Que a hipertensão é um perigo para a sua saúde, você já sabe. Mas hoje vamos tratar de uma ameaça bastante específica, ocasionada por esse quadro, que ainda não é tão enfatizada nas campanhas de conscientização, mas que merece muito a sua atenção: as estatísticas mostram que, ao longo dos anos, o hipertenso corre maior risco de desenvolver quadros de demência.
Ao longo do tempo, a pessoa que convive com a pressão arterial elevada tem maiores riscos de ter perdas cognitivas e até mesmo quadros demenciais
Um estudo publicado pela European Heart Association aponta que, entre os 50 e os 75 anos de idade, a pressão arterial ligeiramente elevada já é suficiente para elevar em 45% os riscos de demência. O levantamento foi conduzido por uma equipe da London´s Global Universit (UCL), sobre dados de 8.639 indivíduos rastreados desde 1985.
Há também levantamentos brasileiros que apontam na mesma direção. Em dezembro de 2020, a revista Hypertension publicou uma pesquisa, realizada no Brasil, mostrando que a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) está associada a um declínio de cognição e de memória em adultos de forma acelerada, que não faz parte do processo natural de envelhecimento. Os dados são do Estudo Longitudinal e Multicêntrico Elsa-Brasil – que está em andamento em seis capitais, acompanhando 15 mil funcionários públicos, com idades de 35 a 74 anos.
Estamos muito acostumados a ouvir falar da estreita relação entre a hipertensão arterial e os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) – que, quando não tiram a vida, costumam deixar sequelas físicas e/ou cognitivas, com grande impacto sobre a funcionalidade do paciente, devido às lesões que o acidente vascular (isquêmico ou hemorrágico) pode causar no cérebro. Mas como exatamente a pressão arterial elevada causa declínios cognitivos (chegando a quadros de demência) em indivíduos que não sofreram um AVC?
“Pressão arterial elevada significa que o sangue vai passando com mais pressão pelos vasos sanguíneos. Isso, com o tempo, gera danos à microvasculatura cerebral, ou seja, aquela rede de microvasos vai sendo lesionada, e deixando de irrigar adequadamente o cérebro. Isso acaba afetando áreas de cognições que viabilizam, por exemplo, a memória, a velocidade de processamento de informações, a linguagem, e a capacidade de comunicação, etc.”, explica o neurologista vascular Pablo Nascimento.
Segundo o neurologista Pablo Nascimento, a demência vascular ocorre devido a lesões na microvasculatura cerebral que vão ocorrendo ao longo dos anos
Segundo o especialista, esse quadro é denominado demência vascular e, além de poder ser desencadeado pela HAS, pode também ser causado por outros fatores que afetem a vascularização cerebral, como no caso do diabetes. Dentre os principais sintomas, estão: apatia, déficits de atenção e disfunção executiva (diminuição da capacidade de planejar e organizar as tarefas).
“Existe também o Parkinsionismo Vascular, que é quando os déficits cerebrovasculares afetam regiões relacionadas ao controle dos movimentos, gerando sintomas semelhantes aos da Doença de Parkinson, mas sem ser essa doença propriamente dita”, explica Pablo.
O médico chama a atenção ainda para o fato de que, além da demência vascular, a hipertensão está também relacionada a uma série de outras doenças neurológicas. “Pessoas com pressão elevada estão em grupos de maior risco para a Doença de Alzheimer, que é um quadro degenerativo. Além disso, as ocorrências de aneurismas e AVCs são também mais comuns entre esses indivíduos”, sublinha.
No Brasil, 80% dos casos de AVC (também conhecido popularmente como “derrame cerebral”) estão relacionados a HAS. É uma incidência elevadíssima, que ainda exige muita ação para a conscientização das pessoas, além de atenção redobrada dos especialistas.
“O grande desafio é sermos mais espertos do que a hipertensão. Antes de tudo, é preciso prevenir o seu aparecimento, por meio de orientações que devem ser dadas por todos os médicos aos seus pacientes, falando sobre a importância da adoção de hábitos saudáveis e da manutenção dos acompanhamentos de rotina”, defende. No caso das pessoas que já apresentam alguma doença neurológica instalada, o controle da pressão arterial é importantíssimo para prevenir a recorrência e a progressão dos sintomas.
Ao longo do ano, algumas datas são especialmente dedicadas às ações de conscientização sobre os riscos da hipertensão. Recentemente, no dia 17 de maio, foi assinalado o Dia Mundial da Hipertensão. Nas redes sociais da Clínica Vita, divulgamos informações e orientações a respeito do tema, incluindo vídeos informativos gravados pela nossa diretora clínica, Simone Amorim, que também abordou o tema em suas redes sociais (CLIQUE AQUI, PARA VER ESSES CONTEÚDOS).
Além de todos os riscos cerebrovasculares apontados aqui, neste post, a hipertensão também afeta o funcionamento de diversos outros órgãos e sistemas do organismo. Dentre eles, claro, está o coração, mas também os rins e os olhos são especialmente afetados pela pressão sanguínea elevada.
DICAS PARA MANTER A PRESSÃO ARTERIAL SOB CONTROLE:
Essa publicação foi atualizada em 21 de junho de 2022 16:29
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