A chave da questão está no desafio que o uso do computador e que a navegação na rede podem representar para o idoso. “Qualquer desafio nos obriga a criar estratégias, a planejar, a usar o raciocínio e a utilizar nossas memórias para conseguir vencer e realiza-los”, diz a neuropsicóloga Marina Rodrigues Alves.
Descobrir, baixar e instalar programas ou simplesmente aprender a usar um aplicativo são, em si, formas muito eficazes de manter a mente ativa. “Sabemos que o cérebro deve ser exercitado com atividades que ajudam a melhorar algumas funções cognitivas, tais como memória, atenção, raciocínio lógico, linguagem, entre outros”, ressalta a drª. Marina.
A especialista explica que a grande vantagem da Internet está no fato de ser um meio de comunicação interativo, diferentemente da TV, por exemplo, onde a recepção de informações se dá de forma passiva. Assim, a possibilidade de pesquisar, pensar em caminhos para buscar e encontrar as informações desejadas são, por si só, formas muito positivas de estimular a atividade intelectual no idoso – que tende não só a ser mais sedentário, como também menos exposto a desafios intelectuais no seu dia a dia.
“Após a aposentadoria, grande parte das atividades que fazemos naturalmente enquanto estamos ativos profissionalmente são deixadas de lado. Com o passar dos anos, podemos ter prejuízos por deixamos de exercitar a memória, o raciocínio, entre outras áreas cognitivas. Por isso, mesmo após nos aposentarmos, devemos continuar lendo, estudando, tendo atividades físicas, praticar jogos, etc.”, recomenda Marina.
Para tirar o melhor partido do que a Internet tem a oferecer, a neuropsicóloga recomenda sites que possibilitem bons momentos de leitura (como os de livros on-line, blogs e notícias, por exemplo), além de jogos on-line, como pôquer, stop e xadrez. Jogos de memória, paciência e estratégias também são ótimos estimuladores da capacidade mental.
Atividades físicas
Entretanto, se por um lado a drª. Marina recomenda um uso ativo e até terapêutico da rede de computadores, por outro, ela faz um alerta para que isso não se converta em desculpa para uma vida sedentária. Fazer atividade física é fundamental para a saúde do idoso e, inclusive, influencia positivamente também na sua memória.
“A possível influência da atividade física sobre funções cerebrais do idoso foi discutida por diversos autores. É provável que a atividade física regular diminua a ansiedade e a depressão; aumente a autoestima e otimize o estímulo cerebral”, ressalta.
Na Internet ou fora dela, portanto, fica claro que aposentadoria não pode e não deve ser sinônimo de apatia. Não parar e continuar estimulando a mente e o corpo, de formas saudáveis, são medidas importantes para expandir não apenas a expectativa, mas, principalmente, a qualidade de vida.
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