speak 8 Treinamento Auditivo ajuda a acelerar aprendizagem de novo idioma

O Treinamento Auditivo pode ser a chave para aprender inglês mais rapidamente.

Sabe aquele seu sonho de se tornar fluente no inglês ou em algum outro idioma? Algumas sessões de Treinamento Auditivo podem deixá-lo mais perto de alcançar esse objetivo.

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Inúmeros alunos sabem ler e escrever bem, mas se sentem inseguros para falar outro idioma.

“Muitas vezes, as pessoas estudam inglês ou outro idioma por anos, fazem conversação e até intercâmbio, mas, ainda assim, sentem-se inseguras e lentas para manter um diálogo. Elas pensam que é por falta de treino, mas, em grande parte das vezes, isso tem a ver com a necessidade de desenvolver determinadas habilidades auditivas”, explica a fonoaudióloga Aline Bovolini, integrante do Corpo Clínico da Vita.

Na sua tese de mestrado e, agora, no doutorado, a especialista se debruçou sobre as dificuldades (e facilidades) que pessoas adultas têm para aprender uma segunda língua. O inglês foi o seu foco.

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As habilidades auditivas estão diretamente relacionadas a um bom desempenho em outros idiomas.

Com base no acompanhamento de grupos de alunos com nível de inglês considerado intermediário, Aline constatou que o Processamento Auditivo – isto é, a capacidade (maior ou menor) que o nosso ouvido tem de “conversar” com o nosso cérebro – influencia diretamente na aquisição de um novo idioma e na sua fluência. O número de estudantes com indícios de déficits nessa área foi muito maior do que o esperado.

A especialista estima que entre a população adulta, cerca de 30% das pessoas tenham algum tipo de problema no Processamento Auditivo. “Digo isso sem medo de errar. É o que minha experiência em contato com estudantes de inglês tem mostrado”, afirma Aline.

“Infelizmente, temos poucos levantamentos estatísticos sobre o Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC). Nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 7% das crianças tenham esse quadro, mas sobre os adultos, ainda não temos um bom mapeamento”, completa.

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Os ganhos na desenvoltura com o idioma são rápidos com o Ttreinamento Auditivo.

Por outro lado, a prática tem mostrado que treinamentos específicos e direcionados mostram-se capazes de descortinar um novo universo para quem apresenta o DPAC.

Segundo a fonoaudióloga, a incidência do problema entre a população adulta e funcional muitas vezes é “mascarada”, devido à capacidade humana de desenvolver compensações para driblar a dificuldade de processar o que se ouve. Afinal, o Processamento Auditivo não tem nada a ver com ouvir pouco, mas sim com uma série de habilidades que acontecem no nosso cérebro para processarmos as informações sonoras, isto é, para entender e elaborar aquilo que ouvimos.

“Estamos falando aqui de pessoas com capacidade cognitiva normal ou, até mesmo, com inteligência acima da média. Então o cérebro, inteligentemente, acaba encontrando formas de ir contornando aquele problema do Processamento Auditivo e, assim, na sua língua nativa, a pessoa vai tendo um desempenho até que bem satisfatório nos estudos e na carreira, mas sempre apresentando dificuldades quando a exigência comunicativa aumenta. Isso é perfeitamente possível quando o DPAC não é muito severo. Só que notamos que ele se revela uma barreira na hora de aprender outro idioma. Surgem situações como, por exemplo, a pessoa estudar inglês por anos, ter ótimo nível de compreensão gramatical, boa leitura e até escrita, mas, mesmo assim, na hora de se comunicar, ela não compreende, não percebe o sotaque e a diferença dos sons entre os dois idiomas”, salienta a fonoaudióloga.

Aline explica que o diagnóstico de falhas nas habilidades de Processamento Auditivo é feito por meio de testes bem específicos, acusticamente controlados por equipamentos audiológicos. Entretanto, determinadas características comportamentais também podem ser indicadoras de que o problema deve ser investigado.

“Estamos acostumados a pensar no paciente com DPAC apenas como aquela pessoa tímida e retraída, distraída, que é o mais comum de acontecer. Mas como aqui estamos falando de pessoas que conseguiram driblar o problema desenvolvendo estratégias de forma intuitiva, pode acontecer também o contrário, ou seja, a pessoa acabar sendo aquela hiperativa, agitada, conhecida por não ter paciência para escutar, por exemplo”, relata.

