamento é a chave para comer de forma mais saudável e gastar menos

O “prático” fast food pode custar bem caro à saúde

Mas esse “barato” tende a custar caro. Os números a mais que esse tipo de consumo proporcionam na balança, estão diretamente ligados ao aumento de incidência de doenças como diabetes, hipertensão, problemas articulares entre outras.

Dados do Ministério da Saúde revelam que o diagnóstico médico de diabetes passou de 5,5%, em 2006, para 8,9%, em 2016. O de hipertensão, no mesmo período, saiu de 22,5% para 25,7%. É por causa desses e de outros números que profissionais da área da saúde são unânimes em afirmar que existem problemas graves no prato e nos hábitos do brasileiro.

A boa notícia é que dá para virar o jogo e, ao contrário do que muitas famílias pensam, a mudança não significa colocar mais itens no carrinho de compras, mas sim planejar corretamente o que se vai comer, priorizando, principalmente, os alimentos frescos.

“Planejar refeições faz com que a rotina alimentar seja mais prática, evitando que as pessoas optem por produtos industrializados nos momentos mais corridos”, defende Andrea.

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Com um cardápio em mente é mais fácil priorizar alimentos frescos

A nutricionista destaca que, muitas vezes, por comodidade, acabamos não variando muito o que comemos, ficando sempre nas mesmas opções. O planejamento ajuda também a mudar isso e a explorar a variedade de itens disponíveis nas prateleiras dos mercados e feiras.

“O planejamento bem-feito é um dos pontos mais importantes de uma alimentação saudável. Aproveitar os alimentos de época, planejar as refeições da semana e priorizar alimentos in natura, tudo isso feito de acordo com a realidade e as possibilidades de cada família, além de contribuir para uma melhora na qualidade das refeições oferecidas em casa, ainda ajuda a combater o desperdício de alimentos – outro grave problema”, sustenta a especialista.

No começo, investir tempo pensando no que se vai comer ao longo da semana pode parecer trabalhoso, mas os benefícios à saúde, em curto prazo, irão provar que vale a pena! Que tal experimentar?

11 DICAS PRÁTICAS QUE VÃO AJUDAR VOCÊ A SE ORGANIZAR

1. Planeje suas refeições, invista num cardápio semanal. Se não souber como fazer um, busque orientação de um nutricionista. Esse planejamento ajuda não só a comer melhor, mas também a otimizar seu tempo no mercado, pois você já sairá de casa sabendo, exatamente, o que vai precisar para aquela semana;

2. Invista tempo no pré-preparo de algumas refeições. Deixar folhas, frutas e legumes higienizados facilitará sua rotina. Outra dica é cozinhar carnes que serão utilizadas durante a semana. O frango, por exemplo, pode ser armazenado cozido e desfiado. Na hora da refeição é só finalizá-lo com os temperos e acompanhamentos que preferir. Você pode tirar um dia da semana para fazer isso. Experimente! Vai valer a pena;

3. Dê preferência às verduras, legumes e frutas da época. Além de estarem mais frescos, por causa da oferta, a tendência é que os preços desses alimentos também estejam mais em conta;

4. Não vá ao mercado com fome. Parece óbvio, mas muita gente ainda cai nessa cilada. E aí, o resultado: acaba colocando no carrinho itens que não, necessariamente, levaria ou que fogem do ideal da alimentação saudável, como salgadinhos e processados;

5. Para não perder o foco na hora das compras, faça uma lista e a siga. Assim você evita comprar mais do que planejou e se mantém dentro do seu orçamento;

6. “Ah, mas está tão baratinho… Vou levar mais.” A desculpa do preço baixo é boa, mas só vale a pena levar mais se realmente for consumir, principalmente se forem alimentos perecíveis. Caso contrário, é desperdício na certa;

7. Faça sempre uma boa vistoria na geladeira e na dispensa antes de realizar uma nova compra para checar se, realmente, os itens que você incluiu na sua lista são mesmo necessários;

8. Fique de olho nas promoções, aproveite as “ofertas do dia”. Pode dar um pouco mais de trabalho no começo, mas depois vira um hábito que terá impactos significativos no orçamento doméstico da família;

9. Evite o desperdício. Cascas de frutas são ricas em fibras e nutrientes e podem enriquecer bolos, vitaminas e farofas. Talos de folhas e legumes (como de cenoura, couve, beterraba) podem ser refogados ou usados em sopas. Carcaças e aparas de frango, carne e peixes podem render um caldo muito saboroso, que pode ser usado nas preparações em substituição aos caldos industrializados. Também pode ser feita a versão de caldos de legumes com pedaços de vegetais que não serão utilizados em outras preparações;

10. Não tem tempo para fazer suas compras? Existem aplicativos que resolvem isso. Com alguns cliques você e sua família terão alimentos frescos sem nem sair de casa;

11. Pense fora da caixinha. Literalmente. Opte por alimentos in natura, experimente novos sabores, novas receitas, coma “comida de verdade” ao invés de congelados e processados. Além de serem mais saudáveis eles também são mais saborosos!