Uma vez detectadas se existem e quais são as dificuldades específicas presentes, o paciente pode passar por um treinamento acusticamente controlado, que envolve geralmente de 10 a 12 sessões feitas exclusivamente com profissional fonoaudiólogo, além de exercícios em casa.

“Já nas primeiras sessões os pacientes notam avanços muito grandes. Para nós, é muito gratificante ver pessoas adultas descobrirem que podem ter um desempenho muito maior e melhor em áreas da vida que elas jamais imaginavam, graças ao Treinamento Auditivo”, destaca a especialista.

SAIBA MAIS

O que é o DPAC: na condição chamada de Transtorno ou Distúrbio do Processamento Auditivo Central (TPAC ou DPAC), o paciente apresenta algum tipo de falha para captar, classificar, organizar ou interpretar eventos acústicos, mesmo que a sua audição esteja preservada. Isso acontece quando há algum tipo de problema na “conversa” entre o ouvido e o cérebro, sem que ocorram, necessariamente, problemas ou déficits cognitivos. Sendo assim, a pessoa pode ter esse quadro sem nenhum tipo de comprometimento no seu nível de inteligência – embora, claro, ele também possa ocorrer em pacientes com atrasos no desenvolvimento intelectual.

Ocorrência: não existem estatísticas oficiais no Brasil, mas a prática clínica mostra que a incidência do Transtorno (TPAC/DPAC) é bem alta entre a população.

Exame: a avaliação para identificar o TPAC / DPAC consiste em mensurar as habilidades auditivas, por meio de testes especiais realizados com equipamentos audiológicos (audiômetro, cabine acústica), onde são aplicados estímulos auditivos acusticamente controlados. Esses testes só podem ser feitos por fonoaudiólogos com as devidas habilitações para esse tipo de exame.

Treinamento Auditivo: caso sejam detectadas falhas em uma ou mais das chamadas habilidades auditivas do paciente, isso pode ser corrigido por meio de exercícios que visam o Treinamento Auditivo. Em média, são necessárias de 10 a 12 sessões, apenas, com intervalos de pelo menos 48 horas entre elas. Ou seja, em poucas semanas a pessoa já tem condições de apresentar uma performance bem melhor no aprendizado e no uso de outro idioma.

EXEMPLOS DE HABILIDADES AUDITIVAS QUE PODEM INTERFERIR NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE NOVAS LÍNGUAS

Uma vez captado o som, uma série de reações ocorrem em nível cerebral para que essa informação receba classificação e significado, ou seja, para que o Processamento Auditivo ocorra. Isso acontece graças às chamadas habilidades auditivas, que ocorrem de maneira automática e simultânea diante do estímulo sonoro. As habilidades são inúmeras, e falhas em uma ou várias delas podem apontar para o Transtorno/Distúrbio do Processamento Auditivo Central (TPAC/DPAC). Vejamos algumas destas habilidades:

  • Localização: capacidade de identificar de ONDE está vindo a fonte sonora (exemplo: em uma reunião de trabalho, uma pessoa com déficit nessa habilidade chega a perder 30% do que está sendo dito);
  • Figura de fundo: capacidade de focar no assunto principal e desconsiderar conversas ao entorno (exemplo: a pessoa vai a uma palestra e sai exausta porque para ela é muito difícil manter a atenção SÓ NO expositor, por causa de conversas paralelas);
  • Fechamento: habilidade de completar mentalmente o que a outra pessoa está dizendo quando há um ruído no ambiente (máquinas, ventilador, interferência no celular). Para essas pessoas, as situações cotidianas muitas vezes parecem aquela antiga brincadeira do “telefone sem fio”: elas ouvem uma coisa, mas processam outra;
  • Ordenação temporal: habilidade de identificar a ordem de apresentação de eventos acústicos que variam quanto a características acústicas como, por exemplo, frequência (grave e agudo) e duração (longo e curto), que interferem na prosódia. É um déficit muito comum de acontecer com quem tem dificuldade em aprender uma segunda língua (o português é uma língua grave, lenta e de palavras ampliadas; já o inglês é uma língua aguda, rápida e de palavras curtas e, por isso, para essas pessoas é difícil “treinar” o ouvido para essa nova realidade);
  • Resolução temporal: ser capaz de perceber os pequenos intervalos sonoros de sílabas e sons (geralmente essas pessoas falam mais rápido e podem ter dificuldade na interpretação do que escutam).